Aborto e motivos fúteis

Francisco Sarsfield Cabral escreveu, há uns dias, que

A mulher poderá abortar por razões de conveniência – para não perder umas férias na neve já marcadas, por exemplo. Mais: esse aborto será pago com o dinheiro de todos nós, contribuintes.

E a constatação de uma evidência causou polémica.

Parece-me bom sinal, porque revelador do abalo de consciências que provocou.

Eis a razão pela qual volto, pedindo desculpa ao autor do texto pela minha ousadia, a sublinhar o que ali ficou dito.

De facto, quando nos perguntam se concordamos ou não com a despenalização do aborto a pedido da mulher, quando feito até às 10 semanas de gravidez, em estabelecimento legalmente autorizado para o efeito, estão a perguntar-nos se concordamos ou não que o aborto seja liberalizado durante um determinado período de tempo. Dito de outro modo, estão a perguntar-nos se a mulher pode ou não recorrer ao SNS para pôr termo a uma gravidez sem apresentar qualquer razão justificativa para o efeito.

Ora, a partir do momento em que não tenha de apresentar um motivo, a decisão de abortar pode basear-se em qualquer fundamento. Desde um estado de desespero e angústia até à mais chocante leviandade, ao motivo mais fútil.

Choca, de facto, pensar que uma mulher pode vir a abortar porque a gravidez não desejada atrapalha as férias de neve.

Mas, importa relembrar que:

a) há poucos anos foi apresentada pela comunicação social uma reportagem em que uma senhora afirmava que tinha feito inúmeros abortos ao longo da vida porque, caso tivesse mais filhos, eles não poderiam frequentar o ensino privado.
b) Há homicídios por motivos fúteis, facto que leva, aliás, o legislador a considerar, numa técnica que nos remete para os exemplos-padrão do artigo 132º CP, que estaremos aí diante de uma hipótese de homicídio qualificado. Pelo que questiono, se há homicídios motivados por “avidez, pelo prazer de matar ou de causar sofrimento (…) ou por qualquer motivo torpe ou fútil”, por que razão é ilegítimo considerar hipoteticamente que uma mulher possa abortar por motivos fúteis.

Assim sendo, se em abstracto tal é configurável, acho especial graça ao facto de os defensores do sim interpretarem as palavras de Sarsfield Cabral no sentido de ler nelas algo como “As mulheres são todas umas grandes putas (a Carolina Salgado não conta), se liberalizarem o aborto, elas vão todas passar a abortar a torto e a direito, porque elas são uns seres tontos, sem sensibilidade nem inteligência, a sua principal função na sociedade é a de vaca parideira”.

É que, não encontrando no texto do nosso colaborador especial qualquer tipo de juízo sobre as mulheres, mas tão só sobre o acto, são, afinal, os defensores do sim que acabam por censurá-las na pressuposição de tais casos.

E, recusando valorações subjectivas, não posso deixar de chamar à atenção para o facto de o que se tem lido pela blogosfera mostrar o quão chocante são, mesmo para o lado de lá da barricada, alguns comportamentos abortivos.

O único problema é que não percebem que, ao votar sim, estão a legitimar essas situações. Porque, ainda que não sejam as mais frequentes, elas são, pelos motivos expostos, plausíveis.

Comentários:
Cara Mafalda

É precisamente por essas situações (aborto por motivos fúteis) passarem a ser plausíveis, que eu voto NÃO. Este é um assunto demasiado sério e delicado para poder ser encarado dessa maneira.
 
Caro Miguel,

ainda bem que concorda connosco.
 
Pois, e o aborto nem acontece actualmente... É um fenómeno nunca visto na sociedade portuguesa... E mulheres que vão ao SNS devido a complicações com esses abortos mal feitos e sem condições de segurança??? Nã!! Isso é uma miragem das pessoas que defendem o SIM!!!!
 
