E pur, si muove

Ecografia às 10 semanas de gestação, em que se observa claramente o feto e se ouve o seu coração. Porque as imagens e sons valem mais que mil palavras.


Comentários:
Obrigada por terem posto este video on-line. Pode ser que quem tenha dúvidas sobre se às dez semanas estamos ou não na presença de uma vida humana deixe de as ter.
 
Caro Fernando,

Gostaria, no entanto, de notar que o batimento cardíaco (que é mantido pela presença de um tronco cerebral funcional) não é, por si só, indicador de 'vida humana'. Não define o estatuto ontológico do feto/embrião. Este ainda não possui as características que são inerentes e definem o 'ser humano'.

Abraço,
 
Caros amigos:
Sem dúvida, não há palavras. Esta é daquelas situações em que falar só estraga. Contemplemos então o milagre da vida. E lutemos por ele. Parabéns!
Cumprimentos.
 
Mas ainda acham que as pessoas pensam que um embrião às 10 semanas não mexe?

Porque é que não aproveitam para colocar, também, uma ecografia de um feto deficiente às 23 semanas (data até à qual é possivel abortar por malformações) para mostrarem que também mexe... é bem maior e já está formado...

Ou, então, um feto fruto de violação, às 16 semanas... Não é vida humana? O coração não bate? Não se mexe?

Não estamos a discutir vida humana... mas qualidade da vida humana!

Não podem ser assim tão intelectualmente desonestos, caramba!
 
Mas eles tentam sempre centrar a discussão na mãe porque lhes dá jeito ignorar o bebé. É que se pensarmos, um segundo que seja, no bebé, não há lugar a qualquer dúvida.
 
No site da National Geographic está é possível fazer o download de fotografias do famoso documentário "In the Womb". Em particular, chamo a vossa atenção para uma fotografia de um feto (bébé digo eu!) de 10 semanas. É simplesmente extraodinária!
Dá para ampliar (para ver se entra pelos olhos dentro de alguns "entendidos" em vida/não vida!) sem perda de qualidade!
 
"Pode ser que quem tenha dúvidas sobre se às dez semanas estamos ou não na presença de uma vida humana deixe de as ter."

Obviamente, já todos percebemos que este é um falso argumento! Hoje a vida começa às 10 semanas, daqui a uns meses já sobe para as 12,14,16... e assim sucessivamente até, finalmente, terem alcançado o "partial brith abortion" ou até mesmo o infantícidio de bébés "não viáveis" (dizem eles!) como já tem acontecido em alguns estados americanos e canadianos.
 
É muito triste admitir que os portugueses possam achar que se pode eliminar "isto", sem necessidade de justificar o que quer que seja. Tenho esperança que caiamos em nós e que impeçamos a liberalização deste atentado!
 
Que enternecedor... É uma pena não haver imagens de mulheres a esvairem-se em sangue por causa do aborto clandestino. Não sei se se consegue ouvir o seu coração a bater, mas aposto que devem gritar bastante.
 
Caros bloggers,

Muitos apoiantes do Sim gostariam de encetar um debate imparcial, livre de tendencialismos cognitivos. Como puderam verificar pelo meu comentário, eu centro o debate no estatuto ontológico do embrião/feto.

É simples. Se for confirmado que o embrião reúne todas as características que definem um ser humano, toda e qualquer forma de aborto é um atentado contra uma vida. Vai contra o Direito Natural que é inerente a todo o ser humano.

Se for confirmado que o embrião não reúne as características necessárias para obter a designação 'ser humano', então o Direito Natural à escolha da mãe (que é um ser humano) prevalece.

Esta é a questão central. A questão necessária: todas as outras questões são contigentes.
 
Na época da intoxicação imagética, as palavras e o raciocínio inteligente perdem terreno, a favor da imagem espectáculo e da propaganda fácil.

Um coração a bater, que se vê tão nitidamente, só pode ser uma vida humana a despontar. Milhões a morrerem de fome, lá longe, são apenas mais uma estatística sem interesse.
 
luna,
Podíamos mostrar as imagens das mulheres esvaídas em sangue e logo depois dos fetos mortos. Quanto a mim não adianta muito ao debate.
Deixe-me que lhe diga, porém, que a melhor forma de eliminar ambas as imagens é acabando com o aborto, seja ele clandestino ou legal.
 
