Estatísticas do sim nos EUA - I

Em New York em 2003 por cada 1000 nascimentos foram feitos 709 abortos.

(dados oficiais comunicados pelos Centers for for Disease Control and Prevention, organismo do Department of Health and Human Services)

Comentários:
Que grande "peta". Apresentem um link directo para o report. Coloco aqui o link que encontrei para o report de 2000 onde poden verificar que o rate é mais 16 abortos por cada 1000 nascimentos. Por este tipo de posts infundados é que acho que falam muito mas não sabem nada.

http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/ss5212a1.htm
 
Caro Rui,

vou dar-lhe uma ajuda. Que tal, a partir do momento em que acede ao site, fazer uma pesquisa. Basta colocar abortion no campo de procura. Verá como encontra o relatório e como o mesmo confirma os dados que para aqui se transcreveram.
 
Na realidade errei no parametro que indiquei em cima o rate de 16 é para o numero de mulheres em 1000 que abortaram.
 
Eu difundo e acompanho

Resposta ao apelo do Padre Mário de Macieira da Lixa


2007 FEVEREIRO 02

No último dia de Janeiro, estive em Braga, a participar numa conferência-debate sobre o próximo referendo, promovida pelo Movimento MÉDICOS PELO SIM. Pelo caminho, enquanto conduzia a carrinha, fui sempre à escuta do Espírito. À entrada na cidade, estacionei e permaneci dentro da carrinha a tentar pôr por escrito o que deveria dizer, quando me fosse dada a palavra. Como estava em Braga, pensei sobretudo nas minhas irmãs, nos meus irmãos católicos do NÃO. Senti que as minhas palavras deveriam dirigir-se especialmente a elas, a eles. E escrevi um texto em forma de carta-aberta. É esse texto, retocado e melhorado à medida que o digitalizava, que aqui partilho com alegria. E como eu gostaria que ele fosse lido por todas as mulheres, todos os homens em idade de votar no referendo do dia 11. Leiam e, se assim o entenderem, difundam-no.

Ao iniciar esta minha breve intervenção, aqui em Braga, nesta sessão promovida pelo Movimento MÉDICOS PELO SIM, saúdo cordialmente as minhas irmãs católicas, os meus irmãos católicos do NÃO. Ao mesmo tempo, envio-lhes um alerta que pode ser também um fraterno reparo em três/quatro pontos. Eis:

1. Se vão votar NÃO, porque pensam que a pergunta que vai a referendo dia 11 de Fevereiro 2007 é se somos a favor do aborto ou contra o aborto, então deverão reconhecer que estão enganados, porque a pergunta que vamos referendar, sim ou não, não é essa. Se fosse, também eu votaria NÃO. A pergunta é se concordamos com a despenalização das mulheres que porventura abortem nas primeiras dez semanas de gravidez. Por isso, eu voto SIM. Porque uma lei assim, que despenaliza as mulheres que abortem nas primeiras dez semanas de gravidez acaba de vez com a lei que está actualmente em vigor e que condena as mulheres que abortarem, mesmo naquelas condições, até três anos de prisão, depois de as ter humilhado publicamente num julgamento quase sempre mediatizado nos tribunais.

2. Mas vós, minhas irmãs, meus irmãos do NÃO, devereis ter em consideração um outro pormenor importante e, então, talvez passareis do NÃO ao SIM. É que com o vosso NÃO estais a dizer à Sociedade civil e ao Estado português que quereis que as mulheres que decidiram abortar nas primeiras dez semanas de gravidez continuem a poder fazê-lo apenas na clandestinidade; e, se são pobres e vivem em condições de degradação e no seio de famílias completamente desestruturadas, que continuem a fazê-lo apenas nas abortadeiras/habilidosas, com todos os riscos para a sua saúde e sempre com o medo de virem a ser denunciadas, presas e condenadas em tribunal. É isto que queremos para as mulheres pobres que decidirem abortar nas primeiras dez semanas de gravidez? Que elas o façam apenas nestas condições de desumanidade? Eu, por mim, não quero que semelhante situação de desumanidade se arraste por mais tempo e por isso voto SIM à lei que vai a referendo. Porque com a aprovação da nova lei, também as mulheres pobres que decidam abortar passam a poder fazê-lo (nunca serão obrigadas a fazê-lo e oxalá elas não queiram nunca fazê-lo!) nos estabelecimentos públicos de saúde ou noutros devidamente autorizados, o que é muito menos traumatizante para elas e muito menos perigoso para a sua saúde (ora, como sabem, as mulheres pobres também são pessoas, não apenas as mulheres ricas e com estudos para facilmente se desenrascarem em situações como esta de que estamos aqui a tratar, a duma gravidez indesejada e não assumida). Não quereis acompanhar-me neste voto SIM? Não vedes que o vosso voto NÃO acaba por ser cruel, já que condena as mulheres pobres que abortem (as ricas safam-se sempre, porque têm outros meios para isso) a fazê-lo apenas na mais abjecta clandestinidade e às mãos de abortadeiras/habilidosas?