Só o simples facto de alguém pensar que uma mulher iria abortar por umas férias na neve, já diz muito sobre a sua opinião acerca da condição feminina.
Mas partindo do presuposto que sim, que existirá tal mulher:
1- Mantendo-se a actual lei, essa mulher não poderá recorrer a uma parteira e abortar à mesma ? Não se consegue evitar o aborto apenas por mantendo a actual lei. Porque não dizem logo que são contra todo e qualquer tipo de aborto e propoêm uma lei totalmente restritiva ?
2- Porque as mulheres que têm motivos mais nobres (na vossa opinião) têm que ser penalizadas por essa tal esquiadora ? Vão pagar todas pela amante da neve ?
3- O problema todo afinal é apenas o dinheiro público ? Se for dinheiro privado já não tem problema ?

Obrigado pelo link, Mafalda.
 
Caro Pedro,

1. Mantendo a actual lei consegue-se um efeito importantíssimo que é desincentivar a prática do aborto. Por alguma coisa, o número de abortos tende a aumentar nos anos subsequentes à legalização nos países em que ela teve lugar. Ainda muito recentemente um artigo do daily telegraph evidenciava que a legalização da prática abortiva tinha como efeito a progressiva perda do estigma que sobre aquele recai e a consequente banalização do acto.
2. Já tentei explicar que as excepções actualmente previstas na lei se fundam em razões, contrariamente à redacção que se pretende introduzir em que o aborto passa a ser feito independentemente de qualquer motivo. Desculpe não voltar a repetir o mesmo, mas estou com pouco tempo devido ao trabalho.
3. Ninguém paga por ninguém. A vantagem da lei actual é abarcar todas as situações, permitindo ao juiz, em concreto, conformar uma sentença de acordo com as circunstâncias em que o acto tenha sido perpetrado e atendendo ao grau de culpa do agente.
4. O meu problema não é o dinheiro. Nunca me ouviu falar em dinheiro. Mas, quanto ao dinheiro deixe-me que lhe diga o que penso. Para quem como eu acha que o aborto implica tirar a vida a um ser humano pensar que o que pago de impostos vai ser canalizado para esse fim é chocante. Admito que não seja assim para quem não reconheça maldade ao aborto. Mas como não parto desse pressuposto, gostava que não tentasse contra-argumentar insinuando que a nossa preocupação é tão só pecuniária.

Quanto ao link, nada a agradecer. Linkou-nos primeiro.
 
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
 
Já agora, e completando o comentário anterior.
Diz que "Só o simples facto de alguém pensar que uma mulher iria abortar por umas férias na neve, já diz muito sobre a sua opinião acerca da condição feminina".
Escusa de ser falacioso porque não consegue nada com isso.
Primeiro porque, não sei se será um choque para si, mas nem todas as pessoas se orientam pelos padrões correctos.
Segundo, pensar que há homens que violam crianças diz alguma coisa sobre a minha e sua opinião sobre o ser humano ou baseia-se, tão só, na não inegunidade sobre o mundo que nos rodeia?
Sabe... presumir que aquela mulher existe é o que faz qualquer legislador que se antecipa à realidade. E nessa antecipação há que ter em conta os indícios que a realidade fornece a priori. Ou o exemplo que coloquei em texto também não é motivado por um escopo fútil e não é chocante?
 
A verdade é que nenhuma mulher que faça férias na neve, alguma vez venha a ser incriminada por aborto ilegal.

Penso até que muitas férias na neve não são mais que férias abortivas (com passagem pelo solário, claro). Algumas até de senhoras que votarão não.
 
Vamos lá a ver:

1. Se não se sabe quantos abortos são feitos por ano uma vez que tal prática é ilegal como é que se pode afirmar que os números vão subir ou baixar??

2. A crença de que o feto é um ser humano desde o momento da concepção não é partilhada por grande parte da comunidade científica, médida, juridica e religiosa. Até o Vaticano diz que a ciência e a medicina não podem afirmar quando o feto se converte em ser humano. Assim sendo, que tipo de lei devemos ter? Uma restritiva, que considera que uma melhor não deve ser capaz de tomar uma decisão responsável acerca de uma gravidez indesejada mas deva ser responsável por uma maternidade e paternidade não planeada? Ou uma lei que possibilite que as pessoas de diversos pontos de vista políticos, religiosos (todos diferentes e respeitáveis) possam escolher o momento de ser pais e mães com clareza e escolha?

