AINDA PRÓS E CONTRAS

- A Dra. Zita Seabra é contra o aborto porque não o aceita como método de contracepção, dado esta matéria ter evoluído muito nos últimos 20 anos e, como tal, não se justificar tal prática;

- O Dr. João Paulo Malta é contra o aborto e entende que o que se pretende com esta proposta de lei é liberalizá-lo;

- A Dra. Edite Estrela é contra o aborto e contra a penalização das (pobres) abortistas;

- O Dr. Miguel Oliveira e Silva, como médico que é, é obviamente contra o aborto, mas considera que o que está em discussão é o papel do Estado nesta matéria;

Muito resumida e simplificadamente, parece-me serem estas as posições dos oradores de ontem. Um ponto os une: são todos contra o aborto...

No dicionário de língua portuguesa, aborto é definido como a “expulsão do feto antes do fim da gestação”, e como o “acto ou efeito de abortar”. Já abortar é definido como “dar à luz um feto sem tempo de gestação normal que o torne apto para viver”. Ora, estando as 10 semanas de gestação longe do fim deste período, podemos concluir que quem faz uma IVG até às 10 semanas está a praticar o aborto. Podemos também concluir que quem se declara a favor da IVG até às 10 semanas, é implicitamente a favor do aborto.

Os defensores do SIM (à IVG ou ao aborto ou como lhe queiram chamar) centraram-se em dois pontos: o fim dos abortos clandestinos e o fim da penalização das mulheres que abortam, sendo que o segundo conduz automaticamente ao primeiro. Ou seja, se não forem penalizadas, as mulheres que quiserem abortar passarão a entrar nos hospitais públicos, eventualmente com um papelucho na mão obtido no centro de saúde, e anunciam no guichet: “eu vim fazer uma IVG, onde me devo dirigir?”, ou talvez “eu pretendo ver reposto quanto antes o meu direito a ser menstruada, onde me devo dirigir?”.

Até os defensores do SIM sabem que com a mulher viverá sempre o peso de ter praticado o aborto, ou tão somente de ter criado a situação que a levou a este acto. Este peso, a que podemos também chamar vergonha ou culpa, não se apaga com a despenalização legal. Ou será que as mulheres que abortaram e não foram penalizadas não continuam a carregar o peso de o ter feito? Acredito que continuem. Afinal, o peso não era o da condenação do acto, mas do acto em si. Não servindo nenhuma das leis (actual e proposta) para as aliviar, serve certamente a lei actual para penalizar quem das suas fraquezas se aproveita.

Comentários:
É curioso não é? Fica sempre bem dizer que se é contra o aborto quando se vem defende-lo...

Eles todos dizem ser contra...mas depois sugerem excepções necessárias para acabar com determinadas coisas...só que as excepções que propõem são todas aquelas que as mulheres quiserem até às 10 semanas...!

Mas logo se recusam a aceitar o conceito "liberalização"!

Insisto, neste debate, o NÃO despersou-se e deixou-se levar pela falácia do SIM.
 
Exijo ter a liberdade de pensar que um feto com 10 semanas não é uma vida humana digna de protecção jurídica autónoma. Todos os argumentos de que se trata de uma pessoa humana não me de(co)movem. Trata-se evidentemente de um ser com vida mas não de um ser humano. Para mim, e até prova científica em contrário, o feto não tem características suficientes para que lhe seja reconhecida a qualidade de ser humano e consequentemente atribuir-lhe o correspondente inalianável direito à vida.

Bato-me pela liberdade de eu e outras pessas pensarem assim e, por isso, voto SIM.

Quem tiver objecções morais em realizar o aborto não o deve fazer, para não ficar com os sentimentos de culpa de que fala. Se o fizer, porém, é um problema que se circunscreve inteiramente à intimidade dessa pessoa.

Mas também não pense que encontrou aí um bom argumento; é que tais sentimentos de culpa, não raras vezes, não se devem a vergonha e auto-censura pela sonegação de uma vida, mas por terem de lidar com o estúpido preconceito alheio, o que, aliás, não é algo que afecte só as mulheres que abortam mas qualquer pessoa em, seja em que tempo e lugar for, que se desvie um pouco do bom-senso que vigore.
 
Se você for daqueles que "exige ter a liberdade de pensar" coisas como raças intelectualmente superiores e outras aberrações ultrapassadas pela ciência, tudo bem, é um direito que lhe assiste.

Mas saiba que estamos a tratar de dados concretos. Às 10 semanas um feto tem o sistema nervoso formado e em pleno funcionamento. Já reage a sons ou ao estado psicológico da mãe. Caro jd, por alguma razão os médicos se recusam a fazer o aborto...e só se dispõe a fazê-lo quem tiver umas notinhas à frente dos olhos. É que são eles que têm de provocar a morte do feto, parar-lhe o coração, asfixia-lo, garantir que ele morre antes de o deitar para o caixote.
 
