Estatísticas do sim nos EUA - III

Nos EUA, de acordo com estatísticas oficiais, morreram no período compreendido entre 1972 e 2002, 486 mulheres devido a prática de aborto, sendo que 377 destas mortes acontecerem num quadro de aborto legal.

Comentários:
Num país tão débil na área da saúde não admira nada . Se lá autorizassem certos talhos a praticar abortos provavelmente estariam a incorrer nos mesmos riscos e a poupar dinheiro...
 
Ah claro... porque num país TÃO AVANÇADO na saúde como é Portugal, este problema não se põe!

Haja paciência!
 
O que está no relatório não é o que afirma, senão conteste as conclusões que a seguir transcrevo (que até afirmam que o número de abortos legais diminuiu..vejam lá)

---Interpretation: During 1990--1997, the number of legal induced abortions gradually declined. When the same 47 reporting areas are compared, the number of abortions decreased during 1996--2001, then slightly increased in 2002 and again decreased in 2003. In 2000 and 2001, even with one additional reporting state, the number of abortions declined slightly, with a minimal increase in 2002 and a further decrease in 2003. In 2001 and 2002, as in the previous years, deaths related to legal induced abortions occurred rarely. ---

Repare na última frase:"...legal induced abortions occurred rarely".
 
Caro anónimo das 4:30,

Ora leia lá a frase na integra e deixe-se de transcrever frases só parcialmente.
Não diz em lado nenhum que o numero de abortos legais diminuiu... o que diz é:

"deaths related to legal induced abortions occurred rarely"

Não estamos a ser sérios, pois não?
 
O texto é muito claro (está na transcrito na totalidade, como pode comprovar lendo o relatório), e pode sintetizar-se no seguinte:
-- O número de abortos legais tem diminuido.
-- As mortes de mulhres em abortos legais são muito reduzidas.

Vai agora dizer que o texto não diz isso?
 
pois..num país em que o aborto é regulado por uma lei permissiva que atribui às mulheres a última palavra no que concerne à interrupção da sua gravidez, mesmo em fases tardias da mesma, é apenas natural que a maioria das mortes ocorra na sequência de abortos legais. e muito embora não tenha números (e até por isso mesmo), acho que seria esclarecedor revelar outros números, a saber: o número total de abortos legais e uma estimativa dos ilegais entre os referidos anos, a média das semanas de gestação em que foram realizados (tanto os legais como os ilegais) e a percentagem de mortes por aborto legal (relativamente ao número total de abortos legais, logicamente). até posso estar errado na minha convicção, mas parece-me muito estranho que comparando abortos clandestinos e abortos medicamente assistidos se possa concluir que os segundos comportam um maior risco para a vida das mulheres. mas os números o dirão, certamente..
 
--continuação

Como parece ter alguma dificulade no Inglês aqui vai uma tradução (rápida):

---Intrepretação: Entre 1990-1997 o número de abortos legais induzidos (leia-se IGV) declinou gradualmente. Quando se comparam as mesmas 47 areas de avaliação, o número de abortos decresceu no periodo de 1996--2001, depois aumentou ligeiramente em 2002 e 2001 e por fim decresceu em 2003. Em 200o e 2001, mesmo com uma area de avaliação adicional, o número de abortos decresceu ligeiramente, com um aumento minimo em 2002 e um posterior decrescimento em 2003. Em 2001 e 2002, tal como nos anos anteriores, as mortes (de mulheres) relacioandas com abortos legais ocorreram muito raramente.---

Quem é que não é sério agora?
 
Há uma coisa que eu ainda não entendi.

Toda a gente (do sim e do não) concorda que os abortos clandestinos são um problema.

Mas... Desde quando é que a solução para todos os problemas clandestinos é legalizar?

Porque é que não aproveitamos e legalizamos as drogas pesadas e leves para que não haja tráfico de droga clandestino?
 
se olhar-mos para estatisticas oficiais tambem conseguimos ver que o numero de mortos devido a abortos clandestinos antes do aborto ser legalizado nos estados unidos era bem maior (+50%).

Brincar com estatisticas é bonito.
 
relendo o meu comentário, vejo que não fui inteiramente claro. os números que me parecem relevantes, para além dos referidos no post, são: 1)uma estimativa oficial do número total de abortos praticados nos estados unidos entre 1972 e 2002, discriminando quantos foram os legais e quantos se pensa terem sido os ilegais - esse valor dar-nos-á uma noção da prevalência do aborto legal sobre o clandestino; 2)uma média da idade gestacional dos fetos aquando do aborto (legal e ilegal, separadamente), apenas para os casos em que as mulheres morreram! - por forma a percebermos se se trataram de risco acrescido ou não; 3)finalmente, a percentagem de mortes por abortos legais praticados no referido intervalo de tempo, e uma percentagem estimada para os ilegais. sem estes dados, que até podem ir ao encontro da posição de MCP, o post é inútil, na medida em que não contextualiza a informação, e por isso não contribui para o esclarecimento de quantos o lêem.
 
