Aborto no Masculino

Acho que vale a pena abordar alguns dos casos de aborto mencionados no artigo do Expresso sobre "Aborto - Cicatrizes no Masculino".
Começa-se por se dar uma ideia de que se tratam sempre de situações dramáticas "depoimentos retirados da zona mais funda da intimidade, dolorosos e quase sempre de dimensões traumáticas", como é habitual nos artigos sobre o aborto.
Na verdade o que se vê são situações de um total descuido e falta de respeito pelas mulheres e pelo feto. Vejamos logo o primeiro caso: Um rapaz que antes de chegar aos 30 anos já ia em quatro abortos! O primeiro da namorada juvenil, o segundo da amante casada, o terceiro de uma colega de mestrado que vivia noutro país e finalmente o quarto de uma namorada mais velha, que não queria pôr em perigo a sua carreira. Vamos andar a financiar abortos de 2 em 2 anos a quem não tem o mínimo de cuidado? Talvez não fosse má ideia explicar-lhe que já existem métodos contraceptivos...
O segundo exemplo é de um casal de namorados em que ela não usava a pílula porque não queria engordar e ele não usava preservativo porque achava que não era 100% eficaz!
Outro caso ainda relata novamente um jovem de 33 anos que também já vai em quatro abortos, dois dos quais porque a namorada não queria engordar com a pílula e ele também não queria usar preservativo. Outro dos abortos duma relação sexual de uma noite única em que estava bêbado. Já agora despenalizamos também a condução sobre o efeito do álcool!
E continuam com mais casos do mesmo género.

Não consigo realmente perceber como se pode achar que faz sentido o estado promover e financiar este tipo de situações. Alguém percebe?

Comentários:
O que eu não entendo é porque é que faz tanta confusão aos partidários do Não que a pergunta, ainda por cima, refira "por opção da mulher"!Dá-me sempre vontade de rir, quando não me dá para ficar verdadeiramente irritada, que insistam que o homem também deveria ter uma palavra a dizer!

Nada disto é, neste momento, muito fundamentado... Mas é o meu sexto sentido a falar... :)
 
sabe, alice, que se é por opçao da mulher que se tem 1 filho, no futuro NINGUEM poderà obrigar pais a pagar pensoes de alimentos.

podem sempre dizer, ela q tivesse abortado...
 
Obviamente que o homem deve ter uma palavra a dizer. O processo de concepção de uma criança - pelo que sei - é feito a dois. Ora, se é feito a dois, porquê excluir o pai? Não me parece que faça grande sentido. Depois, o homem vai ser pai, e como qualquer pai, deve ter uma palavra a dizer na educação dos filhos, logo mais um argumento para ser ouvido. Também não me parece justo, que 1 dos elementos do casal (seja a mãe, seja o pai) tenha o poder para excluir o outro, num assunto tão delicado como este. Mais, acho uma barbaridade a vida humana ir a votos.
 
o Homem é o outro responsável pela gravidez
 
Independentemente do que, a montante esteja em causa -a recusa da tomada da pílula,da utilização do preservativo; das razões de qualquer natureza- o fulcro é, fundamentalmente, o desejo, que não exite, de que um filho nasça, sendo melhor, para qualquer criatura, que não nasça do que acabar lamentando ter nascido, numa altura em que já tem e faz uso da consciência.

A questão do aborto ser, economicamente, suportada pelo Estado... é outro "departamento".

Depois de sabermos o que é o Estado e para que serve -nesta altura está muito confuso e o Estado apresenta-se como sendo só alguns e, mesmo assim, quando lhes dá jeito-,e se se concluir que somos todos -o que não acredito,porque há sempre uns mais "primos" do que outros-, o Estado só deve comparticipar,em parte ou totalmente, se a interrupção da gravidez for, por qualquer infortúnio, necessária.
Em todos os outros casos, as pessoas terão que ser responsáveis pelas suas vontades e deverão suportar a factura da indecisão ou da negligência. Porém, o que está em causa não é "quem paga?",mas sim a legitimidade para interromper a gravidez.

Quanto à responsabilidade do homem, ela, de facto, existe, porém, só entra em minha casa quem eu quero e nos moldes que quero. Se alguém, indesejado ou indesejadamente, forçar a entrada, posso sempre resistir ou, se vencido, fazer a denúncia. Aqui,sim, faz sentido a evocação da Lei.

Porém, o problema é mais profundo, mais complexo, e deixo, como remate do comentário, o modo como Erasmos de Roterdão, num pequeno texto satírico, alude às disputas entre a razão e a emoção, esclarecendo a predominância da mente emocional sobre a racioanl:

«Para que a vida humana não fosse totalmente triste e enfadonha, Júpiter concedeu-lhe muito mais paixões do que razão, na proporção de um asse (24) para uma onça (51). Além disso, relegou a razão para um canto estreito da cabeça, deixando todo o resto do corpo entregue ao domínio das paixões. Por fim, opôs,à razão isolada, a violência de dois tiranos: a Cólera, que domina a cidadela do peito, com a fonte de vida, que é o coração, e a Concupiscência, cujo império se estende até ao baixo-ventre. Como conseguirá a razão defender-se destes dois inimigos, para mais, reunidos? A vida comum dos homens mostra-o com bastante clareza. A razão apenas consegue gritar, até enrouquecer, as leis da honestidade. A rainha de quem os homens troçam e injuriam até que,cansada, se cala e se confessa vencida».
 





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