3. Mas há outro pormenor que deveis ter em conta e que não posso calar por mais tempo. Com o vosso NÃO à lei de despenalização do aborto estais a impedir que as mulheres grávidas passem a estar no centro da decisão de levar por diante a gravidez, ou de a interromper, caso seja esta última hipótese a sua escolha, sempre dolorosa, indubitavelmente, e por demais difícil, mas a sua escolha. E porquê? Porque a lei que vai a referendo diz que só poderá haver aborto nas primeiras dez semanas de gravidez, nos hospitais ou outros estabelecimentos de saúde devidamente autorizados, por opção da mulher grávida. E este é, para mim, o aspecto mais importante da pergunta e da lei a referendar. Porque coloca as mulheres no centro da decisão. É por opção delas, não é por opção nem dos pais, nem do marido, nem do namorado, nem das amigas, nem da pressão social, nem do Estado, nem do pároco, nem do confessor ou director espiritual, nem do bispo, nem do papa. Apenas por opção das mulheres na condição de grávidas. É por isso que eu voto SIM. E gostava que todas as minhas irmãs católicas, todos os meus irmãos católicos me acompanhassem neste SIM.

4. E aqui tenho que fazer uma pausa e perguntar-vos: Sabeis porque a hierarquia da nossa Igreja católica – os bispos e os párocos – se mostra tão furiosamente contra a lei de despenalização do aborto? (eles preferem dizer que são furiosamente contra o aborto e evitam falar em despenalização do aborto, mas é a despenalização do aborto que vai a referendo, não a liberalização do aborto e muito menos a sua imposição; porque se fosse, também eu, como já disse, votaria NÃO, obviamente). Vou revelar-vos o segredo, nem que, por causa disso, os nossos bispos se zanguem comigo. A verdade é para se dizer e praticar, porque só a verdade, como diz Jesus, o do Evangelho de João, nos faz livres. Os nossos bispos, devido, sobretudo, à (de)formação clerical que receberam e da qual não querem abdicar, para não perderem o lugar nem os privilégios, não admitem, não podem admitir que alguma vez as mulheres estejam no centro de decisões tão importantes como esta que vai a referendo dia 11. Apenas eles, nunca elas! Como sabeis, sempre foi assim nos tempos da velha Cristandade Ocidental e na Idade Média. Mas não pode continuar a ser assim. Vede, por exemplo, o que eles – bispo de Lisboa, párocos de VN Ourém, confessores/directores espirituais – no início do século XX, fizeram com a pequenita Lúcia, de Fátima; como a meteram no Asilo de Vilar, no Porto, a levaram sequestrada para um convento na Galiza e, depois, não satisfeitos, ainda a meteram num convento de clausura, até ao fim dos seus dias, sem que a pobre alguma vez pudesse decidir sobre a sua vida e o seu futuro… É isto humano? É isto evangélico? É isto cristão jesuânico? Os bispos e os párocos acham que são os únicos que sabem o que as mulheres devem fazer ou deixar de fazer, em matérias tão delicadas como as da bioética. Como diz a nova novela das noites da RTP1, “Paixões Proibidas”, as mulheres não têm que pensar, saber, entender coisa nenhuma. Apenas têm que obedecer ao pai e, na sua ausência, ao irmão mais velho e, depois de casar, ao marido; finalmente, ao pároco, ao bispo, ao papa. Ora, é aqui que reside todo o valor evangélico e cristão jesuânico da pergunta e da Lei a referendar dia 11. “Por opção da mulher”. Os bispos e os párocos que estão em campanha pelo NÃO querem convencer-nos que isto é arbitrariedade, mas não é. Isto é Maioridade, é Liberdade, é Reponsabilidade. E só por esta via chegaremos a ter mulheres verdadeiramente adultas, livres, responsáveis. E só com mulheres assim, bem no centro das decisões que a elas dizem respeito, é que se dá glória a Deus e poderemos construir uma sociedade humana e sororal.