Seria interessante comparar o número de mortes em consequência do aborto legal (as tais 377) com o número de mortes resultantes de partos e posteriores complicações.

Já agora relembro que os EUA têm perto de 282 milhões de habitantes.

Fazendo as contas aos 11 milhões em Portugal e, partindo do princípio que essas mortes ocorreram uniformemente ao
longo desse período, em 30 anos teríamos 15 mortes.

Porém, convém chamar a atenção para o facto de os avanços da medicina dos próximos 30 anos permitirão, provavelmente, ultrapassar os eventuais riscos de um aborto.

Por fim, e em nome da honestidade, eu pergunto, quantas dessas mortes ocorreram em interrupções da gravidez até às 10/12 semanas, e quantas decorreram de gravidezes de risco que levaram a mulher a abortar já numa fase avançada da sua gravidez
 
Por norma legalizar não é a solução para os problemas .
No caso do aborto :
Em primeiro lugar não devia ser ilegal porque não está nenhuma vida humana em causa a não ser a da mulher . É só o corpo dela e alguns órgãos estranhos que lá estão agarrados .
Em segundo lugar : A legalização permite um melhor apoio à gravidez, permitindo que qualquer mulher que queira consulte um médico e receba aconselhamento . No ilegal nada existe . No legal o risco de perseguição afugenta as grávidas .
 
"Em primeiro lugar não devia ser ilegal porque não está nenhuma vida humana em causa a não ser a da mulher . É só o corpo dela e alguns órgãos estranhos que lá estão agarrados ."

São afirmações destas que me dão mais certezas para votar NÃO no referendo!
 
Caro/a Gui,

Como certamente reparou linkei para um estudo oficial. Limito-me a retirar dados que me parecem ter algum relevo, mas deixo a todos a fonte de informação. O que pretendi demonstrar com estes números é que o aborto legal também tem riscos os quais às vezes no calor da discussão são negligenciados.

Até breve
 
caro/a MCP,

percebo a intenção, mas insisto que a informação veiculada carece de algum enquadramento, sob pena de apelar somente à emoção, e não à razão. os estados unidos possuem actualmente uma população oficial de 300 milhões (!) de pessoas, 30 vezes maior do que a de portugal. entre 1970 e 2000, a população estado-unidense cresceu quase 50%, passando de cerca de 200 milhões para 290 milhões - mais 90 milhões de pessoas, 9 vezes (!) a população portuguesa, num espaço de 30 anos. já deu para perceber a dimensão astronómica que estes valores tomam nos estados unidos..agora, descendo ao particular: entre 1973 e 2002 houve mais de 42 milhões (!) de abortos induzidos. admitindo que este número não inclui os abortos clandestinos (realizados decerto pela população de imigrantes ilegais, que actualmente é estimada em 13 milhões de pessoas), temos que a razão entre mortes por aborto legal e abortos legais totais é..0,000009! aplicando esta razão a um hipotético universo de 50 mil abortos por ano em portugal, ficamos a saber que morreriam anualmente 0,45 mulheres vítimas de aborto medicamente assistido, isto é, a cada 2/3 anos morreria uma mulher..é menos do que sucede presentemente, ou não?

os dados escasseiam, por isso aqui ficam as minhas fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Demographics_of_the_United_States

http://www.guttmacher.org/pubs/fb_induced_abortion.html

http://ktreta.blogspot.com/2006/11/uma-das-principais-causas-de-morte.html
 
Caro gui,

Não há dúvida que o último artigo que indica foi esclarecedor.

Tal como, aliás, têm sido os vários post do Ludwig nesta matéria.

Há aliás uma coisa que sempre me espanta no SIM: se são contra o aborto clandestino e sabem tanto sobre ele, porque é que não fazem nada para acabar por ele?

Se está à procura de resposta e não encontra, eu dou-lha: porque o SIM só agora, em campanha, é que descobriu que é contra o aborto.

A realidade é que como o SIM defende que a mulher deve ter o direito de decisão sobre a vida do feto e, consequentemente, à falta de aborto livre, preferem encobrir o aborto clandestino, as slot machines de que falava a procuradora-do aborto-dourado-destacada-para-a-campanha.

Já o NÃO há muito tempo que aponta soluções para o problema, sistematicamente inviabilizadas pelos partidos que apoiam o SIM:

- a proposta da deputada Rosário Carneiro;
- a solução do Prof. Freitas do Amaral
- as IPSS que apoiam não só as mulheres que decidiram ter os seus filhos como os filhos que as mulhers decidiram não ter e mesmo as mulheres que abortarame e agora sofrem por isso
- os Centros de Apoio à Vida
- mesmo o aconselhamento que agora vos parece evidente, foi retirado na proposta que o PS mantém em cima da mesa, na Assembleia, para ser votado se o SIM ganhasse.

