Aborto: Quem lucra com o "Tratamento Voluntário da Gravidez"?

No próximo Domingo, dia 11 de Fevereiro, os portugueses que votarem na liberalização do aborto estarão, de certo animados pelas melhores intenções, a escancarar as portas do nosso país a um novo e aliciante negócio: o negócio do aborto livre e legal.

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Por exemplo, nos Estados Unidos da América, a Planned Parenthood Federation of América reportou em 2005 a prática de 255.015 abortos (165.174 em 1997), cujo rendimento se estima em 108 milhões de dólares (de acordo com dados da American Life League), cerca de um terço do rendimento declarado por aquela federação relativamente a actividades clínicas (346 milhões de dólares) em idêntico período.

Evidentemente, a lógica do mercado do aborto liberalizado, isto é o lucro oriundo da actividade abortiva propriamente dita e de todas as prestações de serviços adjacentes, depende do número de abortos realizados, e, portanto, da falência dos modelos de aconselhamento.

É preciso que se diga aos portugueses: o aborto liberalizado e a prossecução da actividade abortiva por privados conduzirão à identificação da mulher como uma cliente, padronizando-a para efeitos de diversificação dos serviços a prestar e contabilizando-a no fim do exercício num relatório anual de actividades e contas.

Aqui reside uma das grandes falácias desta campanha para o referendo, a de que se oferece aborto regulado em vez de aborto liberalizado, urgindo, portanto, repor a verdade quanto à susceptibilidade persuasora deste argumento na definição do seu sentido de voto.

Efectivamente, vem sendo propagandeado na comunicação social que, caso os portugueses respondam afirmativamente à pergunta que vai a referendo, o Estado assegurará uma rede de aconselhamento técnico de cuidados de saúde a mães que pretendam abortar até às 10 semanas, a qual teria como principal desiderato conceber legalmente o aborto como uma prática de fim de linha.

No entanto, depois da entrevista do Dr. Correia de Campos, Ministro da Saúde, ao DN , em que admitiu que «os hospitais públicos vão ter alguma relutância em realizar, nas suas instalações normais, a IVG», assumindo que em Portugal tudo se passará de acordo com o modelo espanhol «onde a maior parte das IVG (90%) são feitas no sector privado e pagas pela própria» mulher, torna-se claro que, no dia 12 de Fevereiro, em caso de vitória do sim, abrir-se-ão as portas no nosso país a um novo e poderoso subsector empresarial na área da saúde – o negócio do aborto livre, gerido por clínicas privadas com fortes ligações internacionais, que aplicam importantes fatias das suas despesas ao lobbying político pró-aborto.

Neste momento, o mercado português, por ser na União Europeia dos poucos onde o aborto não se encontra liberalizado, constitui certamente um target apetecível para as clínicas de aborto, que se perfilam na linha de partida para este triste El dorado lusitano anunciando já avultados investimentos em curso no nosso país.

Aliás, este mercado, ainda virgem, tem vindo a ser perseverantemente “trabalhado” a partir de Espanha por diversas clínicas espanholas que há largos anos, através da construção de instalações fronteiriças, fazem estimativas ao lucro a apurar em Portugal, almejando substituir as ditas abortadeiras de vão de escada.

Quem nunca ouviu falar da Clínica Los Arcos? Esta clínica, provavelmente garantida de que o sim vencerá no próximo referendo, anunciou já a abertura de modernas instalações mesmo no centro da capital, podendo agora abandonar os anúncios de jornal em que anunciava o “Tratamento Voluntário da Gravidez”, eufemismo repugnante que associa a gravidez a uma patologia e concebe o aborto como prática curativa…

Através do seu sítio na Internet é possível confirmar esta informação: «Se encuentra en pleno corazón de la ciudad de Lisboa. En sus más de 700 m2 en una sola planta (...) se practican ...» (a frase, laconicamente escrita no presente, está reticenciada o que se deverá por certo ao facto de o aborto livre ser, por enquanto, uma actividade clandestina no nosso país).

Esta aparente confiança na vitória do sim no referendo do próximo dia 11 denuncia que a fase de planificação se conclui com a campanha eleitoral, passando-se agora à fase de implementação de um business plan de milhões.