Rui Castro:
Então 'bora lá acabar com o aborto, o sucesso que se tem tido com este quadro legislativo tem sido extraordinário! 'Bora lá!

E, tal como o anónimo acima disse, os autores deste post se fossem honestos deviam mostrar uma ecografia de um feto deficiente às 23 semanas e de um feto fruto de violação, às 16 semanas. Era o que faziam se tivessem coragem. Se fossem honestos.

E Rui, noto ainda que quer acabar com aborto clandestino e legal. A sua afirmação é no sentido de acabar com as excepções (violação, malformação e perigo para a vida da mãe) previstas na lei?
 
Luna, eu tenho (já não sei bem onde) uma fotografia de um ladrão de auto-rádios todo ensanguentado por se ter cortado nos vidros da janela que partiu para roubar o rádio. Acha que ponha, também?
 
Deixemo-nos de coisas acessórias.
Se a mãe de cada um de nós, por opção dela, ou por razões económicas ou sociais, tivesse feito uma IVG, nós não andávamos por aqui nem por lado nenhum. Simplesmente, não existiamos.
Viva a vida do ser humano!
 
Um coração não é uma pessoa, é só um orgão... Isto é, pura e simplesmente, demagogia da mais rasteira.

E em demagogia, as imagens valem de facto mais que mil palavras, sobretudo quando se tem dificuldade em emitir palavras que convençam os outros...
 
fuckitall,

A si, ninguém pretende convencer de nada. Os fanáticos do "sim porque sim", que fecham completamente os olhos à realidade que lhes é apresentada e classificam como demagogia todos e quaisquer argumentos que sejam contra a "verdade" que decidiram ser absoluta, não podem ser convencidos de coisa alguma. Quanto mais não seja porque quantas mais dúvidas têem mais agressivos se tornam na defesa da sua "dama".

O seu "sim" é como um hooligan a escolher o clube a cuja claque vai aderir. Ser o clube A ou o B é absolutamente irrelevalente, assim como não lhe interessa quais os desportos a cujos jogos vai assistir. Adere à claque por razões que não têem nada a ver com um coisa nem com a outra.

Os argumentos aqui apresentados destinam-se:
- aos que têem dúvidas e querem esclarecê-las e
- aos que, tendo certezas baseadas no que julgam ser verdades, estão disponíveis para ouvir quem lhes pretenda demonstrar que essas "verdades" não o são. Assim, ao poderem demonstrar as suas verdades, têem também a possibilidade de convencer os outros.

Aqui e pelo que tenho lido, o fuckitall não passa de ruído. Porventura julga (disseram-lhe?) que, já que não tem argumentos nem capacidades de oratória para convencer seja quem fôr, a sua contribuição para o "sim" passa por fazer ruído num espaço onde se tenta defender o "não" de forma civilizada e sustentada.

O "alias" que escolheu para esconder a sua identidade demonstra bem a importância que lhe deve ser dada.
 
Seria maravilhoso que não existisse aborto, mas existe e continuará a existir por uns anos. E existem mulheres a morrer. E entre um embrião/feto e uma mulher, dou primazia à mulher.
 
Caro maiquelnaite:
Vexa finalmente derrapou para a incoerência que eu queira demonstrar nos adeptos do Sim:

"E, tal como o anónimo acima disse, os autores deste post se fossem honestos deviam mostrar uma ecografia de um feto deficiente às 23 semanas e de um feto fruto de violação, às 16 semanas. Era o que faziam se tivessem coragem. Se fossem honestos." - ou seja, se um indivíduo do Não quiser ser "honesto", tem de aproveitar este referendo para acabar com as excepções da actual lei.

"E Rui, noto ainda que quer acabar com aborto clandestino e legal. A sua afirmação é no sentido de acabar com as excepções (violação, malformação e perigo para a vida da mãe) previstas na lei?" - se um adepto do Não fizer frente às actuais excepções da lei, fica-se logo de pé atrás, porque há-de ser um extremista qualquer.