3. Qualquer pessoa pode arranjar actualmente um atestado médico e fazer um aborto através do SNS. Também as mulheres que não se regem por "princípios correctos" fazem actualmente abortos e vão continuar a fazê-los.

4. Não se concorda que o SNS canalize dinheiro para a questão do aborto mas permite-se que sejam gastos milhares de euros por ano a remediar as sequelas de abortos feitas sem condições de saúde e segurança. É uma excelente forma de fazer as contas...

5. E, sobretudo, ignora-se que uma mulher que faça um aborto através do SNS pode ser acompanhada em todo o processo, desde a tomada de decisão propriamente dita até ao período de recobro e terminando no encaminhamento para serviços de informação e planeamento familiar que permitirão reflectir acerca do método contraceptivo mais adequado à sua condição de saúde, estado civil, ritmo de vida, etc...
 
fragmentada,

Assim sendo, que tipo de lei devemos ter? Uma restritiva, que considera que uma melhor não deve ser capaz de tomar uma decisão responsável acerca de uma gravidez indesejada mas deva ser responsável por uma maternidade e paternidade não planeada?
O problema não reside em se todas as mulheres são capazes de tomar uma decisão responsável acerca de uma gravidez indesejada. O problema reside no facto de o que algumas mulheres consideram uma decisão responsável ter consequências que a sociedade não pode aceitar. Assim, a sociedade impõe limites às decisões que se podem tomar.

Qualquer pessoa pode arranjar actualmente um atestado médico e fazer um aborto através do SNS.
Qual é então a necessidade de despenalizar o aborto a pedido?

E, sobretudo, ignora-se que uma mulher que faça um aborto através do SNS pode ser acompanhada em todo o processo,(...)
E a fragmentada prefere ignorar (ou é irrelevante para si) que, com a despenalização do aborto a pedido, qualquer mulher pode ser acompanhada em todo o processo uma vez, e outra, e outra, e outra, ... mesmo que todas essas vezes sejam apenas porque sim, porque a pílula engorda e até se pode abortar sem problemas e de graça, porque até planeou a gravidez mas esqueceu-se das férias, porque descobriu que é uma menina e quer um menino, porque deve nascer Gémeos e prefere ter um filho Caranguejo, porque anda a tentar ter gémeos - é tão giro - e desta vez é apenas um, porque...

Dir-me-á que ninguém aborta por estas razões absurdas e a sua mera menção é um insulto para todas as mulheres. Mas o que vai responder no dia 11 de Fevereiro é se quem abortar por algum destes motivos o deverá poder fazer livremente no SNS ou numa clínica privada, a expensas do Estado, as vezes que quiser.

Se acredita que ninguém abortará por qualquer daqueles motivos, no mundo em que vive deve ver côr-de-rosa por todo o lado. Mas, se vive neste mundo, já deve ter visto, ouvido ou lido muitas coisas que lhe demonstram para além de qualquer dúvida que, sendo livre e grátis, haverá de certeza quem aborte por aqueles motivos. E, no próximo dia 11 de Fevereiro, é isso que deve estar na sua mente e não a ilusão de que todas as mulheres são como a fragmentada.
 
Cara fragmentada
Irei responder-lhe pela ordem dos pontos apresentados:

