Ditadura da maioria

Nos últimos 2 dias o João Miranda dedicou-se a fazer uma série de exercícios acerca do aborto e da liberdade individual. Longe do brilhantismo que assiste tão popular personagem da nossa blogosfera, não posso deixar de comentar o seu mais recente raciocínio. E faço-o com uma série de perguntas (bem sei que o João Miranda raramente responde à plebe, mas aqui ficam):
- E se a maioria da populaça pretender instituir a pena de morte?
- E se a maioria da populaça pretender instituir uma ditadura (provavelmente desconhece mas essa deveria ser a vontade da maioria em 1928, o que aliás ficou reflectido numa famosa frase de Fernando Pessoa)?
- E se a maioria da populaça entender que o blogue do João Miranda deveria ser encerrado?
- E se a maioria da populaça entender que os velhos com mais de 70 anos devem morrer, de forma a salvaguardar as reformas dos mais novos?
- E se a maioria da populaça entender que o liberalismo puro é uma patetice pegada e que os seus defensores devem ser todos presos?
Parece-me que estas perguntas já encontram resposta no post do João Miranda, quando ele diz "Se a lei for entendida pela esmagadora maioria da população como necessária (...) então é uma boa ideia.", mas ainda assim gostaria que ele me respondesse.
Bem sei que este post pouco ou nada parece estar relacionado com o aborto, mas quando pessoas, supostamente inteligentes, pretendem levar o debate acerca do mesmo para o plano das liberdades individuais, como se a liberdade individual da mãe fosse o único interesse ou direito em jogo, parece-me evidente que estão a tentar viciar os dados da discussão.

Comentários:
Por mais voltas que dê à cabeça, não consigo encontrar explicação para coisas tão simples quanto estas:
— Que política é esta, que País, governo ou o raio quiserem, que fecha maternidades, hospitais e Centros de Saúde e pretende tornar o aborto numa «coisa segura» em «locais próprios» (duas expressões que já ouvi da parte dos defensores do «sim» e que me arrepiam bastante). Ou será que é só para as grandes cidades?
— Que moral é esta que obriga casais com problemas de fertilidade a despenderem rios de dinheiro com tratamentos, sem os comparticipar? Dois pesos, duas medidas?
— Como explicar, como ainda ontem vi numa reportagem da televisão, que centenas de pessoas tenham que se deslocar propositadamente a uma Clínica em Lisboa, num sábado, esperarem a vez durante horas à chuva, para marcarem um exame médico através do S.N.S. que só deverá ser feito passado 3, 4 ou mais meses depois e, logicamente, para que não se ultrapassarem as tais dez semanas assinaladas pelo referendo, certamente não existirem listas de espera para a prática do aborto?
 
Mas não militar no uso do Preservativo, que além de defender ambos os parceiros de doenças venérias, SIDA, Hepatistes, etc, também evita a formação dum feto, não é uma forma de promoção do aborto?

A ausência desta promoção não é uma forma de Víciar a discussão?
 
"Ausência desta promoção"? Qual promoção? O que é que isso tem a ver com o post do João Miranda?
Apeteceu-lhe chamar à colação o tema "preservativo" e a fava saiu-me a mim, é isso?
Caro rml, diga lá qual a pergunta em concreto para ver se eu consigo responder-lhe.
 
Caro Rui,

O "vício" vem do facto de não terem feito nada no sentido da prevenção da ocorrência de abortos/"gravidezes indejesadas".

É um situação semelhante ao controle de preços & distribuição de géneros para evitar a ocorrência de revoluções (OK! elas também podem ter outras origens), para se implementar o preceito "Não roubarás".

Claro que isto não impede a ocorrência de roubos pontuais, do mesmo modo que não evitará as "gravidezes indejesádas".

Sendo assim, se querem coerentemente lutar contra o Aborto (com ou sem Não), teriam de ter demonstrado uma acção preventiva eficaz, divulgando, por exemplo, o uso do preservativo, a educação/prevenção sexual, etc.

Daí perguntar o que fizerem deste o último referendo?

Limitaram-se a ficar contentinhos com a vitória do Não?
 
Caro r,
A que propósito é que recai sobre mim uma qualquer obrigação para prevenir a ocorrência de "abortos/gravidezes indesejadas"? Não sou "paizinho" de ninguém (a não ser das minhas filhas!)
Porventura o r fez alguma coisa para acabar com os roubos ou homicídios? E se não tiver feito acha que devemos liberalizar essas condutas?
Antes de utilizar esse tipo de argumentos sem qualquer sentido era bom que pusessem a mão na consciência e percebessem que estamos todos no mesmo barco.
Cumprimentos
 
Caro Rui,

É bom não sermos egocêntricos, e termos sentido de Estado.

