ESSA É QUE É ESSA

Um verdadeiro liberal que seja a favor da liberalização do aborto deve defender o funcionamento do mercado aberto com essa liberalização. O preço dos abortos será determinado pelo livre jogo da oferta e da procura. E, em caso algum, o dinheiro dos contribuintes deve ser utilizado para subsidiar essa indústria. Um liberal puro deverá, pois, votar não no referendo. Ou não?

Comentários:
Eu já suspeitava que por detrás dos defensores do não estaria a protecção dos lucros do aborto clandestino...O critério económico.
Não venham é falara em defesa da vida. Limitem-se a defender o cifrão.
 
caiu-te a mascara, jorge ferreira...
e por essas e por outras é que não voltas a sentar o fofo no parlamento. é a vida...
 
A liberdade, tal como a independência, não existe. A liberdade que nos é concedida é sempre condicional, razão por que a nossa independência não vai, nunca, no máximo, além da autonomia, muito embora, sem serem totalmente livres, os que podem pareçam ser mais autónomos, ou não procurariam, desenfreadamente, o poder -surge, depois, em movimento aparentemente antitético, por acumulações, a perda de espaço físico e de tempo, mas isso é um estudo que, aqui e agora, não tem cabimento-.

E, do mesmo modo que já cá escrevi, dizendo que o "aborto não é questão de fé nem de Justiça, eu acrescento que também não é uma questão económica. É verdade, pelo menos em parte, que ele acontecerá em consequência de políticas económicas, a jusante, portanto.

Aceite a realidade, admito que muitos dos discordantes do sim -há gente cujos lucros lhe advém do jogo de aparências- se preparem para a discussão dos preços. Mas esse é um tema que pouco ou nada terá a ver com a essência, apesar de, quer se queira, quer não, as nossas vidas se terem transformado em objectos com preço. Desde a cabados ao feto.
 
Que raio de raciocínio.

Um liberal que defenda a liberalização do aborto prefere naturalmente o sim, mesmo que não concorde que o seu dinheiro pague a prática de abortos em hospitais públicos.

A questão da criminalização/descriminalização precede naturalmente a questão do modo como se financia o aborto. Descriminalizado o aborto até às 10 semanas, cabe depois a um liberal pugnar para que o dinheiro dos contribuintes não sirva para financiar actos com que eles eventualmente estarão em profundo desacordo ético.
 
Por acaso não, deve ser a favor da descriminalização, como passo para uma futura discussão acerca de quem deve prestar este serviço médico, o Estado ou os privados. Mas nessa discussão desconfio que já estaremos distribuídos de formas diferentes entre o sim e o não...

Depois, claro, há os liberais radicais. Esses defenderão que o Estado não criminalize nada nem apoie nada, que deixe apenas as coisas organizarem-se por si.
 
Se o principal argumento do sim é permitir que com a liberalização as mulheres pobres possam fazer o aborto em condições, pensando que assim acaba o aborto clandestino, então, o Estado tem que fornecer o serviço gratuito. Se assim não for este referendo não servirá para nada. A questão do financiamento não é independente nem posterior à questão da liberalização/crimininalização.
Na eventualidade do sim ganhar, o aborto passa a ser um direito cujo exercício depende do mero pedido da mulher, e como direito que é e envolve a sua saúde, pode exigir ao Estado que o mesmo lhe seja prestado.
 
Este post foi muito instrutivo para mim. Fiquei a saber que sou um liberal. Mas IMPURO.
 





blogue do não