Revista de Imprensa (15)

"O 'sim' não tem de significar uma anuência à banalização do aborto, à diminuição do valor da vida e à secundarização do planeamento familiar, da educação sexual ou da responsabilidade individual.", Pedro Lomba, no Diário de Notícias. Então significa o quê?

Comentários:
O texto que vou deixar, de seguida, pode parecer desfasado à discussão que prossegue, Mas não é. Tudo se conjuga, porque, no Universo, não há compartimentos estanques, muito embora estejam, uns, do que outros:

Não sei em que estrato ou estratos se situam aqueles que o Prof. Cavaco Silva entende como vítimas do segregacionismo, nem sei de que massa são feitos, por que são impedidos ou se impedem os que ficam impossibilitados da partilha; quais as razões que dividem e quais as que congregam, porque não sei de que elementos se serviu para formar a tipologia e a perspectiva do esquema que sabota a reformulação do País depauperado e tolhido, com o peito chupado por broches de zircão, e o latão pendurado ao pescoço.

Não há, aqui, parece-me, pessoa alguma que não seja excluída. Portugal, eu diria, é o reino de todos os perdidos; o aglomerado de estratos de exclusão, com previsão de verba, inclusive, para ajudar, na integração, deputados que, em fim de mandato, regressarão à terra que, afinal, não será, para eles, o que era–.

É verdade que as questões económica e cultural –sociais e indissociáveis, no fundo– são subsidiárias da grande diferença impeditiva, mas é na educação, no modo como nos educam e nos educamos, que são decididos os trâmites da nossa aculturação e do nosso crescimento económico, parecendo razoável que cresçamos e nos prepararemos para mais que uma Nação e uma Espécie, porque o País e a Humanidade são pouco, devendo ser articuladas as diferenças que nos diferenciam, porque a globalização é um projecto com a idade do Criador –quem quer que Ele seja– que sustenta o Todo no respeito e no aproveitamento conectivo das especificidades –ou não faria sentido o tempo que gastou na criação de vidas, tão diversas, combinadas no uno da multiplicidade–.

Porém, Portugal é um caso paradigmático, quase incompreensível, de isolacionismo. Excluído, porque se exclui por partes; porque existe como empresa de família desavinda: os postos de gestão e de vigia ocupados por primos espertos ou ingénuos que impedem ou desaproveitam eficácias, porque a concorrência fomentada é falsa e é insana, e a cotação atribuída ao valor é perversa, porque há canetas em bolsos sem tinteiro, sem inteligência, sem seriedade e sem palavras, sendo subterrâneo o manual usado dos que, cultivando aparências, vivem de outros volfrâmios.

Terão pensado, alguns, que, a Portugal, bastariam as paisagens, o turismo e o Sol; que seria possível existir sem aparelho produtivo e manter a identidade própria; recuperar a saúde económica, sem que empresários e trabalhadores, por transformações impreparadas e por desocupação, vissem abalada a estabilidade psíquica e psicológica; compreendendo-se, agora, que o trabalho não é somente via do sustento, mas também uma acção que pretende haver o amor-próprio e prevenir contra os riscos do ócio –ninguém nem nenhum povo sobrevive ou se equilibra, quando se desocupa, quando desiste e se desarma e deixa de pensar, articuladamente, por si próprio–.

Sobram os voluntários, os sem-abrigo, as sopas e as mantas. Sobra o que resta da desorganização, do interesse sem visão e sem prumo; a falsa tolerância dos que não sabem e dos que não ensinam; a hipocrisia organizada que mais facilmente faz a caridade do que se dispõe pagar, a quem trabalha, o preço justo. E há –porque não há províncias–, os excluídos enviados para o Kosovo, para o Líbano e para outras partes do Mundo, onde podem, enfim, sentir-se integrados no entretenimento dos outros –quem são, repito, de modo diverso, aqueles que a Verdade, procurada e mentida, exclui?... ¬–. Sim, há o Obikwelu. Nascido na Nigéria, a viver e a treinar em Espanha, com treinador e meios que não são de cá, e a quem, sem vergonha, em troca de qualquer subsídio, Portugal penhora o título de campeão de velocidade da Europa –mas quem é que acredita que, num País tão lento, possa haver alguém que, fruto de uma escola, tanto corra? –.

