Pena da Morte

É evidente que existe uma distinção fundamental entre a pena de morte e o aborto: enquanto a primeira mata o culpado e pode ser justificável por uma questão de legítima defesa, o segundo mata o inocente. É elevada e portanto louvável, a civilização que abdica do seu direito à defesa para poupar a vida do culpado. Felizmente fazemos já parte dessa civilização. Temos agora de pensar em dar o passo seguinte e lutar por defender a vida do inocente. Quando o Sr. Louçã vêm com as suas já habituais lágrimas de crocodilo defender o aborto, está a lutar para criar uma sociedade mais brutal e mais desumana do que aquela em que, apesar de tudo, ainda conseguimos viver hoje.

Comentários:
Sou, naturalmente, contra a pena de morte. Do mesmo modo que sou contra que algumas pessoas tenham nascido, muito embora compreenda que sejamos quem somos,também em resultado das envolvências.

Politicamente, a História é complexa, porque os relatos chegam-nos escritos por aqueles a quem é permitido. E é vulgar a existência de heróis e de malditos com as duas faces: Hitler ou Estaline? E há o risco de os heróis serem sempre obscuros. Hão-de ter, como digo, no mínimo, duas leituras.

O que será Bush?
 
Nem mais!
 
Na pena de morte o réu tem os seus advogados e pode recorrer. No aborto a vítima não pode fazer nada em sua defesa. É um inocente desprotegido.
Um e-amigo em resposta a um e-mail que reenviei sobre o aborto disse que «convém esclarecer que "despenalizar" não quer dizer "liberalizar"». Este é um falso argumento, que só convence os distraídos ou desprovidos da capacidade de raciocinar.
Senti necessário responder que não consigo esclarecer-me sobre a diferença entre «despenalizar» e «liberalizar». Pretende-se, com o referendo que qualquer mulher possa abortar até às dez semanas, sem indicar motivos, sem que ninguém lhe possa negar esse direito. Portanto, não vejo que isto não seja «liberalizar». É a rebaldaria completa, a total dissolução de costumes.
É preciso uma luta a sério conta estes criminosos.
 
Sim, a pena de morte mata sempre os culpados, esses malvados bandidos, e tem justificação claro, para nos proteger a nós nobres e honrados cidadãos desses tais bandidos.
Já o aborto é matar o bebézinho claro, tadinho, pequenino e indefeso, sem justificação nenhuma, cadeia com os abortadeiros.
E pena de morte para os abortadeiros ? isso é que era...
O Saddam seria abortadeiro ???
 
A PENA DE MORTE e o ABORTO são coisas totalmente diferentes. Enquanto o ABORTO pode ser entendido como a inibição do nascimento de uma criança condenada a uma PENA DE VIDA, a PENA DE MORTE -corresponde à condenação de alguém que, merecendo-a, admito-, pode ser a decisão a que chegaram outros que, poderosos, podem não ter muito melhor consciência.

É a dúvida que me impede aceitar a MORTE como condenação, olhos-nos-olhos, sem a legitimidade da auto autodefesa.

É a dúvida que me permite aceitar o ABORTO; por não saber, depois do ventre, o que a vida, este modo de vida, mesmo a quem é desejado, reserva.
 
Caro Rodrigo: o aborto é a condenação de algúem que nada fez, só foi feito. Quem lhe diz a si que quem toma a decisão de o o matar é alguém com melhor consciência?
Condenado a uma pena de vida? O Beethoven era surdo e a sua música ainda hoje nos deleitamos com ela
 
ID, quanto a ser alguém que nada fez, não tenho necessidade de dizer -porque não disse- que não acusei, qualquer embrião ou feto, do que quer que seja. O que eu disse e repito, é que, nos moldes em que a vida se processa, quem nasce, independentemente da condição social e económica, corre sérios riscos de PENA DE VIDA,por o percurso ser, cada vez mais, de sonhos que se desfazem, porque a concorrência é maior e os favorecimentos, por quaisquer empatias, dizem-nos que não há espaço para todos.

Também não ponho em causa o gozo que as sociedades extraem dos espectáculos que os vários sofrimentos produzem, e refiro-me, essencialmente, aos da alma. Mas, a isso, eu chamo egoísmo -inconsciente, às vezes- de quem espera e recebe as mensagens sem sequer reflectir nas etimologias, digamos assim.

Já toda a gente sabe que as grandes obras -porque, no mínimo, pressupõem as angústias da procura- são fermentadas por sofrimentos. Até porque, como compreenderá, a felicidade não produz grandes coisas, salvo o bem-estar dos que são felizes ou dos que são tontos.

Sabe que, eu próprio, já tenho dado comigo a observar pormenores espectaculares de incêndios?

Poderá, à partida, concluir-se que o meu posicionamento é macabro. A verdade, porém, é que a desgraça contém, em si, gozos -para quem não é vítima, asseguradamente-.