5. Finalmente, deixo-vos, irmãs católicas, irmãos católicos, mais uma revelação decisiva para mudardes o vosso voto do NÃO para o SIM. Já reparastes (infelizmente, não temos procurado ser católicos bem informados e andamos quase sempre muito distraídos do essencial) que o Código de Direito Canónico (CDC), da Igreja, ainda é mais penalizador contra as mulheres católicas que abortarem do que a actual lei do Código Penal português? Vede só esta barbaridade canónica: as mulheres católicas que abortarem ficam automaticamente excomungadas, portanto, fora da comunhão da Igreja! Nem é preciso o Tribunal eclesiástico proferir a sentença. É automático! Porém, se as mulheres católicas grávidas, para não serem excomungadas, decidirem levar a gravidez ao fim e, logo após o parto, matarem o bebé, já não sofrem qualquer sanção canónica. Cometem, obviamente, um pecado mortal de infanticídio, mas não sofrem nenhuma sanção canónica. Estremeceram com o impacto desta revelação? Mas a realidade é esta. E porquê esta sanção canónica contra as mulheres que abortam e não contra as mulheres que matem o próprio bebé acabado de nascer? Porque decidir levar a gravidez ao final ou abortar é uma opção que só as mulheres grávidas podem protagonizar. Mais ninguém. E para que nunca as mulheres sejam sujeito de opções de tanta monta, é que a hierarquia católica recorre à excomunhão, o que, reconheça-se, em tempos de Cristandade como eram os da altura em que o CDC foi publicado, era praticamente o mesmo que matar as mulheres por apedrejamento. Mas digam-me uma coisa, irmãs, irmãos: Sem mulheres desta estatura moral, capazes de optar em matérias de tanta monta, ainda se pode falar em mulheres? Ou apenas em coisas, ou em simples barrigas de aluguer?

6. Pensem nisto e votem SIM, como eu, para que a nova lei que vai a referendo seja aprovada. Com este voto SIM estaremos, como católicas, como católicos, a dizer também à hierarquia da nossa Igreja católica que altere o CDC e deixe de excomungar as mulheres que abortem, tal como o Estado português irá deixar de as penalizar com prisão até três anos, se a lei for aprovada, como espero.
Percam os medos, irmãs, irmãos. Pensem pela vossa cabeça. E decidam segundo a vossa consciência pessoal. Deixem de pensar e de decidir pela cabeça e pela consciência funcional do clero. Façam como eu que penso pela minha cabeça e decido segundo a minha consciência pessoal. E por isso voto SIM no referendo do dia 11. Quem de vós me acompanha nesta liberdade/responsabilidade?

Dou-vos o meu afecto e a minha Paz.
Mário, Presbítero da Igreja do Porto
 
Cara mafalda é uma forma de ver as coisas existem pessoas que olha para o valor mais alto e o publicitam. Tambem posso olhar para o valor mais baixo e posso escrever num blog que na Idaho o rate é de 42. O mais correcto seria olhar para os dados dos residentes a nivel national e ver que o numero é 241. É sempre uma questão de referencia. Mas a realidade é que apenas 16 mulheres em 1000 a nivel national tiveram necessidade de fazer aborto.
 
São números assustadores, de facto...

E se lhes juntarmos outros números, retirados da mesma fonte, onde podemos verificar que 43,6% das mulheres que abortaram nos EUA em 2003 já o tinham feito PELO MENOS uma vez, o caso ainda se torna mais assustador.

Ou seja, estas mulheres abortaram a primeira vez e ficaram tão traumatizadas pela decisão que lhes custou tanto a tomar, que engravidaram de novo e voltaram a abortar...

E depois venham-me dizer que não há gente a abortar de ânimo leve!

Abram os olhos, pá!


Se quiserem analisar este artigo com detalhe, podem lê-lo na integra aqui -> http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/ss5511a1.htm
 
Podemos olhar para todos os factores:
- que as mortes ocorridas devido a abortos nos estados unidos diminuiram.
- que os numero de abortos tem vindo a diminuir.
- Que 53% das mulheres apenas fizeram um aborto

Mas podemos tambem ignorar isto tudo porque os estados unidos sao os estados unidos e portugal é portugal. A nossa lei vai ser diferente da lei dos estados unidos e todos esperamos melhor. Que ajudem as mulheres que tenham que recorrer a esta medida em casos extremos e que ajudem as mulheres a não terem repetir nunca mais esta medida e isso so se consegue com apoio.
 
