A IGNORÂNCIA CONVENIENTE

A Assembleia da República anda há anos para mandar fazer um estudo sobre o aborto clandestino em Portugal. Os números do aborto clandestino são absolutamente não fiáveis e, consequentemente, o argumentário do "Sim" baseado na alegada dimensão do aborto clandestino é um mero oportunismo do momento para tentar a comiseração fácil. Hoje, chega-se à conclusão, lá pelos Passos mesmo Perdidos que como há referendo em Fevereiro já não vale a pena fazer o estudo. Numa sociedade decente estuda-se primeiro e decide-se depois. Cá, não, decide-se primeiro e como se decide deixa de se estudar.

Comentários:
Parece-me óbvio. O nosso governo pode ter inúmeros defeitos, no entanto é absolutamente impraticavel chegar a uma estatistica real sobre o numero de abortos.
As razoes sao obvias tambem: primeiro,é ilegal, e segundo NENHUMA MULHER SE ORGULHA DE FAZER UM ABORTO! (excluindo doentes mentais).
Se considerares viavel bater a porta de umas centenas de pessoas e esperar que te respondam honestamente se já praticaram um aborto, experimenta fazê-lo.
Este assunto é muito mais delicado do que a marca dos cereais que comes ou a tua marca de roupa preferida.
 
Tenho a sensação que os poderes já decidiram a "solução", só falta o "amen" popular.
 
E queria postar pela perola "A mulher poderá abortar por razões de conveniência – para não perder umas férias na neve já marcadas, por exemplo. Mais: esse aborto será pago com o dinheiro de todos nós, contribuintes."

Como mulher sinto-me ofendida.
Seja qual for a tua posição relativamente a este assunto, não acho que tenhas o direito de estupidificar desta forma o sexo oposto.
Sabes tanto sobre o assunto mas nao sabes que um aborto pode impedir uma mulher de voltar a engravidar? Que é uma experiencia traumatica?
 
Anne,

Se alguém afirmar que é possível que um homem viole, repetida e violentamente, um menino com seis anos de idade, surdo-mudo e amblíope, até lhe provocar a morte, devo sentir-me ofendido pelo que essa pessoa esteja a dizer dos homens?

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=254213

Ninguém afirmou que a generalidade das mulheres aborta ou passará a abortar para não perder umas férias na neve já marcadas. O que se afirmou devia ser absolutamente consensual: a alteração legislativa que é proposta permite que uma mulher aborte para não perder umas férias na neve já marcadas.

A Anne contesta esta afirmação? Se não contesta, suponho que vá votar "não". É que, pelo que depreendo das suas palavras, considera inaceitável que alguém possa abortar para não perder umas férias na neve já marcadas. A não ser que acredite que nenhuma mulher jamais abortará para não perder umas férias na neve já marcadas.

Eu também não acreditaria que alguém alguma vez violásse, repetida e violentamente, um menino com seis anos de idade, surdo-mudo e amblíope, até lhe provocar a morte. Mas, perante as evidências, eu acreditar ou não nessa possibilidade é uma questão que nem sequer se coloca.
 
Cara anne:
"nenhuma mulher se orgulha de fazer um aborto" é discutível. Existe muita pobreza de espírito e muitas situações completamente inimagináveis de falta de consciência. Lembro certos cartazes que surgem em toda a manif que se preze e que cito "Eu já fiz um aborto".
Anne... sem dúvida que a sociedade já foi (e ainda é) machista e que as mulheres sofreram muito.. mas não vamos cair no extremo de pensar que todas as mulheres são santas imaculadas. Não percebo porque sistematicamente (e não só neste tema) as mulheres se juntam numa espécie de clubismo sexista. Por que extrapola para si ou para a Mulher em geral um mero exemplo que visa ilustrar que, se o Sim ganhar, uma mulher poderá abortar sem um motivo justificável? As barreiras sexistas não são abolidas se forem reforçadas do outro lado...
Cumprimentos
 





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