O CERNE DA QUESTÃO

"O problema central do aborto não está, como se vê argumentar, no facto de ele ser clandestino quando devia ser às claras. Está em saber se deve, ou não, ser realizado. Está em saber se, no final de contas, o aborto mata, ou não mata alguém. A saúde pública não parece ser critério válido para discutir isto."
António Torres, no Faccioso.

Comentários:
Não mata.
 
O aborto mata sempre um inocente e deixa cicatrizes emocionais naquele que consente que o mesmo seja feito.
Digam o que disserem, o aborto não é a solução, apenas adia o problema.
 
Se esse é o cerne da questão, então este bloque deve discutir às claras, o seu posicionamento face ao aborto terapêutico e ao aborto que resulta de violoção. Em ambos os casos "...o aborto mata..."
 
Penso que a questão, não indo muito longe, é saber se os defensores do não tem alguma solução para acabar com o aborto clandestino ou não.
Se os defensores do NÃO são a favor que se cumpra a lei actual e se envie para a cadeia os milhares de mulheres que abortam clandestinamente em portugal ou se são a favor da hipocrisia reinante em que se fecha os olhos para não condenar. e se são a favor de que milhares de mulheres se desloquem ao estrangeiro para abortar porque têm dinheiro para isso. Claro está que quem não tem dinheiro... aborta num "vão de escada" com todos os riscos e consequências que pode provocar. Sabendo que o aborto existe e vai continuar a existir mesmo contra a nossa vontade, qual a solução para isto?
 
Creio que a questão que se põe é se se pode aceitar que se autorize um crime...
 
Admiro a "coragem" dos anónimos que chegam aqui, dizem "não mata", e vão à vida deles...
 
saber se os defensores do não tem alguma solução para acabar com o aborto clandestino ou não:

1º o aborto ser crime reduz o número de abortos clandestinos. Como todas as normas penais tem uma função pedagógica/valorativa: diz o quer é ou não aceite em sociedade. É importante que se diga que o aborto não é aceite na nossa sociedade: só por isto valeria a pena manter a lei penal

2º o aborto ser crime ajuda também a afastar muitos da sua prática. As normas penais também têm uma função dissuasora: se é crime e eu não quero arriscar-me a uma pena não o pratico.

3º Há outras opções ao aborto: é ter o filho. Pode ser mais difícil mas não é impossível. Alguns de nós - cada vez menos, é certo - têm-no feito. Não é o pesadelo que por vezes se imagina.

4º Nos casos em a mãe - ou a família - precisa de apoio deve tê-lo. Neste momento existe uma enorme rede de apoio a grávidas de risco que atravessa todo o país. Uma lista, que aliás não é exaustiva porque eu comnheço pessoalmente outras instituições, pode ser consultada aqui:
http://www.vidascomvida.org/index.php?option=com_wrapper&Itemid=36

5º Mesmo que ainda assim aquele casal não queira ter filhos, há sempre a possibilidade de adopção. A adopção funciona mal, é um facto, mas continua a haver muitos casais dispostos a adoptar. Se esta lei funciona mal, aliás, gostaria de ver o mesmo empenho dos partidários do SIM - que muitas vezes têm tido maiorias absolutas no nosso parlamento - em mudá-la. É que essa lei salva e constrói vidas, em vez de as matar.
 
E por acaso o meu nome acrescentaria alguma coisa ao seu conhecimento? Com argumentos do Ferreira é mesmo melhor ir à minha vida.
 
Alguém?
Não!

um "alguém" é sp uma pessoa independente. às 10 semanas a independência não existe!

CS
 
Ao anónimo que diz que "o aborto ser crime reduz o nº de abortos":

Se isso fosse verdade não estávamos aqui a discutir isso,
nem isso nem nada de menos bom pª a sociedade,
nem haveria já crimes: bastava legislar que isto ou aquilo era crime (o que me parece que já está feito) e isso reduzia-se e acabava por deixar de ocorrer.

Mas onde é que já se viu?
 
Anonymous (12:03 PM),
"reduzir" e "eliminar" são duas coisas diferentes.

Por acaso acredita que o facto de o roubo, o homicidio e a violação serem crimes não contribui para reduzir o número desses crimes? Que haver limite de velocidade não contribui para que uma parte dos condutores moderem a velocidade? Que ser proíbido copiar nos exames não diminui o número de alunos que têem notas melhores devido "ao conhecimento de outros"?

No caso em concreto, serão mais as mulheres que recorrerão ao aborto por o poderem fazer de graça e num estabelecimento de saúde público ou privado, em vez de terem que pagar para o fazerem clandestinamente. Isto é tão evidente que negá-lo nem chega a ser ingenuidade ou hipocrisia. É simplesmente ridículo.
 
Ao anónimo que acha que a penalização evita o aborto já foi dada resposta por outro anónimo, quero só esclarecer de que essa estória do apoio e das redes, só existem no plano teórico e é também por isso que é necessário mudar a lei. Na prática... o aborto é ilegal e ninguém quer assumir-lo. Por isso é que quem tem dinheiro vai a Espanha e quem não tem... faz na clínica "vão de escada". quando a IVG for legal, aí sim podemos esperar que a rede de apoio funcione.
 
Caro anónimo das 12:03:
"nem haveria já crimes: bastava legislar que isto ou aquilo era crime (o que me parece que já está feito) e isso reduzia-se e acabava por deixar de ocorrer." Todavia, não estamos a pensar adicionar uma nova lei sobre o aborto ("dissuasora", vamos lá) e sim na sua remoção. Assim, a pergunta tem que ser colocada ao contrário... se legislarmos que algum acto NÃO é crime, ele deixa de ocorrer? Ou mantém-se a lei, apesar de ela não acabar totalmente com o crime?
Cumprimentos
 
CS:

Um bébé com 6 meses de vida (pós-parto, entenda-se). É independente? Consegue autosubsistir? Não. É um ser individual e único? SIM.
Um deficiente mental grave. É independente? Consegue autosubsistir? Não.É um ser individual e único? SIM.
Stephen Hawking (génio da astrofísica, mas tetraplégico grave, nem falar consegue). É independente? Consegue autosubsistir? Não.É um ser individual e único? SIM.
Um feto com 8 meses de vida. É independente? Consegue autosubsistir? Não.

Preciso de dizer mais alguma coisa?

Anónimo das 12:03 PM
Se criminalizar um acto não tem efeito dissuasor, porque é que há crimes? Porque é que se prendem pessoas? Pense nisso.

JDC
 
Repito a minha pergunta de outra maneira:
Abortar é matar um feto, ou seja, um ser humano, tenha ele o tempo de gestação que tiver.
Pode a sociedade legislar no sentido de autorizar um crime?
 





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