E os números dos países em que o aborto é crime, como o Irão, não vos interessa??
SIM! por uma saúde pública de qualidade! Sim a uma sociedade justa que não obrigue as mulheres à vergonha!
SIM! SIM! sou mãe de duas filhas lindas e ZERO ABORTOS porque tive uma educação sexual, ao contrário de muitas mulheres da minha geração! Mas a minha MÂE , ABORTOU numa casa de uma parteira, quando eu tinha 15 anos. Imaginam o que todos nós sofremos? E se tivesse corrido mal? Nos anos 80 não havia as clinicas espanholas. Foi horrível. Somos uma família católica.
 
Caro Rui,

A precipitação não é boa conselheira...primeiro disse que o estudo não era verdadeiro, depois, perante o esclarecimento da Mafalda lá teve de arranjar o argumento de que há muitos números naquele estudo, uns mais baixos do que outros...Mas se gosta da média nacional americana... fique com ela. Eu não gosto!
 
"SIM! SIM! sou mãe de duas filhas lindas e ZERO ABORTOS porque tive uma educação sexual, ao contrário de muitas mulheres da minha geração! Mas a minha MÂE , ABORTOU"

Só nos vem dar razão quando afirmamos que a solução para este problema passa pela educação sexual (que lhe permitiu viver a sua sexualidade responsavelmente e plenamente sem se ver necessitada de recorrer ao aborto), entre outras medidas, e não por entregar a solução que "ninguém gosta mas que todos querem"...
 
Não concordo.
Ganharam o anterior referendo. A sexualidade da mulher é visto pelos defensores do Não, uma imposição moral e religiosa. Os defensores do Não 'mandam' em Portugal desde sempre. Despenalizar é o começo ,para uma educação sexual. NÂO SE EDUCA REPRIMINDO.
Sabe porque é que tive uma educação sexual ? Porque vivi aos 18 anos em França, como estudante e tive a oportunidade de ir ao ginecologista e de tomar a pilula gratuitamente, o Estado Francês não estava com falsos moralismos nem os médicos chamavam de ' levianas' ás jovens e mulheres com uma vida sexual que não passa nem pelo casamento, nem pela sexualidade monogâmica.

VOTO SIM! porque acredito (ainda) numa sociedade mais transparente e honesta.
Votar Não é votar na continuação da mentira em que as mulheres portuguesas sempre viveram. Desde sempre.
 
"During 2001--2002 (the most recent years for which data are available), 15 women died as a result of complications from known legal induced abortion."
 
Convém que o SIM explique que se pode morrer mesmo abortando legalmente em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados. Amiguinhos do SIM: também existem riscos da terapia aborto para a DST chamada gravidez.

Não consegui encontrar estatisticas sobre os óbitos relacionados com sexo responsável usando preservativos correctamente. Seria interessante sabe-lo principalmente porque no documento lia-se que a grande maioria dos abortos era realizado por jovens solteiras. Mas não é a juventude que se gaba de ser altamente sapiente sobre sexo?!
 
Estou perfeitamente convencido que é mais seguro abortar - o que condeno vivamente - numa parteira qualificada do que em qualquer instituição que o "estado" indique como "credibilizada", do género SNS e hospitais civis - ou até nas clínicas que aparecem logo disponíveis no estranjeiro.
Se calhar é por isso que elas vêm cá...
 
Estou em crer que todos excepto aquelas que morrerem de complicações em estabelecimentos legalmente autoriazdos dirão em justiça que estes são mais seguros -- embora mesmo considerendo raras alergias violentas ao latex, julgo ser ainda assim menos arriscado que qualquer acto médico invasivo. O que quis dizer é que vejo tanto simplismo no tratamento desta questão que até parece que querem dar a entender que abortar é quase tão simples como... p.ex. ir medir a tensão!? Passe o exagero, já estou a ver na TV os processos "...a minha filhinha menor, já era a 3ª vez, uma coisa tão simples, nunca lhe aconteceu nada, nem antigamente com cabides..." contra médicos.
 
O Padre Mário de Macieira da Lixa, é padre da Igreja Católica? É que me parece que não, penso que para ser padre da ICAR tem que se estar em comunhão, e o uso do título de Padre parece-me abusivo, para não dizer que parece que está a tentar enganar os incautos. Se não concorda com a ICAR porqué usar o título de Padre? Ou será que se usar o só o seu nome ao defender as barbaridades que defende alguém lhe liga? Ah! pois claro, se usar o título de Padre e defender o contrário do que defende a ICAR tem a atenção dos média garantida.
 





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