Salazar não chegou a exceder as expectativas. Terá sido equivocado idealista. Como tanto ministro –ditador ou democrata–, mentiu, impediu, cerceou, segregou, fechou; ajudou, cooptou, permitiu, sancionou... excluiu. Tudo isso no interesse de grupos? Então, por que mentem, impedem, cerceiam, segregam, fecham; ajudam, elegem, permitem, sancionam… excluem, ainda, no interesse de grupos?... Que diferenças, para além do avanço tecnológico que outros desenvolveram e propuseram; das estradas que outros financiaram para que mais fácil e mais comodamente pudessem colocar a sua cultura, as suas imagens e os seus produtos?... Dir-me-ão que há a Floribela e os Morangos com Açúcar, e o desempenho de papéis anormes, como aquele dos 10€ por autógrafo.

Quais intenções, as boas intenções, resistem, numa República desorientada, onde o estado do Estado –também e essencialmente do Estado– é de degradação, porque as pessoas usam e abusam do poder, da vaidade, da hipocrisia e da gula, na representação continuada de papéis meramente interessados, ignorantes e instintivos?...

Eu sei que a vida parece dos mais fortes e dos que mais fingem. Que, até no suicídio, é o Instinto que, por desânimo, por nos assistir e nos abandonar, no-lo aconselha e no-lo impõe e no-lo permite. Poderemos, servindo-o, ser educados e estar vivos? É possível ser-se comedido e instintivo, sermos o animal que somos, capaz de procurar a verdade e de mentir, muito embora os cálculos sejam majoritados para uma só saída e ser o drogo-sapiens, o macaco evoluído do Darwin, que traça o breviário do futuro e do destino?

Que esperam os responsáveis de um Ensino condicionado pelas estatísticas, que não pauta as passagens pela qualidade e pela eficácia, em idades e níveis em que os alunos deveriam preparar, sem subterfúgios, um futuro de alicerces sólidos? Que esperam, os político-ideólogos, das liberdades concedidas, da tolerância excessiva de que procede a selvajaria que gera a impotência e os medos nos professores e nas escolas? Como pode um professor ser pedagogo, quando, sem vocação, é só sobrevivente refugiado na Escola? De que pode servir o ensino obrigatório a crianças que, por razões diversas, não estão predispostas para aprender, prejudicando as outras e as aulas, e que se habituam ao vício e ao ócio, quando a realidade do trabalho –de peso e responsabilidade adequados– as ocuparia e lhes incutiria o sentido de responsabilidade que as ajudaria a crescer; sendo, até, que a vontade de amar e de saber tem um tempo que, pelo caminho e às vezes, se descobre?... É que, apesar de as crianças não serem –talvez– indivíduos adultos mais pequenos, elas trazem, consigo, malas para as viagens de todos os que chegam a grandes; que preenchem, ao longo das passagens e das estadas que levam à Mulher ou ao Homem. Crescidas, não param. A criança ainda existe e influencia: as dores, as saudades e as alegrias são a bagagem, única, transmissível –porque contagia–, de que nos separamos, sim, à entrada da tumba –isto, pensando que a viagem não continua–.

É verdade que quem passa todo o tempo na Escola –nos moldes da Escola que conheço– acaba por crescer com a mente deturpada, com o sentido da realidade ludibriado pela distribuição conveniente de ciências e técnicas. O que se aponta é o caminho recto, sem previsão de curvas e atritos, se exceptuarmos aqueles professores que são pessoas e que são inibidos por introduzirem, nos programas, momentos de alusão ao Humano como animal de perversões e de vícios; que alertam para a Ciência como arma que, não contemplando as máscaras do Instinto, torna ineficaz e indefeso o conhecimento, porque nenhum poder nos quer instruídos, quer-nos como mãos e ferramentas das suas vontades instintivas; quer-nos sem pensamento, para que não questionemos nem procuremos outros caminhos. E querem que saibamos ler, apenas para que compreendamos, à distância, as suas vontades –não é por ironia que as políticas são organizadas e executadas por cérebros que entraram e demoraram na Escola. E agora?!... Que tem um doutor ou engenheiro de sobra, se não for abnegado, não for inteligente nem for Homem?... –A parra não esconde, denota, porque a verdade, que é para ser escondida, a casa não consome nem mostra.

