Diz que foi uma espécie de debate..

Ontem fui assistir ao debate (ou seria antes uma tentativa de manipulação? Ou uma espécie de tertúlia?) sobre o Referendo que se realizou no bar Sócrates (apenas uma curiosidade) no Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

Começo por citar o próprio cartaz de divulgação “Convidamos todos a participar nesta reflexão com a Arquitecta Helena Roseta, do Movimento de Intervenção e Cidadania, a Drª Zita Seabra, da Plataforma Não Obrigada e Deputada do PSD, o Dr. Pedro Afonso, Psiquiatra e a Drª Joana Amaral Dias (“JAD”), Psicóloga” (o texto entre parêntesis é meu e é um mero expediente para não fazer publicidade…).

Sim, viu bem…JAD, Psicóloga, sem mais, porque, como é o do conhecimento público, a JAD tem participado na vida pública portuguesa nos últimos anos como psicóloga, sendo a sua ligação ao Bloco de Esquerda e ao Sim no Referendo meramente laboral…

JAD ontem estava no auge e procurou fazer daquele debate um espectáculo deprimente, com o precioso auxílio de uma moderação “inteligente” que distribuía assimetricamente tempo de antena (5 minutos para a Zita, 10 minutos para a Helena, 2 minutos para o Pedro, e 20m para a JAD a própria assumiu que estava a jogar em casa e a arbitragem foi no mínimo caseira) …

JAD chegou sorridente avisando que era psicóloga sim senhor mas o que ela era mesmo era do Bloco (ninguém sabia disso JAD…).

Tomando a palavra, JAD ignorou a pergunta colocada pela moderadora (esta senhora esforçou-se muito para não acabar a parte do debate aberta ao público com uma intervenção do NÃO e conseguiu mesmo enervar-se com um participante que reconheceu votar NÃO- acho que não era suposto…), e precipitou-se numa encenação dramática de fazer inveja a muitos artistas de variedades…

Colérica, exaltada, de olhos esbugalhados, JAD guinchou sem piedade ao microfone prometendo sempre centrar o debate na “questão fundamental”… sem nunca lá chegar…JAD falou de julgamentos, JAD falou da Igreja, JAD falou de homens e mulheres que não são perfeitos, JAD disse vezes sem conta “quem anda à chuva molha-se” (sem perceber a reversibilidade do argumento), mas não se referiu uma única vez ao feto, ao bebé…

Aliás, devo dizer que só por uma vez da boca de JAD se ouviu a palavra VIDA para, arrogantemente, no bom estilo esquerda caviar, apelar à humildade de todos na questão da determinação do seu início…

Mas JAD tinha mais surpresas guardadas… JAD nunca interagiu com Helena Roseta (que é uma senhora que muito respeito e ao lado de quem já estive em algumas batalhas) para não partilhar as luzes da ribalta, JAD presenteou os restantes membros do painel com sorrisos trocistas e interrupções q.b., e JAD ofereceu à assistência olhares de enfado e mais sorrisinhos trocistas durante as intervenções de Pedro Afonso e Zita Seabra…

No fim JAD lá se acalmou, quando Zita Seabra (que esteve sempre muito bem defendendo com seriedade os argumentos do NÃO, firme, sem se exaltar e claro com enorme paciência para o estilo exibicionista de JAD) lhe disse: “Joana (excepção feita à regra enunciada nas primeira linhas para não desvirtuar o tom calmo e maduro de Zita Seabra por oposição à performance de JAD) eu também sei fazer demagogia quer ver? Se o sim ganhar o referendo, passaremos viver num país em que o aborto é livre até às 10 semanas e onde é proibido partir ovos de cegonha…”.
JAD (que diga-se de passagem tinha no auditório muitos seguidores mas ao que parece, e segundo a própria, nenhum aluno – se calhar já sabem o que a casa gasta), embatucou…engoliu em seco e daí para a frente já não foi tanto JAD… mas já era tarde…o debate estava no fim…

PS: Coloquei 3 perguntas a JAD, não respondeu a nenhuma… perguntei como é que a lei pode ser ineficaz se como JAD disse “há mulheres presas e perseguidas” e a JAD ficou muda…, perguntei como se resolvia o problema do aborto clandestino após as 11 semanas perante um referendo que apenas autoriza o aborto livre até às 10 semanas (se calhar andam mesmo a preparar alguma) e a JAD permaneceu calada…e finalmente, inspirando-me num debate televisivo, perguntei a JAD porque acha que o aborto é um mal (JAD não gosta de pronunciar a palavra VIDA, pelo menos é o que parece)… uma vez mais a JAD não disse rigorosamente nada...