É pois com este tipo de parceiros que o Estado terá de lidar de forma a preencher um vazio de meios humanos e infraestruturais que a política do Bloco de Esquerda, se levada avante no próximo referendo, permitirá criar. Necessariamente, será também com esta “credibilizada” parceria de objectivos meramente lucrativos que os partidos do sim procurarão mascarar o aborto livre como solução de fim de linha, prestando-se o Estado para engrossar os seus cofres com suculentas receitas fiscais dos seus parceiros possíveis para as políticas de “tratamento voluntário da gravidez”.

Mas nem só de vantagens económicas se trata neste referendo. Repartindo os proveitos políticos de uma eventual vitória do sim no referendo, o Partido Socialista poderá agitar, em tempo de crise e contenção orçamental, a bandeira branca de uma promessa eleitoral cumprida e o Bloco de Esquerda poderá finalmente assumir-se como a única força política à esquerda do PS com capacidade para consequentemente marcar a agenda política em Portugal, quiçá a pensar em futuras parcerias…

Comentários:
Sim, mas o referendo é para a despenalização, não para a liberalização. Sorry!
 
Selection
Votes
Sim 50% 392
Não 48% 377
Não Sei 2% 12

781 votes total

ATÉ O "SIM" ESTÁ A GANHAR NO BLOG DO NÃO!

TÃO FEITOS !
 
anonimo das 3:49 é mesmo cretino... e mentiroso..por isso vota "sim"...aliás a sua mãe tb deve ser a favor do "sim" , pena é que nao tenha sido antes de vc nascer.
veja os dados seu mentiroso:
Selection
Votes
Sim 38% 304
Não 60% 486
Não sei 2% 15

805 votes total
 
Está muito enganado: o "aliciante negócio" é o do aborto clandestino. já há muitos anos, não sei se já ouviu falar...
E se o Sim ganhar, esse irá acabar brevemente.
 
E quem lucra agora? E quem lucra agora paga impostos? E quem lucra agora dá retorno a sociedade, (e.g apoio psicologica a quem aborta, planeamento familiar) ?
 
Anónimo das 3:46,
Acha mesmo que é só despenalização? Então deixe-se estar em casa no Domingo, para que quando perceber que se trata de despenalização não ficar de consciência pesada de ter contribuído...
 
Eu, ficar em casa? Nunca! Nem que chovam picaretas, vou votar no SIM!

An. das 3:46
 
@Abcd, A pergunta é clara
Concorda com a despenalização.......

Se quer ler dois paragrafos numa linha, enfim.
Para todo o resto ca estamos nos para o futuro e como dizem certas pessoas o futuro a deus pertence.

Se PS, BE e PCP quizessem fazer a liberalização facilmente o faziam porque actualmente tem maioria larga no parlamento portugues.
 
EU VOTO NÃO, PORQUE TENHO MEDO QUE DEUS ME CASTIGUE POR COLABORAR COM A CHACINA DE CRIANÇINHAS !

É PECADO!

ELAS QUE SOFRAM NO MUNDO COMO TODOS NÓS ! POR DEUS NOSSO SENHOR !

ALELUIA MEUS IRMÃOS !

VOTEM NÃO!
 
EU VOTO SIM. Ia votar NÃO, mas depois desta campanha toda resolvi mudar o voto. Porquê? Porque é impossivel parar um idiota: nem Lei nem perigo de vida os faz ter juizo. Voto SIM porque acho que o mal se consume sempre a si próprio. Voto SIM para votar NÃO. Confusos? Eu explico melhor:

A PERGUNTA: É a mentira #1. Morde aqui a ver se eu deixo.

O REFERENDO: Idem. Pura demagogia. Manobra de diversão destinada a engrandecer a imagem e o poder de certas pessoas. Há dúvidas!?

EU: Pago impostos muito acima da média. É bom sinal: ganho bem, cumpro a lei, sou intocável. É mau sinal: em troca o Estado dá-me muito menos do que aquilo por o que pago, pois esbanja em trafulhices, má gestão e bandalheiras como este aborto. Ainda por cima, visto os serviços públicos serem o que são, vejo-me na posição de pagar a dobrar procurando serviços privados, nomeadamente hospitais, escolas, planos de reforma, etc. Está errado, tenho direito a um sector público de qualidade!