1. Este é um grande tiro no pé dos defensores do Sim. "... tal prática é ilegal, como se pode afirmar que os números vão subir e baixar?" Mas o principal argumento "altruísta" do Sim não é afirmar que há imensos abortos ilegais com imensas faltas de condições e que a despenalização melhora tal estado? Há numeros e factos para o Sim (títulos garrafais nos jornais), mas não para o Não?
2. Na verdade a evidência científica dos últimos anos tem vindo a refutar esta hipótese como já expliquei no post "É feio falar de dinheiro". Todavia, e admitindo que tem razão, quer dizer que não temos a certeza se se trata de um ser humano! E agora? Criamos uma lei que se arrisque a matar um ser humano (porque se não há consenso esse risco existe), privando-o dos mais fundamentais Direitos Humanos? Ou tentamos criar condições para desincentivar este flagelo, do lado das pessoas que podem ser informadas e que são as que tomam conscientemente a decisão de encetar o acto que conduz a tudo isto?
3. Se o que diz é verdade, então porque estão todos tão empenhados na causa do Sim? Arrangem um atestado médico e está tudo solucionado!
4. e 5. Em toda e qualquer doença, gasta-se muito dinheiro tanto no tratamento como na paliação! A única forma de poupar dinheiro E sofrimento aos visados é a prevenção de uma doença. O mesmo se aplica ao aborto! Não abandonamos a mulher, tudo o que expõe no ponto 5 pode ser aplicado SEM recorrer à banalização do aborto. Recomendo vivamente que leia o post sobre o "Vida Norte"
Cumprimentos e desculpem o comment longo
 
1 - "Só o simples facto de alguém pensar que uma mulher iria abortar por umas férias na neve, já diz muito sobre a sua opinião acerca da condição feminina."

Absolutamente verdade. Esta suposição é um insulto ás mulheres e revela bem um determinado dicurso e uma específica ideologia sobre o feminino, que o pedro retratou magistralmente no seu posts. Parabéns!
Mas a repetição neurótica do argumento "férias da neve " leva-me suspeitar que ode eventualmente resultar de um experiência directa, e que em certas classes sociais, as do chá, esse comportamento seja recorrente.
Ora como disse o caetano, quem passa férias na neve nunca é julgada por aborto.Ou seja para o clube do chá e da neve, o aborto já está despenalizado.



2 - "Mantendo a actual lei consegue-se um efeito importantíssimo que é desincentivar a prática do aborto.

Mentira - 20.000 abortos em Portugal por ano. 350.000 mulheres que abortaram. Uma lei penal que ninguém cumpre não é desincentivadora .

3- "Por alguma coisa, o número de abortos tende a aumentar nos anos subsequentes à legalização nos países em que ela teve lugar".

Mentira parcial. Os números sobem, não porque o número de abortos aumenta drasticamente mas porque passam a ser contabilizados abortos que até aí eram clandestinos e não existiam para a estatisticas oficiais.
Ou seja, existiam mas não tinham visibiidade estatística.
 
Alguém se importa de explicar à Bluesmile que o complexo social pode ser resolvido por psicólogos habilitados para o efeito?
E já agora que ela não deve julgar os outros por ela própria pelo que se pode abster das recorrentes insinuações com que nos vai brindando?
 
Quem queira usar os números da APF para sustentar argumentos e tenha boa intenção, por favor leia o post "Já que é idónea..." (deste blogue) e avalie da credibilidade de tais números, antes de os utilizar.
 
Caro Rui Fernandes:

O estudo em causa não foi realizado pela APF, como sabe, mas por uma empresa técnica especializada neste tipo de estudos.

SE o Rui tem alguma coisa a acrescentar aos resultados do estudo, algum dado novo, alguma questão metodológica ou estatística que ponha em causa a validade ( e a representatividade) do mesmo, faça o favor de o fazer.

SE tiver realizado ( ou tiver conhecimento de) outros estudos igualmente relevantes, com uma amostra igual ou superior a 2000 mulheres inquiridas, que conduza a resultados diferentes, faça favor de o apresentar.
Se não tem nenhum destes elementos é porque este estudo sobre o aborto clandestino em Portugal é válido e permite conhecer uma realidade que alguns não querem enfrentar.

Criar "ruído" e "episódios mediáticos" á volta da sua apresentação não retira credibilidade a uma investigação.

Mas o merketing funciona assim, não é?

Cumprimentos
 
Bluesmile,
O efeito da contabilização dos abortos que eram clandestinos ocorre no ano seguinte à liberalização. Nos anos subsequentes, os aumentos são líquidos, ou seja, são MESMO aumentos, porque o efeito dos clandestinos já lá está.
 