Parece a história do menino, do velho e do burro... então, já que é assim, façamos a campanha sem condicionalismos. Até porque,m quem tem Razão numa dada discussão argumenta as suas razões, em vez de estar constantemente a diminuir quem advoga a posição contrária.

Cara fuckitall:
Não é demagogia. Se vamos legislar no sentido de permitir que a Consciência Individual destrua algo sem qualquer motivo, é de bom tom tentar conhecer esse "algo", certo?

Caro Flávio Santos:
Estou aberto ao debate. Espero os seus argumentos.

Cumprimentos
 
Luna
Porque não pensa em evitar a gravidez porque há tanta maneira de o fazer, em vez de matar, porque é isso que faz com um aborto.
È mais fácil assim, engravidei não há problema posso abortar quando quizer que linda filosofia de vida você tem
 
Luna,

Seria maravilhoso que não existisse aborto, mas existe e continuará a existir por uns anos. E existem mulheres a morrer. E entre um embrião/feto e uma mulher, dou primazia à mulher.
Caso não saiba, a Lei actual diz precisamente isso: que, entre um embrião/feto e uma mulher, dá-se primazia à mulher (se ela o desejar, naturalmente). E essa escolha nem sequer está limitada pelo tempo da gravidez, seja em 10 ou 30 semanas.

O que vai a referendo não tem nada a ver com abortar porque "existem mulheres a morrer". Até porque, actualmente e em Portugal, não morrem mulheres em consequência de abortos. O que vai a referendo tem a ver com poder abortar apenas porque a mulher decide dessa forma.

Se, a pouco mais de duas semanas do referendo e pelo que se vê, ainda não conhece o que a Lei diz sobre o aborto nem aquilo a que vai responder no dia 11 de Fevereiro, recomendo-lhe vivamente que leia com atenção a pergunta a referendo, consulte a Lei actual (se tiver dúvidas, pergunte) e não se deixe prender a "voto sim porque sim".
 
E é nesta altura que sinto que a luta é desigual... Quem tem o poder de travar esta luta??? Quem sou eu para ficar quieta, sem dizer um NÃO àqueles que querem parar a vida!?!? Eu sou por eles..pelos mais fracos!!! E vou, nesta sociedade reles, que vai sempre por caminhos mais fáceis, dizer Sim À VIDA!!! Em vez de criar locais de morte, instruam as pessoas, gastem dinheiro em coisas que valham a pena... Todo o ser humano tem o direito à vida, quem é esta gente para tirar o maior bem de cada um??? Mundo tolo este... NÃO....NÃo ao Aborto!!!
 
1. Joaquim AL,
Sou "a" FuckItAll, personagem que uso na internet há coisa de 5 ou 6 anos, e que está afecta a um site, o que me torna responsabilizável legalmente para todos os fins. Chamo-me Inês Meneses, se lhe interessa mais a minha pessoa que o debate de argumentos (e os meus, reparará, podem ser agressivos mas nunca pessoais ou deseducados).

2. Kephas, plenamente de acordo, é bom conhecermos o que discutimos. É por isso que tentar confundir o debate racional com emoções é mau, porque com emoções não se pensa.

3. A propósito de conhecer a realidade que discutimos, conhecem os números do aborto clandestino? As mulheres que decidem que não querem ser mães continuarão a abortar, com risco da própria vida se preciso for. Criminalizar o aborto não acaba com ele, não salva nenhum feto - condena é muitas mulheres a problemas de saúde, à infertilidade e até à morte, em casos extremos.
 
fuckitall,

O meu pedido de desculpas por, até ao meu comentário anterior, não ter fixado que se trata de "a" e não de "o".
Se ficou ofendida pelo que escrevi, o meu pedido de desculpas. Acontece que, depois de alguns meses a ouvir disparates e a responder a muitas pessoas diferentes, posso ter começado a confundi-las. É possível que tenha projectado em si o que outros aqui escreveram. Vou ter mais atenção daqui para a frente.

Sobre o comentário relativamente ao seu "alias", mantenho o que escrevi.

