JÁ CÁ FALTAVA...

Louçã deu finalmente um ar de sua graça. Em Torres Novas (bela terra por onde passo todas as semanas, sede de uma das maiores bases de militância benfiquista e onde se come muitíssimo bem...), o chefe do Bloco iniciou o desfile exibicionista dos monopólios do costume. A esquerda, tão antimonopolista na economia, revela uma irresistível atracção pela reivindicação dos monopólios emocionais. Disse ele que o voto do sim no referendo é que é o voto da consciência. Ficais, pois, a saber, caros defensores do não: além de hipócritas para o Sr. 97,2%, sois esvaziados de consciência. Ela foi toda adjudicada aos adeptos da liberalização do aborto. Sabiam disto, seus ocos?...

Comentários:
Parte do comentário feito por Alice que não obteve resposta alguma (como é natural) por parte dos defensores do "não":

"Pronto, vamos todos votar NÃO! E, os defensores do NÃO ao aborto (e SIM à vida), podem seguir em frente, com novos projectos como:

- O blogue do NÃO à guerra;
- O blogue do NÃO à tortura;
- O blogue do NÃO ao envio de tropas portuguesas para zonas em conflito;

(ou a vida de um feto de 10 semanas, ainda sem consciência de si é mais importante que a vida de seres já nascidos?).

Se alguém responder, não vale dizer apenas que é igualmente importante (já que umas causas têm direito a blogue e outras não).

Dizer que só esta questão está em referendo, também é pouco, dada a importância incontornável e inatacável da vida humana.

Dizer-me que estou a ser lírica e demasiado ingénua, na minha vontade de acabar com a guerra no mundo... E que o melhor (mais realista e mais prático) é defender a Convenção de Genebra, também não sei se será uma boa aposta..."


Gostava mesmo de ver um comentário por parte dos defensores do "não"... Por outro lado... acho que não há comentário possível perante tais factos... É mesmo preferível ignorar e manter a nossa visão em túnel em direcção ao "NÃO".
 
É curioso como são precisamente aqueles que se arrogam o monopólio da consciência, da defesa do direito à vida como um «valor absoluto», da «ética fundamental» a que se referiu o Cardeal Patriarca, quem ironiza e recusa a defesa dos valores éticos quando esta é feita por outras pessoas.

Mas mais curiosa ainda é a coincidência entre as consciências de quem vota «não», dessas mesmas pessoas, com a consciência hipócrita do Catecismo da Igreja Católica a que obedecem cegamente e sem perceberem sequer porquê.

Tal como explico aqui:

http://rprecision.blogspot.com/2006/10/igreja-catlica-e-vida-humana.html


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Qual é o espanto? O Reverendo é o tal que sonega a Portas a possibilidade de falar sobre a alegria de ter uma criança...
 
O que me parece estar em causa em tudo isto é a rematada hipocrisia que divide os dois quadrantes. Até agora ainda não vi os aderentes do NÃO declararem pública e directamente que TODAS as mulheres que pratiquem o aborto deveriam ser penalizadas com pena de prisão.
Por outro lado, também não me parece que os defensores racionais e inteligentes do SIM, proclamem que o aborto deva ser considerada a partir de agora como um método anticoncepcional válido...
O ridículo de toda esta questão e que mais pormenorizadamente escrevo em http://quemganhacomoaborto.blogspot.com/
é que este referendo surge numa altura em que há assuntos muito mais importantes para discutir, em que a situação económico-social do País não se compadece com divisões internas e toda esta urgência e aparato não mais serve do que para distrair o Povo durante uns tempos.
Se de facto se quiser tratar de assuntos ligados com a vida e a família, que tal equacionar a sério a situação dos milhares de crianças que esperam anos por uma adopção e que são vítimas de uma máquina burocrática tão típica deste «pequenino» Portugal?
Que tal equacionar a sério a situação das centenas ou milhares de pessoas que esperam meses e anos por uma operação da qual depende a sua vida?
E como dizia um dos participantes deste fórum, é tão triste verificar que temos um governo que fecha maternidades e por outro lado parece disposto a abrir centros de aborto!
Que lógica impera em tudo isto?
Que lógica impera num País onde a Segurança Social corre o risco de falir pela baixa taxa de natalidade?
O que eu gostaria mesmo de saber é quanto uma operação desta — um referendo — custa ao País, em subvenções a cada um dos lados e no próprio acto em si — mesas de voto, boletins, etc., etc.... — e pensar o quanto esse dinheiro seria muito mais bem aplicado em obras sociais.
O que eu gostaria de saber é quem realmente vai ganhar com tudo isto: um governo que claramente vai beneficiar com a distracção dos portugueses durante uns tempos e mais uma dúzia de empresários com as tais clínicas se a iniciativa vingar.
Quanto ao Povo, esse... pode ser que um dia destes talvez tenham oportunidade de um referendo sobre o direito ao suícidio!
 





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