Desculpem lá mas assim, NÃO.

A atitude de arrogância não vos fica bem e não contribui para solucionar os poblemas das mulheres nem das famílias.

Também por isto tenho de votar NÃO.
 
caro/a anónimo/a,

'atitude de arrogância'? em que frase do meu comentário manifestei arrogância? a menos que me esteja a colar a partidos e governos, o que, honestamente, não me diz rigorosamente nada, como há-de compreender. ainda assim, se quiséssemos politizar a questão, também nos poderíamos interrogar sobre o que fizeram os partidos 'defensores do NÃO' quando estiveram no governo..e é importante não esquecer que se tratam dos partidos mais à direita no parlamento, apologistas de políticas de trabalho neoliberais, 'flexiguranças' e afins, que geralmente dificultam ainda mais a decisão de uma mulher no activo prosseguir uma gravidez. agora, se me retorquir que os socialistas também têm responsabilidades, e decerto as têm, tudo bem, para mim isso é pacífico, não me perturba minimamente. só ainda não percebi por que é que os partidários do SIM tentam escamotear a existência de abortos clandestinos, quando estes são uma evidência e o mais forte argumento do SIM..
 
e ainda outra coisa: que mal tem o último artigo que citei? não é de um partidário do SIM, tanto quanto consigo perceber, e expõe um conjunto de cálculos que permitem chegar a um valor aproximado do número de mulheres que anualmente morrem em portugal na sequência de aborto clandestino. está errado? é pouco sério? talvez, mas foi a única estimativa que encontrei..mas mesmo que se queira pretender que não morrem mulheres vítimas de aborto clandestino, também não é legítimo avançar com aquelas 377 mortes por aborto legal nos estados unidos, simplesmente porque nesse país a IVG pode ser realizada sem restricções até às 24 semanas e, como se sabe, o risco aumenta significativamente com o tempo de gestação. em portugal, está a referendar-se o limite de 10 semanas, pelo que o risco será muito menor..
 
Caro Gui,

Quanto à arrogância, obviamente não estava a falar de uma pessoa em particular, fosse o Gui ou algum Engenheiro que ande a fazer campannha de olhos em bico.

Estou a referir-me à atitude de intransigência da parte dos partidos que defendem o SIM no actual referendo e que não fizeram nada, apesar de terem em cima da mesa propostas concretas, no sentido de encontrar uma situação de compromisso.

Não o fizeram porque eles querem tudo. Querem que o aborto seja um direito. E digo-lhe mais: querem que seja um direito até bem mais longe que as 10 semanas, mas não lho querem dizer já. Primeiro querem meter o pé à porta para depois a escancararem na Assembleia. Porque agora "é só mais uma alínea" e depois nem isso: depois "é só alargar um prazo".

É dessa arrogância que eu estou a falar não da sua, que, bem intencionado, se prepara para lhes cair na esparrela.

Quanto ao artigo, ele não tem efectivamente nada de mal. Pelo contrário: coloca as coisas na sua devida perspectiva. Por exemplo, ele não dá números de mortes, dá números máximos possíveis. Não sabemos quantas são, porque não há dados específicos sobre o aborto clandestino, mas sabemos que, de acordo com os números da OMS, em 2003, terá havido oito mortes por complicações relacionadas com gravidez, parto, ou pós-parto.

Significa isto que as mortes por aborto clandestino - que seriam uma parte destas - atrever-me-ia a dizer que não serão mais de 50%, mas é uma suposição - são muito menos do que alguma campanha do SIM quer fazer crer.

A única forma de considerar,o aborto uma mortandade de mulheres é termos em conta as mulher abortadas clandestinamente, aquelas que o querem convencer a deixar abortar legalmente nos nossos hospitais ou em clínicas pagas por nós.
 
Antes de o aborto clandestino estar em causa, o cerne da questão é o aborto em si mesmo.
Para já, porque é um crime e, depois, porque é um atentado contra o próprio ser humano.
 
no rescaldo da vitória do SIM..

caro/a anónimo,

no meu caso particular, não se trata de ter caído numa 'esparrela'. pessoalmente, entendo que a vontade da mulher deve efectivamente prevalecer sobre o direito do feto a viver. para mim, é a viabilidade ex utero do feto que deve determinar a sua 'emancipação', bem como a obrigação da lei em o proteger da decisão materna. antes desse ponto de viragem não é humanamente possível salvar o nascituro de uma mãe que não o deseja e da qual ele, tragicamente, necessita para sobreviver. enfim, são opiniões..
 





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