Criminalizar o aborto não acaba com ele, não salva nenhum feto
Despenalizar e/ou liberalizar o aborto é que, de certeza absoluta, não acaba com ele. E despenalizar o aborto a pedido e fazer com que qualquer mulher, grávida com menos de 10 semanas, se possa dirigir a qualquer hospital e realizar o aborto de forma segura, discreta e grátis faz, também de certeza absoluta, aumentar o número de abortos.
Qualquer diminuição no número de abortos que se possa eventualmente ter verificado num país após a despenalização/liberalização do aborto a pedido deve-se, mais uma vez de certeza absoluta, a outros factores e não a essa despenalização/liberalização.

Um acto ser crime e ter que ser realizado clandestinamente não impede toda a gente de o fazer. Mas impede alguns. Assim, a criminalização do aborto salva, de facto, alguns fetos. Para que vida, fica por se saber, exactamente o mesmo que acontece com as crianças que não são abortadas.

condena é muitas mulheres a problemas de saúde, à infertilidade e até à morte, em casos extremos.
Uma vez que a despenalização/liberalização do aborto a pedido não acaba com o aborto clandestino (não aconteceu em nenhum país), porque muitas mulheres continuarão a abortar clandestinamente por vergonha e/ou ignorância, essas mulheres continuam "condenadas". E os casos extremos que refere, de morte das mulheres, já há muitos anos que não acontecem em Portugal.

Mas, se a sua preocupação é com as mulheres que sofrem com o aborto, junte-se a quem combate as razões que levam ao aborto. Colabore na educação sexual e planeamento familiar, contribua para ajudar mulheres/famílias em dificuldades e crianças abandonadas e/ou lute por processos de adopção mais simples e rápidos.
Isso não acabará com o aborto? Pois não. Haverá sempre mulheres que não quererão ter (mais) filhos, não estão dispostas a fazer o necessário para garantir que não engravidam e não estão para levar a gravidez até ao fim e dar a criança para adopção. Resumindo, haverá sempre quem, mesmo não precisando de abortar, decidirá abortar. Mas, se defende a despenalização/liberalização do aborto para essas mulheres, assuma-o claramente e de uma vez por todas. Não pretenda que defende o "sim" por causa das mulheres em dificuldades ou em situações de desespero. Essas não precisam de abortar, precisam de não engravidar ou de quem as ajude a cuidar das crianças.
 
Caro Joaquim,

Qt a assuntos pessoais, fair enough, estamos entendidos.

Qto ao assunto que aqui nos traz:

1. Parece-me que os factos demonstram que poucas mulheres deixam de abortar por haver criminalização, tendo em conta que tantas estão disponíveis a fazê-lo com grande risco e com grandes custos.

2. As mortes e os graves danos físicos continuam a ocorrer, quer pelo aborto de método mais "primitivo", a que recorrerão as tais "envergonhadas" de que fala, quer até pela famosa pílula abortiva, que usada sem auxílio médico pode ser bem perigosa.

3. Estou de acordo com todas as necessidades que aponta: a necessidade de informação e acesso a meios contraceptivos para toda a gente, a necessidade de apoio social e a melhoria do processo de adopção. Não obsta isto a que continuem a ocorrer, ainda que menos, gravidezes não desejadas, pelo que,

4. Sou a favor de uma maternidade escolhida livremente. Isso significa que acho que uma mulher só deve entrar nesta relação, que é forte, de grandes consequências e dura a vida toda, se sentir que o pode fazer. E aí, as condições são o menos: há quem opte por ter filhos com muito poucas condições (e bato-me por essa opção também), e há quem tenha todas as condições externas mas não as tenha internas. Quem não queira. Nunca me viu defender que o aborto é para as pobrezinhas...

Por tudo isto, e para que seja claro, defendo o Sim para que toda e qualquer mulher, pobre ou rica, em qualquer circunstância, possa livremente escolher ser ou não mãe. Para ser mãe de modo sério e pleno.