Beethoven não era surdo. Ficou surdo. E a grandeza das suas obras não se deve à surdez -eu não digo que você diz isso-, mas às suas angústias, às suas procuras, suportadas e transformadas pelo seu talento. Mas podemos incluir Mozart, que morreu só e que -se descontarmos o homem da carreta-teve, por companhia, um cão, a caminho de uma vala comum.

Existir é muito mais do que estar vivo.

cumprimentos
 
Caro Rodrigo,
ninguém sabe à partida se a sua vida vai ser uma vida com pena ou sem pena... fazer depender o nascimento disso, parece-me demoníaco e abre a porta ao homicídio de deficientes, velhos, doentes crónicos, etc, etc.
Quanto a não haver espaço para todos, e com o devido respeito, discordo frontalmente. E se, como diz, há pessoas que crescem e produzem grandes obras fruto da fermentação pelo sofrimento (como diz) isso é a prova que há lugar para todos, mesmo para aqueles que à partida, pelas circunstâncias em que nasceram, estariam condenados a uma pena de vida.
Cumprimentos
 
Acho estranho dizer que não há espaço para todos quando, em Portugal - e é de Portugal que estamos a falar - a taxa de natalidade está dramaticamente baixa, facto esse que já foi reconhecido inclusivamente pelo primeiro ministro no passado dia 27 de Abril.
 
ID: nós temos, naturalmente, a nossa perspectiva sobre as coisas. Perspectiva essa que, não se pode negar, é sempre influenciada pelos nossos momentos, pelos nossos estados, pelas nossas vivências, em suma.

Independentemente disso, há uma vida, um modo de viver que se tornou complexo; que nem a capacidade económica obsta a que, mesmo quem a possui, saia ileso. Eu conheço, por proximidade, pessoas com pequenos impérios que não escapam aos desgostos, aos desencantos, às agruras. A minha posição não é fundamentada nas necessidades de ordem física, ainda que eu compreenda que a matéria também é necessária e é útil.

Em termos de felicidade, são mais as pessoas que parecem felizes do que as que, na realidade, são. A vida tornou-se numa área imensa de lacunas, de sonhos que nos medram a ilusão e o esboço de projectos que são inexequíveis: ou endurecemos ou desfalecemos, porque a vida, a que nos impõem, não tem grandes espaços para a verdade e para os afectos; é preciso correr, fingir, competir. É preciso resistir à mediocridade que vai ao "leme" e aprender a resignação, quando, por vezes, temos capacidades que não são entendidas nem,muito menos, atendidas.

Eu não o/a conheço, mas garanto-lhe, com a frontalidade de que não me desligo, que, se me fosse possibilitado saber para onde vinha, eu teria pedido para não nascer. E não pense que está a falar com um ser deprimido.Está dante de alguém que luta, que aprendeu a viver consigo mesmo, tentando a maior distância de uma espécie de mundo. Não lhe fujo, inoja-me.Mas percebo que é nele que eu vivo,mas compenso-me, porque,sem o/a conhecer, marimbando-me, desculpe, para o que de mim pense e em função do que entendo e do que observo,digo, apenas, com o equilíbrio que consigo, com o arbítrio que a razão -a minha razão- me permite, o que me parece.

Repito-lhe que não há espaço para todos, porque se vive em regime de cooptação por afinidade e por conveniência. Os juízos, mais que imperfeitos, são, consciente e inconscientemente, deficientes, porque os "negócios" são o grande objecto.

Decidi,de facto, muito cedo, que não seria pai. Tinha dezassete anos quando assumi a escolha, e tenho,por mais incongruente que pareça, desempenhado o papel, agumas vezes. Parece que a Vida nos escolhe como tese e antitese.

E para terminar, que já vou longo, só quero acrescentar que não sou quem carrega com as consequências de quem tem alguma deficiência ou otras características quaisquer que dificultem a integração numa sociedade com tanta gente "completa" e privada de direitos e de usufrutos. Com ou sem deficiência, eu gostaria que ninguém sofresse. Por isso temo, quando vejo sinais de que alguém está perto de nascer. Só isso.

Cumprimentos
 
JR: o espaço a que me referi não é, naturalmente, a área disponível, mas os espaços -colocações, entenda-se- ocupados por recomendação, em regime de desigualdade de oportunidade de direitos. Daí eu me repetir, quando digo que é preciso respeitar e cuidar das pessoas, mesmo depois de nascidas. Porque, o que parece, é que, como os embriões, os fetos e os mortos não fazem concorrência, lhes são dirigidas todas as atenções.

Há gente que tratou sem piedade vivos e que, pelos "fiéis defuntos" os estragam com mimos e com flores

O que o Sr. Ministro -este ou outro- diz, peço desculpa, mas, eu não ouço, porque é uma figura que não é neutra.

Cumprimentos
 





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