Sinais de Vida

A campanha do "não" ao aborto reforçou em muitos portugeses uma cultura de favorecimento da Vida em todas as suas formas, um cultura assumidamente pelas mulheres, pelas crianças, e pelas famílias.
Durante estes 8 anos milhares de mulheres e casais foram atendidos nas instituições que criámos, centenas de crianças em risco nasceram, centenas de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar tiveram apoio e condições de vida. A intimidade destas situações dita que muitas vezes sejam esquecidas e cobertas por um silêncio doloroso. Mas as mulheres e famílias em situações de risco, preferem sempre a ajuda ao aborto.
Sabíamos isso em 1998 e sabêmo-lo agora ainda com mais vigor, pela experiência vivida no apoio e contacto com a Vida!
É preciso reforçar o caminho percorrido desde 1998, aprofundar este caminho que dignifica cada um dos portugueses, as crianças e a maternidade.
Nestes últimos anos assistimos a uma passividade do Estado na ajuda às mães e às famílias. São disso exemplo os projectos apresentados para abertura de novos centros de apoio à vida e não licenciados; as dificuldades das instituições que "mendigam" apoios da segurança social, mês atrás de mês; os programas de educação sexual nas escolas que foram cancelados há um ano pelo Ministério da Educação.
Apostamos em obras que, no seio da sociedade vão dando Sinais de Vida!
"Não pararemos enquanto fôr possível encontrar nas nossas cidades uma mulher que diga: «Eu abortei porque não encontrei quem me ajudasse"»
Madre Teresa de Calcutá

Comentários:
Sara:


Durante oito anos e com tantas instituições deste tipo a funcionar só conseguiram convencer "umas centenas" de mulheres a não abortar??
Durante oito anos, realizaram-se em portugal cerca de 160.ooo aborto clandestinos.

Apesar da vossa boa vontade apenas conseguirm evitar umas centenas de abortos????

Só??????

Das duas uma - ou o vosso modelo de intervenção é extremamente ineficaz , ou as mulheres que querem abortar continuam a fazê-lo independentemente das ajudas oferecidas ou da sanção penal.


Tanto num caso como outro, a não me aprece que
 
160.000 abortos clandestinos? Não terão sido 16 milhões? Ou mesmo 50 milhões!? Quando puder envie-nos a fonte dos números que indicou.
 
Não. Pelo menos 20.000 por ano, segundo as estimativas mais baixas a partir dos casos de mulheres internadas em hospitais portugueses por complicações pós-aborto.
Mas há organizações internacionais que apontam para 40.000 aborto clandestinos por anos em portugal.
Agora multipliquem por nove.


Em suma - o vosso modelo de intervenção associado á manutenção de penas de prisão é extremamente ineficaz na prevenção do aborto.

Uma falhanço.
 
Esses números estão um bocado baralhados. Há bocado era 20.000 vezes 8 que dava 160.000, agora são, pelo menos, 20.000 vezes 9 (porquê 9?) que dá quanto? Não percebo.
Mais, esse números são falsos e revelam a má fé que o traz aqui a comentar. Os números do SNS, revelados há 2 semanas pelo Ministro, falam em cerca de 2.000 mulheres assistidas devido a complicações pós-aborto. Sem querer desqualificar as 2.0000, convenhamos que multiplicar esse número por 10 para dar espectáculo pouco adiante num debate que se quer minimamente sério.
Cumprimentos
 
Consulte os números/estimativas da da UNICEF e da OMS.

Por cada mulher assistida nas urgências hospitalares há um número definido de abortos realizados. Pelo que os números apontados resultam de estimativas. ( Quando é aborto ´clandestino, os cálculos t~em de ser feitos assim- por aproximação).
Mas há dados concretos- nas clínicas espanholas, há 10.000 abortos realizados por cidadãs portuguesas, todos os anos. ( 80.000 desde o último referendo).

Em suma -
1 - A penalização é ineficaz e só incentiva o aborto clandestino.

