Revista De Imprensa (23)

"A gravidade da despenalização (a que, repito, sou favorável) está num ponto de que ninguém fala: no aborto gratuito no Serviço Nacional de Saúde. Não porque o Serviço Nacional não possa suportar o encargo. Mas porque se o Estado protege uma "cultura de morte", para usar a expressão do Papa Ratzinger, tem necessariamente de proteger uma "cultura de vida". Ou, traduzindo, se o Estado oferece o SNS a quem quer abortar, tem necessariamente de oferecer meios de subsistência a quem não quer abortar (a uma jovem grávida de 14 anos, por exemplo). Sabemos que pela "Europa" inteira a gravidez se transformou num processo de emancipação (da escola, do trabalho, dos pais), que sobrecarrega o Estado e criou uma "subclasse" parasítica e permanente (a cada filho, a mãe recebe mais dinheiro). Convinha que em Portugal a despenalização evitasse este corolário perverso. Infelizmente, não se vê bem como. "
Vasco Pulido Valente, no Público.

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