Se calhar isso tem a ver com o facto de a JAD subscrever que “a IVG pode ser o último recurso para assegurar a saúde da mulher e garantir-lhe o acesso ao planeamento familiar” (“in” Folheto do Movimento de Intervenção e Cidadania citado por www.assimnao.org)... mas isso para JAD está longe de ser a questão fundamental…

Comentários:
Há alguma razão para fazer link ao BE quando escreve sobre o BE e não fazer link ao Sim no Referendo quando fala dele, mais a mais quando se trata de um blogue?
 
Caro Daniel,

Muito obrigado pela sua atenção! Referia-me à posição no referndo em geral e não me apercebi que se podia prestar a um segudno sentido. No entanto e uma vez que o texto assim mantém o sentido decidi aceitar a sua sugestão de forma a poder linkar para o seu blogue. Isto é que é democracia! Cumprimentos
 
Gosto "muito" da "JAD", acho que é "muito coerente" com "tudo" o que "diz" e, provavelmente, com muito do que não diz.
Espero, ansiosamente, pela próxima "questão fracturante" que os "paladinos da moral da consciência dominante" nos vão propor nos próximos tempos, até com uma certa "esperança" que a futura discussão nos permita ver "JAD" a demonstrar os seus "dotes" na dança do varão.
 
Caro MCP,
Tb estive presente no debate, como saberás...
só queria acrecentar umas coisas:
- O espetacular nível de nervosismo que os apoiantes do Sim apresentavam (a começar como é lógico numa JAD que estava nitidamente alterada tamanho era o ódio nos olhos dela);
- A "moderação" do debate, ao melhor estilo estalinista;
- A pergunta que eu fiz e que tb ficou sem resposta: "se concordavam que uma mulher que aborta três e quatro vezes não deve ser punida?". Apesar disso, após o debate, a Arqt H.Roseta (que deu uma lição de categoria à miúda JAD) respondeu-me pessoalmente tendo dito que essas situações eram muito excepcionais [mas lá está, podem acontecer] e que nesses casos não se podia fazer nada, "...tal como não se pode impedir uma pessoa de se atirar para à frente de um comboio..".
- Já a JAD "convenientemente", nada disse acerca deste assunto, tal como não respondeu a nenhuma das questões que lhe foram colocadas...
 
Caro anónimo e demais comentadores,

Gostaria de pedir alguma moderação nos comentários. Este espaço é livre e é vosso, por isso exige responsabilidade (onde é que já ouvi isto?)...

Um abraço todos
 
mcp e tpestana,
como bons conservadores estigmatizados e beatos, escolheram uma cruzada, neste caso orientada à pessoa da joana dias.
nao fosse a cegueira da vossa ignorância e talvez gostassem de saber que ela foi mãe muito nova (que estranho, não abortou! será que foi obrigada a ter o filho?), numa altura da vida em q vocês só podiam ansiar em fazer parte do grupos de jovens da paróquia.
isto de mulheres bonitas, inteligentes e independentes faz muita confusão à moral cristã... então se ainda por cima forem mães, o vosso neurónio beato dá o tilt.
 
Caro Rui Pedro,

O estilo cavaleiro andante fica-lhe bem, mas os disparates ficam-lhe mal...

As posições de defesa dos direitos humanos não são conservadoras, mas antes progressistas… dizer NÃO ao aborto livre não é próprio nem privativo de quem é beato (é espantoso como ainda não perceberam isto…) católico ou simplesmente religioso, até porque como deveria saber temos do nosso lado gente de todos os credos, gente sem credo e até mesmo gente com o credo na boca em função dos disparates e da demagogia do sim. Quanto às paróquias que frequenta dou-lhe um conselho: se não gosta mude, não é um ser livre?

Cumprimentos
 
ó meu amigo, eu não frequento paróquias, nem sei onde foi buscar essa ideia.
e eu sei bem quem esteve por detrás da declaração universal dos direitos humanos, bem como da revolução francesa, da declaração de independecia dos estados unidos e da implantação da república portuguesa. e sei que nao foi a igreja.

quanto a ti, crente ou nao crente, beato ou não beato, avanças ao lado da generalidade de quem é e eu respeito isso, obviamente. agora, não tentes é fazer passar a ideia que o postulado moralista que vos está subjacente, é independente da moral cristã, nem que o meio difusor está independente do lobby da igreja e que cavalgas a onda da exploração da superstição e ignorância, tal como a igreja.
eu não me revejo nisso, nem nas posições extremadas, fascistóides e xenófoas dos vossos amigos do pela vida, por exemplo. e eventuais concordâncias só me trariam estranheza...
mas claro que percebo que te possas sentir bem e que te possas identificar com tais compagnons de route.
chama-se democracia, liberdade e tolerância e nem todos os teus amigos acreditam nisso. tu acreditas?
 
Caro Rui,

Mas porque raio é que achas que nós não sabemos que a JAD tem um filho?? claro que sabemos, ela fez questão de o mencionar assim que começou a falar, talvez para mostrar a sua razão de ciência sobre a "questão"...