2 - A intervenção de centenas de associações ditas pró-vida ao longo de oito anos é de uma eficácia baixíssima, pois face ás dezenas de milhar de abortos realizados anualmente por portuguesas só conseguiram impedir umas centenas ao longo de oito anos.

3 - Então, se queremos com seriedade reduzir o número de abortos em portugal temos de pensar noutras estratégias que não o modelo prisional e persecutório, nem o modelo de "caridadezinha".
 
"Não. Pelo menos 20.000 por ano, segundo as estimativas mais baixas a partir dos casos de mulheres internadas em hospitais portugueses por complicações pós-aborto."

Deixe-me só pedir-lhe que pense, já que gosta de números:

Se a estatística de abortos espontâneos é 10% dos nascimentos por ano, não acha que esses 20 000 são todos abortos clandestinos pois não?
 
A que acresce o facto do SNS não distinguir a assistência a mulheres por complicações pós-aborto quando estes são espontâneos (e, portanto, não voluntários).
 
O prisma de debate não deve nunca ser "o" número ou factor, pelo menos para quem valorize cada indivíduo.

Valorizando cada indíviduo, numa perspectiva seguramente menos política e menos leviana do que a "Atlântico" deste mês, dificilmente se pode sustentar a legalização do aborto (sem quaisquer condicionantes), para mais, por razões pragmáticas (mais do que em nome de um qualquer princípio).

Pegando na resposta de Tiago Geraldo (relativamente à qual somos todos, aparentemente, terceiros), constante em http://revista-atlantico.blogspot.com/2006/10/o-crime-de-aborto.html, pergunto ao próprio se:

1. O "problema fundamental: a demissão de uma sociedade sem condições económicas e morais para acolher novas vidas", não é amiúde referida na China como justificação para o controlo de natalidade (tão liberal na sua raiz);

2. É possível desconsiderar "o problema do valor vida enquanto valor intrínseco que está em jogo" (esse mero pormenor).

3. O tal direito que exprime um dever ser valorativo deve render-se a impossibilidades ou inaplicabilidades práticas; argumento, aliás, a que se aderirão como defensores os (poucos, demasiado poucos) portugueses que abusam de informação previligiada ou praticam crimes económicos. Entendimento que se acompanha, mas não se perfilha.

Recomendo a leitura. É um bom exemplo do que um defensor do sim não deve escrever.
 
Por acaso até distingue, embora seja difícil.
Em boa verdade só se pode ter a certeza no caso de mutilações gravíssimas ou perfurações uterinas...
Até porque, como há crimininalização e tem havido perseguição policial e mesmo casos de violação de sigilo profissional para acusar mulheres deste crime, as mulheres quando chegam ás urgências a esvair-se em sangue dizem todas que é um aborto espontãneo.

Quanto ao número 20.000, há previsões estatísticas ( por estimativa) que apontam números até aos 40.000.

Mas há estatísticas indesmentíveis - os 10.000 abortos /ano realizados por portuguesas em Espanha.


Ou seja, por mais que vocês neguem ao longo de oito anos, os abortos em portugal devem ter ultrapassado os 160.000.

Isto é a política que vocês advogam ( prisão para aa mulhere; manutenção do aborto clandestino , tudo misturado com uns toques de caridadezinha) não diminui o número de Abortos.
 
Ao anónimo das 16:58, pergunto eu:
por que é que as estatísticas das portuguesas que abortam em espanha são indesmentíveis...?

E já agora: querer chamar "estatísticas" a meras multiplicações das estimativas de um único ano, acho um bocado abusivo da inteligência e compreensão dos demais, não??
 
Anónimo, acho que já se percebeu que, números para cá ou números para lá, o que lhe interessa é tirar uma determinada conclusão. Podia ter dito logo. Não era preciso dar-se ao trabalho de apresentar números que não consegue justificar.
 
A conclusão é òbvia:

1 - Não é com penas de prisão que se acaba com o aborto.

Mas isso toda a gente sabe.