(desculpem o longo relambório, mas para responder a tudo, teve que ser)
 
Cara fuckitall:
"Sou a favor de uma maternidade escolhida livremente. Isso significa que acho que uma mulher só deve entrar nesta relação, que é forte, de grandes consequências e dura a vida toda, se sentir que o pode fazer." - eu também. Só que estou um passo à sua frente. A mulher (e o homem) que escolheu o acto sexual de forma livre, já está a "escolher" a maternidade porque sabe que, mesmo com contraceptivos, a maternidade é um risco que daí pode advir. É como disse num comment anterior: não se pode ser livre para optar por um acto e ser livre para se descartar das consequências do primeiro acto livre. Sobretudo se estiver em causa, como eu considero, uma vida humana. De igual modo, o recurso ao aborto clandestino (e refiro-me apenas às mulheres que a isso não são obrigadas pelas circunstâncias da vida)também é um acto livre e que tem os seus riscos, claro. Deste modo eu defendo a educação sexual (para que uma mulher possa "livremente escolher ser ou não mãe") e não defendo a liberalização do aborto (porque o considero eticamente reprovável). A mulher é imputável nas suas acções. O feto não. As acções da mulher são modificáveis. As do feto não. Todavia é o feto que é destruído por iniciativa da mulher. A liberdade deve ser exercida com nível equivalente de responsabilidade, que, penso, é uma palavra que começa a perder sentido no domínio sexual pós-moderno.
Quanto ao facto de a criminalização não ser eficaz, obviamente que não é. Nada se fez em Portugal para adjuvar a lei. Todavia a liberalização também não é eficaz, como têm demonstrado as estatísticas dos abortos nos outros países (é claro que vexas apenas vêem os abortos clandestinos, mas eu vejo a morte desnecessária de seres humanos). Contudo, apregoar que "o aborto existe, sempre existiu e sempre existirá, por isso para quê chatear-nos?" é uma capitulação imperdoável... que se pode aplicar a todos os males do mundo.
É por isso que voto não. Porque acho que é possível mudar sem niilismos desnecessários. Porque considero que a defesa dos direitos do ser humano desde a concepção, não passa pela completa remoção dessa defesa do ponto de vista legal (não é lógico assumi-lo como tal). E porque considero que a liberdade se exerce até onde é possível e ético.
Cumprimentos
 
Cara fuckitall,

1. Parece-me que os factos demonstram que poucas mulheres deixam de abortar por haver criminalização, tendo em conta que tantas estão disponíveis a fazê-lo com grande risco e com grandes custos.
Se é como diz, então os factos também demonstram que, apesar de haver criminalização, poucas pessoas deixam de:
- roubar
- assassinar
- maltratar crianças
- vender droga
- conduzir sob o efeito do álcool
- cometer fraudes
- fazer contrabando
- fazer cópias piratas de filmes e software
- defraudar o fisco
- ... (é preciso continuar?)

O facto de um acto considerado crime ser cometido por muitas pessoas não quer dizer que a criminalização não dê resultado. Significa apenas e tão só que não é eficaz a 100%. Nenhuma Lei é. E, se admite que pelo menos algumas mulheres (poucas, segundo as suas palavras) deixam de abortar por o aborto ser crime, então está a dizer que a Lei até tem alguma eficácia, por muito reduzida que seja.

Quanto ao "grande risco", o número de mulheres assistidas nos hospitais por complicações resultantes de aborto clandestino é muito reduzido. Qualquer médico lhe dirá que tal não consiste em nenhum problema de saúde pública. E o "grande custo" só pode ser piada. 300 ou 400 euros por um aborto quando se sabe que muito mais do que esse dinheiro seria gasto ainda antes de a criança nascer e muitíssimo mais nos primeiros anos de vida?

A decisão de abortar pode ser difícil mas não o será certamente por dificuldade em arranjar onde fazer o aborto ou os perigos ou custo deste.

As mortes e os graves danos físicos continuam a ocorrer,
Quantas mortes em Portugal durante os últimos 10 anos?

Mais, sabe-se perfeitamente que a despenalização do aborto a pedido não vai acabar com o aborto clandestino. Sendo legal o aborto a pedido, os médicos e outro pessoal qualificado passará a realizar abortos legalmente (até porque, havendo a alternativa legal, preferirão não se arriscar a irem para a prisão). As mulheres que continuem a abortar clandestinamente irão ter precisamente com quem tem menos qualificações e, por isso, não poderá realizar abortos legalmente.

