Revista de Imprensa (2)

"Também já vimos que, numa única sondagem, enquanto mais de 50 por cento dos inquiridos dizem que votariam sim à pergunta proposta para o referendo, apenas 29 por cento respondem afirmativamente quando se lhes pergunta se o aborto deve ser legal nos casos em que a mulher não deseje ter o filho. Logo, à luz da informação disponível, o que parece prevalecer entre a opinião pública é a incerteza e a ambivalência.O corolário é mais simples: nada está decidido. Se Zaller tiver razão, dois factores serão absolutamente determinantes no desfecho do referendo. O primeiro é a forma como o assunto vai ser "enquadrado" no discurso mediático. Desse enquadramento depende, em grande medida, que tipo de considerações - favoráveis ou desfavoráveis - se tornarão mais acessíveis e aplicáveis para os eleitores quando de tratar de tomar uma posição. Só para dar um exemplo, um enquadramento novo e que começa a ganhar destaque nalguns órgãos de comunicação social é a ideia de que a despenalização do aborto será fonte de lucro para clínicas privadas estrangeiras que se irão instalar em Portugal. É em torno de coisas como estas que se ganham ou perdem referendos em temas como estes. O segundo factor determinante será a posição dos partidos políticos. A maneira como os eleitores costumam resolver as suas incertezas é olhando para as pistas fornecidas pelos grupos políticos com os quais se identificam. Mas se deles vier apenas ambiguidade e calculismo, a resposta será imprevisível. Foi assim que se decidiu o referendo de 1998. É assim que se decidirá o de 2007."
Pedro Magalhães, na edição de hoje do Público (link indisponível).

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