Já agora, caro jd, se "com 10 semanas não é uma vida humana digna de protecção jurídica autónoma", é às 11?!?!? Porquê?


Quais seriam então as "características suficientes para que lhe seja reconhecida a qualidade de ser humano"?!? Xuxar no dedo? Chorar? Dizer "pai" e "mãe"? Saber conversar consigo sobre o tempo? Quando é que um Ser Humano deixa de ser carne para passar a ser gente?
 
Caros bloguistas do não
Para o próximo debata mandem alguém decente. Recuso ser representado por uma criatura como Zita Seabra.
 
Ainda sobre o debate. As causas decentes não devem ser defendidas por pessoas indecentes. Estou a referir-me naturalmente a Zita Seabra.


P.M.
 
"Exijo ter a liberdade de pensar que um feto com 10 semanas não é uma vida humana digna de protecção jurídica autónoma"

ó jd, você também pode exigir a liberdade de pensar que o céu é verde e acreditar piamente nisso até prova científica em contrário...

mas além de isso ser um problema seu, está redondamente enganado...
 
caro anónimo,

quem escolhe o painel é a fátima campos ferreira pessoalmente...
 
joana
conheces alguém que já tenha abortado? não me parece.
eu conheço dois casos, muito iguais, de uma amiga e de uma não tanto, que abortaram ambas em condições dramáticas, em vão de escada.
nenhuma delas pediu dinheiro aos pais, ambas o tinham. estou a falar de duas jovens universitárias de classe média-alta.
nenhuma delas ficou estigmatizada pelo assunto, apenas ambas recordam amargamente a circunstancia de o terem feito em tão más condições., não a decisão.

já passaram mais de dez anos e garanto-te que ambas são pelo sim. a vida real, das pessoas reais e muito diferente dos chavões, por vezes hermeticos, tipificados e anacronicos, de certos defensores da não.
 
Então, caro pedro moreira, já q se tratavam de duas jovens universitárias, q provavelmente sabiam como evitar uma gravidez e mesmo assim n o fizeram, preferindo simplesmente "interroper" uma vida para n ter chatices, deviam ir presas...
 
Está tudo grosso? A amostra suficiente para o pedro moreira são 2 gajas? uma amiga e outra mais ou menos? Achas que essas gajas são o mundo???

Ó JD onde é que bateste com a cabeça? És cretino ao ponto de achares que és tu e as tuas reflexões antropológicas e filosóficas que hão-de definir o direito de outros viverem? Acreditas mesmo nisso ou estavas na palhaçada? Características suficientes? Qual, na tua douta opinião, as diferentes características de um feto com 10 semanas e outro com 11? Esse teu brilhante raciocínio aplica-se mesmo depois do nascimento? Sugiro que feches os olhos e que tentes levar o indicador da mão esquerda à ponta do nariz... vês, não consegues! Vai ao médico... depressa. Sugiro o Dr. Miguel Oliveira e Silva. É um gajo porreiro!
 
...gostava de saber quem é que fica com ESTE peso:
http://dn.sapo.pt/2006/11/02/sociedade/aborto_mata_mil_mulheres.html
 
Fuckitall,
Insisto: a solução para as 68 mil mortes por ano está na criação de condições para estas mulheres terem os filhos ou, se preferir, na informação sobre contracepção. Não está, seguramente, na morte de 20 milhões de fetos.
 
Cara Joana,

Nem vou discutir a viabilidade de criar condições materiais para todas as mulheres que engravidam. É que não se trata de condições materiais apenas. Trata-se de saber se a putativa mãe o quer ser. Trata-se de uma decisão demasiado importante na vida de alguém para poder ser imposta.

Ninguém pode impedir uma mulher de ir para a frente com uma gravidez, sejam quais forem as condiões materiais ou as opiniões de quem a rodeia, se ela realmente quiser ter um filho. E o inverso também é verdade, nem todas as condições e apoios do mundo farão uma mulher assumir o projecto de ter um filho se ela não o quiser.

É por isso que, mesmo sendo ilegal e em condições deploráveis, muitos milhares de mulheres insistem em fazer aborto. E assim perdem-se os tais milhões de fetos e também muitas mulheres.
 
Por aí, fuckitall, já começa a haver margem para entendimento. Óptimo! mais alguém se desfez do empecilho dos parágrafos, das alíneas e dos interesses vários escondidos nos regulamentos. Todos sabem que a pouca gente interessa uma Sociedade escorreita. Era o caos. Como reciclar os agentes que vivem e sobrevivem à custa dos defeitos?
 





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