AS MULHERES: Adoro-as, são lindas. Como empresário dá-me jeito que as empregadas encarem de “livre iniciativa” o aborto com a leveza de qualquer outra opção de carreira: sem gravidez, faltas, filhos, etc, pensando que isso as coloca em igualdade com os homens. No meu grupo de contactos empresários é a galhofa total. Como a minha mulher está salvaguardada comigo, boa sorte para as outras.

A PIRAMIDE ETÁRIA: O envelhecimento da população é uma treta. Eu já tenho filhos e vou ter mais, não me interessam os dos outros. Apesar de ainda não ter 40 anos, nem a reforma não me preocupa pois já tenho um conforto financeiro apreciável. A mão de obra também não me tira o sono, devo dizer-vos os meus melhores empregados são de fora. Viva o alargamento da UE! Comparados com eles, a maioria dos jovens licenciados portugueses que tenho entrevistado são mal formados técnicamente e pessoalmente pouco mais são que miúdos arrogantes habituados a viver às custas dos pais, sem qualquer motivação para o trabalho, que antes de demonstrarem o seu valor fazem exigências salariais muito acima do que merecem. É vê-los aos montes aqui no BdN a despejar os seus “argumentos” pelo SIM e a dar-me razão sobre o seu QI. Boa sorte para eles/as, e felizmente que os subsidios de desemprego são para ir acabando.

UM PLANO DE NEGÓCIOS: Sai muito mais barato abortar as despesas públicas o mais cedo possível. É mais barato um aborto logo às 10 semanas do que o simples acompanhamento da gravidez e parto pago pelo SNS. Já nem falo do resto do investimento necessário em saúde, educação, justiça, etc, dum novo cidadão. Se os adeptos do SIM não estão na disposição de investir nos seus próprios filhos, porque razão tem o Estado de o fazer?! É impossível evitar o aborto como o SIM demonstra, portanto tudo na mesma no capítulo de salvar vidas. Paz às suas alminhas, mas alguém tem que ser sacrificado e é sempre o mais fraco.

OS POBRES: Falso problema. O que o SIM tem é gente egoista a servir-se dos problemas reais de pessoas desgraçadas apenas para alcançarem os seus objectivos pessoais. Aquelas poucas alminhas a quem até poderiamos compreender a opção desesperada do aborto, mas cuja voz é completamente abafada pela propaganda que diz falar em seu nome, é quem se lixa sempre: paga o justo pelos pecadores. Se os pobres morderem o isco, dá-me jeito porque a prazo são menos abonos, rendimentos mínimos, gente a pesar no sistema, etc, que se pagam com o dinheiro roubado pela DGCI a mim.

A ÉTICA/MORAL: Se por um lado inicialmente achei que a opinião inacreditável dessa gente do SIM não devia prevalecer a bem da Civilização, agora penso que gente que fala do milagre que é um feto como "quisto agarrado às entranhas que podemos aniquilar com a nossa moral variável invocado os direitos das crianças" realmente NÃO DEVIA SER MÃE/PAI, NEM AGORA NEM NUNCA. Votando SIM faço-me um favor a mim e às desgraçadas das hipotéticas crianças que seriam criadas e educadas por essa gente perigosa, a viver ao lado dos meus filhos. Arrepia-me pensar no contágio da corrupção da moralidade vinda daí. As pessoas realmente pobres têm mais força moral que esta dita classe média de tótós.

O FUTURO: Se isto descambar há varios paises agradáveis, felizes por me darem vistos e até duplas nacionalidades à minha família quando lhes mostrar o que posso investir. Todavia, paises miseráveis como o nosso são bons para fazer dinheiro, se souberem como. Tudo se compra: burocracia, partidos, fazedores de opinião, informação, verdes, nazis... tudo tem preço, até vidas humanas de 10 semanas.

O DEBATE: Se simpatizo com o NÃO é porque admiro as pessoas que ainda não estão em saldos. Os outros não querem ver que estão a ser manipulados, e é esse orgulho cego aliado à ganância e egoismo que torna tudo mais fácil. Ninguém vê que atrás desta guerra inconsequente de peões há grandes tubarões a afiar os dentes?! Quando alguém “perde”, alguém ganha, e tem SEMPRE a ver com euros: no fim TUDO É DINHEIRO.

DEUS: Não seria a 1ª vez que escreve direito por linhas tortas. O mesmo Deus que deu a missão a Lucifer de certeza que não estará a dormir se “abençoar” o SIM com a “vitória”.