2 - Não é com as "metodologias " pontuatis e dispersas das associações ditas pró-vida que se acaba ou reduz drasticamente o aborto. Em boa verdade essas associações pouco ou nada t~em feito.
Embora a sua luta contra a Educação Sexual ou a contracepção eficaz possa até aumentar o número de abortos...


Já agora - o Número de portuguesas que abortam em Espanha são números oficiais - de abortos não clandestinos. Por isso são mais rigorosos.
 
NMB:

Excelente análise.
 
E ele insiste e eu também: podia ter tirado a mesma conclusão sem números porque já vinha com ela concluída. Só há uma problema: a realidade.
 
E eu também insisto: o que são números oficiais? São do INE espanhol ou são fornecidos pelas ditas clínicas espanholas? Faz toda a diferença.
 
Anonymous,

Conhece médicos que façam urgências nos hospitais? Se conhece, pergunte-lhes se eles sabem distinguir entre uma mulher que aparece com complicações derivadas de um aborto clandestino e um aborto espontâneo. Se forem sinceros, dir-lhe-ão que sim.

Peça-lhes uma estimativa de, das mulheres com complicações resultantes de aborto, qual a percentagem das que resultam de abortos clandestinos.
Se forem sinceros, responder-lhe-ão que é uma percentagem baixíssima. Também lhe dirão que mesmo as que se veja claramente terem realizado um aborto (não-espontâneo) não ficam registadas como tratando-se de um aborto clandestino.

Aproveite também para lhes perguntar como, de acordo com o que eles sabem, se realizam os abortos clandestinos, se por abortadeiras sem formãção em "vãos-de-escada" e com "agulhas de crochet" ou por pessoal médico em clínicas devidamente equipadas.
A resposta? Adivinhou. Por pessoal médico e em clínicas devidamente equipadas.

Pela sua própria natureza e pela forma como são realizados, são muitos mais os abortos espontâneos que resultam em complicações do que abortos clandestinos.

Não é com penas de prisão que se acaba com o aborto? Não, porque o aborto nunca acabará.
Mas a despenalização também não vai acabar com o aborto. Pelo contrário, vai fazer com que aumente.

Não é com as "metodologias " pontuais e dispersas das associações ditas pró-vida que se acaba ou reduz drasticamente o aborto?
Pois não. É com uma estratégia de educação sexual, utilização adequada de métodos contraceptivos, apoio a famílias carenciadas e crianças abandonadas e muita informação. É com a colocação dos meios adequados ao serviço dessa estratégia.
De certeza que não é com a despenalização do aborto que se reduz o aborto e o anonymous sabe-o bem ou é autista.

E "Em boa verdade essas associações pouco ou nada têem feito"?
Deve estar a brincar ou é mesmo autista. Se há quem tenha feito alguma coisa para promover a educação sexual e a utilização adequada de métodos contraceptivos e apoiar mães solteiras, famílias carenciadas e crianças abandonadas foram precisamente as "associações ditas pró-vida".
É que às outras, às associações ditas pró-escolha, convém é que sejam realizados muitos abortos (preferencialmente clandestinos), que cada vez mais mulheres sejam obrigadas a recorrer a essa "solução", simplesmente para que a despenalização do aborto a pedido seja cada vez mais vista como a "solução" para o "problema".

Sabe o anonymous que a Lei portuguesa sobre o aborto é praticamente igual à espanhola, apenas variando em alguns prazos (curiosamente mais curtos na Lei espanhola)?
Tem o anonymous consciência que as associações ditas pró-escolha nada fizeram ou fazem para ajudar as mulheres com dificuldades a abortarem dentro da Lei e no SNS?

O anonymous não reparou que a alteração proposta não ajuda em nada as mulheres que tenham dificuldades (porque estas já podem abortar dentro da Lei) mas viza especificamente quem quer abortar apenas porque sim ("por opção da mulher")?
E que a maioria dos abortos serão realizados no limite ou depois das 10 semanas e que quem abortar depois desse prazo vai mesmo ser perseguida, julgada e condenada (promessa do Primeiro-Ministro que afirmou que a Lei, seja ela qual fôr, é mesmo para cumprir)?
 





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