Não Joana, não é assim. Não é o ano seguinte mas nos anos seguintes.Porque a despenalização jurídica não tem efeitos automáticos e até existirem os recursos médicos legais disponíveis demora algum tempo.
O que se observa em inúmeros países onde o aborto foi legalizado, é que existe um aumento das estatísticas oficiais do aborto nos anos subsequentes seguidos de uma estabilização destes números.
 
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
 
Bem, eu responderia às questões colocadas mas a Bluesmile já o fez magistralmente. Gostaria de acrescentar é que:
1. para mim é completamente inaceitável que uma mulher tenha que arranjar um atestado médico indicando a sua INCAPACIDADE psicológica para ter a criança. As mulheres que praticam ou praticaram abortos não são incapazes. É um insulto.
2. Se etsão assim tão empenhados na na prevenção de gravidezes indesejadas porque não gastam todo esse dinheiro em campanhas e inciiativas com essa finalidade (que em outros posts até referem não fazer efeito)? Porque gastar tantas energias a tentar obrigar uma mulher a levar a gravidez até ao termo?
3. Todas sabemos que uma gravidez precoce e indesejada é frequentemente acompanhada de falta de redes de apoio, é motivo para a desistência escolar precoce, para a ocupação de profissões mal remuneradas, dificulta o empoderamento das raparigas e contribui para a manutenção de desníveis entre mulheres e homens bem como de desigualdades gritantes.

Como dizia a Mafalda "acho que só não percebe quem quer".
 
Bluesmile,
"Recursos médicos legais disponíveis" é mais especificamente o quê...? Sinceramente, não estou a ver o que falta...

Mas admitindo que até falta qualquer coisa (aguardo a sua sábia resposta...), espero que não seja algo que demore 20 anos a obter. Sabe, é que em Espanha o aborto continua a aumentar, e a lei é de 1985.
Estabilização, tanto quanto as estatísticas oficiais mostram (ONU, eurostat), só umas décadas depois! E os factores de estabilização serão certamente inúmeros, e não apenas a liberalização do aborto.
 
Joana:

Mas há estabilização, não há?
Ainda bem que reconhece.
E até redução drástica, como em alguns países europeu.s ( Itália é um bom exemplo)
Os factores para a redução do aborto nesses países foram a despenalização por um lado, e por outro, a melhoria na área da saúde reprodutiva e sexual - a saída das mulheres do circuito da clandestinidade do aborto e do puro negócio foi a forma de permitir a assistência médica, a triagem e a contracepção eficaz ou seja, de reduzir indirectamente a incidência de práticas abortivas.

E volto a anotar que é pura demagogia a expressão em "liberalização" do aborto.
 
O limite não é o céu, felizmente, diria eu.

Concerteza que há estabilização, mas em números muito mais elevados.
Eu gostava é que a Bluesmile indicasse mais fontes de informação e escrevesse menos de cor. Era mais honesto, nao acha?
Nunca a vi fazer tal coisa por aqui...

E sim, trata-se efectivamene de liberalizar o aborto até às 10 semanas. Sem mais, sem menos. Não será crime, será legal e inclusivamente financiado pelo SNS.
 
bluesmile,

1 - "Só o simples facto de alguém pensar que uma mulher iria abortar por umas férias na neve, já diz muito sobre a sua opinião acerca da condição feminina."
Absolutamente verdade. Esta suposição é um insulto ás mulheres e revela bem um determinado dicurso e uma específica ideologia sobre o feminino (...)

Quer mesmo associar-se a uma afirmação assim tão ridícula? O que é que querer-se prevenir um determinado comportamento que, por questões de genética, apenas está ao alcance das mulheres é fazer qualquer afirmação sobre a condição feminina? Se se faz alguma afirmação sobre uma condição é sobre a condição humana, não sobre a condição feminina.