MORAL DA HITÓRIA: Tem cuidado com o que pedes, podes obtê-lo.
 
Selfmademan, fala muito mas não me convence...
 
Estou grávida!
Sim, estou grávida!
Grávida!
Grávida!
Grávida?!
Grávida!
Repeti para mim mil vezes a palavra grávida. Grá-vi-da. Soletrei-a.
Não conseguia pensar.
Não conseguia reagir.
No fundo já desconfiava, como quase sempre acontece. O atraso, percebo agora até algumas subtis mudanças no meu corpo e no meu humor.
Ainda não disse nada ao Jorge. Ele vai adorar saber. Vivemos juntos há dois anos. Alugámos um pequeno apartamento e temos vindo a mobilá-lo consoante pudemos. O sofá onde agora estou sentada a olhar para o papel que atesta a minha condição de futura mãe, veio de casa da avó.
Mãe. De repente a palavra teve um outro sabor. Mãe! Como se soletra a palavra Mãe?
Será menino? Será menina? Ainda é muito cedo para saber... até podem ser mais do que um!
Os pensamentos atropelam-se na minha cabeça, só o papel parece preso às minhas mãos e os meus olhos presos a ele.
O Jorge ia gostar de saber! Estive hoje no Centro de Saúde. A médica que me atendeu foi muito simpática, mas parecia que já estava um pouco cansada de ouvir sempre a mesma história. Disse-lhe a verdade: que tinha agora arranjado finalmente emprego, que o Jorge não ganhava muito, que a vida não estava para aventuras; se agora resolvesse ter o filho, bem podia esquecer o trabalho. Ela informou-me apenas o que tinha que fazer, onde ir e o que dizer.
Parece que só tenho que pagar 5 euros, o que me deixa mais tranquila. Ainda bem. Puxa, estava aflita! É que no meu emprego há uma senhora mais velha que não consegue engravidar. No outro dia disse que andava a fazer uns tratamentos que não eram comparticipados e que, para os pagar, teve que fazer uma hipoteca ao banco...
 
Fantástico selfmademan.
 
"No outro dia disse que andava a fazer uns tratamentos que não eram comparticipados e que, para os pagar, teve que fazer uma hipoteca ao banco... "

Estes tratamentos não deixam a mulher a esvair-se em sangue, caso sejam mal feitos.

As mulheres não apanham septicemias mortais.

E podem ser feitos em qq prazo de tempo, não em X semanas.

E tb têm uma alternativa, quiçá mais barata: adoptar uma criança órfã ou abandonada.
 
selfmademan,
o que interessa é que votes SIM. No final é mais um voto que conta. Qto aos argumentos acho mto bem que os publiques em caixa de blogs, em livro, em palestra, no que queiras. Afinal, valem tanto como os meus ou os de qq outro. Não me parece que alguém mude de opinião devido à sapiência da tua retórica. Por mim, boa, SIM é SIM e o teu é mais um SIM.
 
Já tinha percebido que aquilo que interessa a muita rapaziada é o número. Principalmente convertido em euros. Falta saber quais as fortunas que se irão estabelecer depois, ou se confirmarão,se houver depois???
 
Já tinha percebido que aquilo que interessa a muita rapaziada é o número. Principalmente convertido em euros. Falta saber quais as fortunas que se irão estabelecer depois, ou se confirmarão,se houver depois???
 
Ó caríssimo MCP
Está danado exactamente com o quê?
Você tem alguma das "clínicas" de aborto clandestino que vão ficar em algumas dificuldades quando o SIM ganhar?
Pois tome lá uma solução das que vocês "oferecem" às grávidas que não têm condições ou não querem (com todo o direito, na minha opinião) ser mães:
TIVESSE PENSADO NISSO ANTES!
 
Caro/a Anónimo/a das 7:24:

Não estou danado com nada! Acho que não leu e se leu não percebeu o meu post.

De qualquer maneira, deixe congratulá-lo/a por ter percebido a mensagem do Não quanto à concepção da dignidade da pessoa humana indissociada do binómio liberdade e responsabilidade!

Um abraço
 
Mas, afinal, estes gajos têm alguma noção de dignidade?
Estão danados porque a mãezinha não os abortou? Suicidem-se!
 





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