Estou de acordo com todas as necessidades que aponta: a necessidade de informação e acesso a meios contraceptivos para toda a gente, a necessidade de apoio social e a melhoria do processo de adopção. Não obsta isto a que continuem a ocorrer, ainda que menos, gravidezes não desejadas,
Continuarão sempre a ocorrer gravidezes indesejadas enquanto o planeamento familiar fôr uma questão de informação e responsabilidade pessoal. Assim como continuará sempre a haver obesidade, p.e..
Mas a despenalização do aborto a pedido fará com que seja menos visível a necessidade de informação e responsabilidade pessoal e levará a mais gravidezes indesejadas.

Quanto à maternidade consciente, o kephas já lhe respondeu melhor do que eu o conseguiria fazer. Mas reforço um aspecto: a existência do feto.
Todas as mulheres têem direito à maternidade consciente, Mas os nossos direitos são limitados pelos direitos dos outros. Ter o direito a decidir procriar ou não concretiza-se na decisão de engravidar ou não. A partir do momento em que uma mulher está grávida, o seu direito a não ter a criança entra em conflito com o direito do nascituro a viver. Despenalizar/liberalizar o aborto a pedido é recusar completamente o direito do feto.

Só mais um detalhe. O seu argumento de "direito à maternidade consciente", uma vez que admite que uma mulher possa conscientemente não evitar a gravidez mas depois acabar com ela, inclui naturalmente o direito a mudar de opinião. Nas suas palavras não vejo nada que indique até quando é que a mulher pode mudar de opinião pelo que presumo que admite o aborto a pedido pelo menos até ao termo da gravidez. É assim?

Mais, como o bébé acabado de nascer é essencialmente o mesmo que o nascituro imediatamente antes do parto, admitir o aborto a pedido até ao termo da gravidez só é coerente com a recusa do infanticidio se o critério fôr estar ou não dentro da mulher. Assim, se é favor do aborto a pedido até ao termo da gravidez, até quantos dias/semanas/meses/anos defende que a mãe possa decidir sobre essa "relação, que é forte, de grandes consequências e dura a vida toda"?

Se não é a favor do direito a abortar a termo, na sua opinião (e que não vai a referendo), até quando é que a mulher deve poder optar? E por que razão perde esse direito a partir desse momento?
 
Kephas:

Não vejo qualquer incoerência, seja mais específico por favor.


ou seja, se um indivíduo do Não quiser ser "honesto", tem de aproveitar este referendo para acabar com as excepções da actual lei.

Sublinho que você não tem de aproveitar para acabar com as excepções da actual lei. Mas tem de assumir as consequências do seu pensamento. E uma ecografia de um feto resultante de uma violação é igualzinha à que foi postada. Tire as consequências que deve, evite o politicamente correcto.


se um adepto do Não fizer frente às actuais excepções da lei, fica-se logo de pé atrás, porque há-de ser um extremista qualquer.
Pois então o que tem a fazer é não esconder o que lhe vai na alma e dizer preto no branco aquilo que pensa, sem medo de rótulos.
 
Caro maiquelnaite:
A incoerência está precisamente em que um adepto do Não é rotulado pelos do Sim, independentemente da posição que tomar sobre as actuais leis. Quanto a eu não esconder o que me vai na alma, é precisamente o que faço... e já me pronunciei sobre as actuais alíneas da lei, embora o post em que isso sucede já tenha desaparecido. Sou contra o aborto por má-formações do feto (tirando os fetos que são inviáveis a priori, como os anencefálicos). Quanto aos fetos frutos de violação não serei contra, porque considero que se inclui na alínea da "saúde psíquica da mulher" (uma violação é uma experiência traumática como entende). O problema não está numa ecografia diferente do feto e sim nas circunstâncias da gravidez. Todavia no que se refere à violação, acho que, se a mulher fôr devidamente aconselhada a separar psicologicamente o "violador" da "criança" e se a criança, eventualmente, fôr dada para adopção, isso até será o melhor...
Cumprimentos
 
Não consegui encontrar este vídeo no You Tube. Qual é mesmo a referência dele?
Obrigado!
 





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