Caso não se vá por aí, também não faz sentido a sua tomada de posição, que afecta o global do País.

Basta que se preocupe o que o afecta, não fazendo sentido que imponha a outrém a sua tomada particular de posição.

Só questiono a sua tomada de posição, enquanto participante num movimento maior, de tomada de posição pública sobre a presente questão.

E o que questino, é que me parece que o global dos participantes no NÃO, só se mobilizam para boicotar o SIM, custe o que custar, estando-se nas tintas para as consequências da sua tomada de posição, quer ácerca da existência e prática de abortos, especialmente os clandestinos, quer na prevenção dos mesmos.

Parece-me, por isso, que a posição do NÃO eticamente muito pobre e credívél.

No que me diz directamente respeito, acredite que, no que me é possível, tenho procurado agir preventivamente contra o aborto, roubo, indisciplina, etc.

É pouco, mas é até onde pude chegar.

Cumprimentos cordeais,

RML
 
Caro rml,
Se alguém ao longo dos últimos anos tem feito alguma coisa para combater os abortos e as suas nefastas consequências têm sido os adeptos do não.
Os do sim recostaram-se na cadeira a aguardar pelo novo referendo como se nada fosse com eles (convosco).
Quer parecer-me, como se costuma dizer, que o meu caro amigo está a tentar "virar o bico ao prego".
Cumprimentos
 
Seria indescrição da minha parte, perguntar o que é que tem sido feito por parte do Não?

Não me refiro propriamente às manif's e Contra-manif's à porta dos tribunais.

Refiro, por exemplo, à defesa das Consultas de Planeamento Familiar.
Tem o Não feito alguma coisa nesse, ou noutro, sentido?

Cumprimentos cordeais,

RML

PS - Não tenciono "voltar o bico a qualquer prego", mas chamar a atenção às consequências de impor a outros a nossas ideias, e da responsabilidade a isso inerente.
 
Caro rml,
Persiste no equívoco. O NÃO nada tem a provar. Nada tinha que fazer (enquanto movimento ou coisa do género) para evitar abortos ou as suas consequências. Esse papel cabe à sociedade e não basta dizer que se é a favor do aborto para sacudir a água do capote.
De resto, quem quer mudar alguma coisa são os defensores do SIM. É, pois a estes que incumbe demonstrar a necessidade de mudança. Mais, se pretendem adoptar a solução mais radical de todas: A LIBERALIZAÇÃO, têm ainda de provar que tudo fizeram para evitar o recurso a medida tão drástica.
Cumprimentos
 
Já aqui foi dito, mas posso repetir:

Ajuda de Berço,
Ajuda de Mãe,
Casa de Santa Isabel,
Casa de Santo António,
Ponto de Apoio à vida,
mais dezenas e dezenas de instituições (n as sei tdas de cor) q nasceram dos movimentos pró-vida.
 
Caro Rui,

Se diz "O NÃO nada tem a provar. Nada tinha que fazer (enquanto movimento ou coisa do género) para evitar abortos ou as suas consequências", concluo que o Não se está nas tintas para a suas consequências.

É o mesmo que, sabendo que a velocidade máxima numa vila é 50Km/h, meter o pé no acelador a essa velocidade, e os peões que se danem e se desviem, e estar-se nas tintas para as consequências.

O Não fica assim resumido a uma birra "duma criança mimada", que se quer impor às outras, não importa porque tropelias, porque ela, qual Prima Dona, se limita a existir, e as outras tem (porquê?) de a servir.

Ou seja, o Não, com este formato, limita-se a ser um corpo estranho á Sociedade, nada fazendo por ela, mas impondo a sua manipulação.

Triste.

Cumprimentos cordeais,

RML
 
Caro rml,
Essas figuras de retórica em que o meu amigo se vai especializando não me impressionam e em nada adiantam no debate.
O NÃO quer que se cumpra a regra dos 50 Km/h de que fala. Deve estar esquecido que quem quer alterar a lei são os defensores do SIM.
Quanto ao
 
(continuação)
Quanto ao que o NÃO faz ou deixa de fazer penso ser irrelevante. posso dizer-lhe que algumas das pessoas que defendem o NÃO são as que mais fazem para lutar contra o aborto e suas consequências. Se insiste em negar esta evidência recuso-me a persistir nesta "troca de bolas" perfeitamente inútil.
Cumprimentos
 
Concordo!

Uma boa noite para si,

Cumprimentos cordeais,

RML
 





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