Não abortou? ainda bem...

Isso dá-lhe direito de ser arrogante quando fala? de ser mesquinha quando os apoiantes do NÃO falam? de não responder às perguntas que lhe fazem? julgo que não...

Agora, ao contrário do que dizes, isto não se trata de nenhuma cruzada, trata-se de relatar o que se passou no debate... não viste ninguém a dizer mal da Helena Roseta apesar de pessolamente eu não concordar com o que ela disse...

Agora relativamente à JAD, como a própria disse, quem anda à chuva molha-se... quem tem a atitude que ela teve durante o debate não pode estar à espera de palmadinhas nas costas de congratulação...

Já agora, conheces-me de algum lado? porque é que me pões uma etiqueta de "bom conservador estigmatizado e beato"? Será que do lado do SIM pode haver todo o tipo de gente e do lado do NÃO é só a igreja católica? e nós é que somos os preconceituosos... enfim!
 
Agora já sabemos quem foi o anónimo que inventou o problema e conduziu a discussão para uma (eventual) cruzada contra a pessoa da joana dias.
Sobre as paróquias, e respectivos grupos de jovens, parece mesmo que o amigo rui pedro tomé sabe bastante (pelo menos mais do que eu).
Sobre a moral cristã e as mulheres bonitas, inteligentes e independentes, talvez não seja o melhor dos argumentos, atendendo à consagração de maria madalena como santa. Mas já se aplica à pessoa da joana dias, que de independente não tem mesmo nada.
 
Só mais uma coisa, o diz-me com quem andas dir-te-ei quem és nem sempre se aplica... você por exemplo anda com Vasco Rato e josé Miguel Júdice e ninguém lhe disse nada sobre isso.

Sabe porquê? Porque não quero saber se você é de esquerda ou de direita, se é gordo ou magro, alto ou baixo, branco ou preto... Porque tal como já disse à senhora deputada Helena Pinto o sim devia preocupar-se menos com as companhias do NÃO e preocupar-se mais em discutir seriamente, que foi o que a JAD não fez (ao contrário da Helena Roseta, por exemplo, como já foi aqui sobejamente sublinhado).
 
eu não tenho problema nenhum em acompanhar o vasco rato ou o josé miguel júdice! muito pelo contrário! mesmo.


se aos blogs alinhados do pnr e quejandos e ultras santos e das neves o que me retribuis são estas inteligentes e independentes companhias, sinto-me bastante privilegiado. e até mais convencido da minha razão.

joão afonso, não assinei nenhum comentario como anonymous e se queres discutir a relevância e igualdade de oportunidades da mulher dentro da igreja católica, é outro assunto, mas que não me importo mesmo nada de discutir. será q queres mesmo?

e claro, as vossas companhias, só a vós vos deve preocupar, é verdade. pelos vistos preocupa pouco, é uma opção...
 
Caro Rui Pedro Tomé,
Se não frequenta paróquias nem parece querer fazê-lo e se aparentemente não tem a Igreja em grande conta, porque se dá ao trabalho de se oferecer para uma discussão sobre a "relevância e igualdade de oportunidades das mulheres" na Igreja? Não tem mais nada que fazer? Ou acha que é tão inteligente que até percebe mais de Igreja do que os pobres ignorantes que nela andam enredados?

Mas só uma informação: a categoria máxima a que qualquer cristão deve ambicionar chegar é a de santo. E não consta que haja falta de oportunidades para as mulheres nesse campo.
 
qto ao mim:
prefiro manter uma certa distância de pnr e quejandos (se votam não, é lá com eles, e certamente que não é pela mesma razão do meu não - aliás, provavelmente até preferiam que o Estado impusesse um certo aborto selectivo);
qto às neves e ultra santos, normalmente até dão uma certa alegria ao trabalho, com as comparações e argumentos utilizados;
qto às oportunidades das mulheres dentro da igreja católica o meu desconhecimento é (mesmo) muito grande - mas sei que são dotadas do mesmo livre arbítrio que todos nós, e que muitas delas têm sido escolhidas para os altares e que nesses lugares estão ao lado dos homens

(qto à provocação sobre o anónimo, desculpe lá, mas aquele comentário parece mesmo ter sido de encomenda)
 
Não li os restantes comentários, mas a avaliar pela "catástrofe" do SIM nesse debate, no mínimo, só posso duvidar da imparcialidade do redactor. Enfim, cada um escreve o texto conforme quer. Aliás, houve quem dissesse que no Prós e Contras sobre este tema o NÃO tinha sido claramente superior...
 
Não li os restantes comentários, mas a avaliar pela "catástrofe" do SIM nesse debate, no mínimo, só posso duvidar da imparcialidade do redactor. Enfim, cada um escreve o texto conforme quer. Aliás, houve quem dissesse que no Prós e Contras sobre este tema o NÃO tinha sido claramente superior...
 





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