Pode-se chegar, com legitimidade, moral, a ministro ou secretário de estado, sem se ter vivido; sem se ter experimentado caminhos, para além do que conduz, desde o infantário, à Universidade e ao Hemiciclo?... Compreendendo-se –partindo do princípio de que todos compreendemos¬– a importância do Ensino como espaço destinadamente responsável pelo alicerce, pela sustentação e pela correcção do nosso desenvolvimento, que predicados devem ser exigidos aos detentores das pastas da Educação e da Cultura, se é delas que dependem as formas de exercício da Instrução, da Justiça e da Saúde?… –Os advogados e os economistas, já nós percebemos que não podem ser tudo–.

Chegaram ao Poder democratas que nunca fizeram sacrifícios; traidores dos princípios e do Partido. Pode saber-se, então, que o diploma, a imagem e o desejo de democracia é pouco, porque a Democracia e os democratas, de facto, não existem, são embuste; o diploma, só por si, não assegura a existência da isenção e das inteligências analítica e aplicativa; a imagem é sempre a que resulta dos cometimentos. As roupas e as poses não preenchem as lacunas do saber e do uso, pelo contrário, acentuam-nas. E continuo, aliás, a pensar que o voto reflecte a impotência e o abandono, porque a Democracia, quando muito, seria o regime, mais ou menos possível, entre indivíduos da mesma estatura. Mas que é usado como processo, perverso, pela natureza cobarde, esquiva, de animais impunes que se contradizem e que procuram a ocultação das culpas, como modernos reis que não sabem como esconder as rugas, tão profundas, tão bestiais e tão humanas ¬–a exclusão é isso, é o outro espaço para que os poderes empurram quem não pertence aos círculos da família; não existindo, parece-me, qualquer regime que possa alterar isto–.

Saiba V. Exa., Senhor Presidente, que a sua fala se assemelha ao silêncio dos que são impedidos, dos que falam sem serem escutados ou que são ouvidos por conveniência; que a sua quietude provirá da percepção, da impotência e do cansaço dos que, sérios, mais tarde ou mais cedo, acabam vencidos pelos ideais e pela luta, porque o Homem, instintivo como outro ser qualquer, não tem grande tempo para descanso e para desculpas. Não vejo, no entanto, razão para que se desencante, se perceber que, aqui ou noutro lado, os políticos são só criaturas de uma Espécie corrupta, de uma Espécie, como todas as outras, condenada a lutar, pelo espaço e pelo tempo, contra os elementos e contra as concorrências: a morte é adiada se usarmos a mentira que a Vida nos sugira. A Mesma que, mentindo-nos, nos ilude e nos exaure e nos mata e nos esconde a morte; que no-la mostra –âmago e tontura– como data marcada e indefinida.
 
QUE TEMOS QUE VOTAR "NÃO"!
 
2004 - Os números dos partos em Portugal

NASCIMENTOS EM 2004: DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

TOTAL - 109.356

Portugal - 109.298
Estrangeiro - 58

Continente - 103.309 dos quais: No Norte - 37.999; no Centro - 21.854; em Lisboa - 31.614; no Alentejo - 7.070 e no Algarve - 4.772

Nas Regiões Autónomas - 5.985 dos quais: Nos Açores - 3.007 e na Madeira - 2.978.

Localidades não determinadas / Ignoradas - 4

Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
 
Significa Sr. Jorge Ferreira, que as mulheres que já fariam o aborto de qualquer maneira em condições sub-humanas, o farão em condições dignas.Difícil?
 





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