Se reconhecer que há mulheres que fazem coisas horríveis é insultar as mulheres, então reconhecer que há homens que fazem coisas horríveis é insultar os homens. Assim, para não se insultar ninguém, não se pode reconhecer algo que é do domínio público e óbvio para toda a gente.
Quer dizer, para toda a gente menos para a bluesmile e para a fragmentada.

A realidade é que há mulheres que, de facto, estarão dispostas a abortar por esse motivo ou piores e, se há alguém que insulta as mulheres, são elas.

2 - "Mantendo a actual lei consegue-se um efeito importantíssimo que é desincentivar a prática do aborto.
Mentira - 20.000 abortos em Portugal por ano. 350.000 mulheres que abortaram. Uma lei penal que ninguém cumpre não é desincentivadora.

Quantos seriam se a lei penal fosse diferente? Não é apenas respondendo a esta pergunta que se pode afirmar com certeza se é mentira ou não?

E acha mesmo que a ameaça de julgamento e prisão (que muitos defensores do "sim" afirmam como real e presente) não desincentiva pelo menos algumas mulheres de abortarem ou as incentiva a terem mais cuidado e evitarem uma gravidez indesejada?

O estudo em causa não foi realizado pela APF, como sabe, mas por uma empresa técnica especializada neste tipo de estudos.
SE o Rui tem alguma coisa a acrescentar aos resultados do estudo, algum dado novo, alguma questão metodológica ou estatística que ponha em causa a validade ( e a representatividade) do mesmo, faça o favor de o fazer.

Não me chamo Rui mas respondo.

A APF afirma que se realizam, em Portugal e por ano, de 17200 a 18000 abortos clandestinos. Um terço dos quais são terminados em estabelecimentos de saúde. Assim, seriam de 5700 a 6000 mulheres a serem atendidas por ano em estabelecimentos de saúde, devido a complicações resultantes de abortos clandestinos.
Em 2004 e segundo a Direcção-Geral de Saúde, as mulheres assistidas por "aborto fora do quadro legal" foram apenas 1426 (89% por aborto incompleto ou retido, apenas 56 infecções e ausência de mortalidade).

Chega?

fragmentada,
Por favor, não use os termos "bluesmile" e "magistralmente" na mesma frase.

1. para mim é completamente inaceitável que uma mulher tenha que arranjar um atestado médico indicando a sua INCAPACIDADE psicológica para ter a criança. As mulheres que praticam ou praticaram abortos não são incapazes. É um insulto.
Onde é que a fragmentada leu "atestado médico indicando a sua INCAPACIDADE psicológica para ter a criança"? Não foi na Lei, de certeza.
A Lei diz:
"Não é punível a interrupção da gravidez (...) quando (...) se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez."
Muito diferente de:
"Não é punível a interrupção da gravidez quando a mulher revelar incapacidade psicológica para ter a criança."

Ah, e insulto é defender o "sim" ou o "não" usando argumentos baseados unicamente na ignorância dos factos.

2. Se etsão assim tão empenhados na na prevenção de gravidezes indesejadas porque não gastam todo esse dinheiro em campanhas e inciiativas com essa finalidade (que em outros posts até referem não fazer efeito)?
E quem diz que não é feito? Na realidade, as organizações que defendem o "não" são precisamente quem mais faz para evitar gravidezes indesejadas e para apoiar mães solteiras, famílias numerosas e crianças abandonadas. Ou a fragmentada está tão alheada do que se passa à sua volta que nem esse facto indesmentível aceita?

Porque gastar tantas energias a tentar obrigar uma mulher a levar a gravidez até ao termo?
Não se estão a gastar quaisquer energias para obrigar mulheres a levarem a gravidez até ao termo. Está-se a gastar muitas energias para evitar a morte de seres humanos em formação apenas porque sim.

Como dizia a Mafalda "acho que só não percebe quem quer".
É isso que se passa com a fragmentada? Não quer perceber?
 
Cara fragmentada:
Apreciei ver que não respondeu ao meu comment, tendo-o remetido à bluesmile que me ignorou na mesma. Deixe-me acrescentar também:
1. "Uma mulher pede um atestado médico que a declare incapacitada psicologicamente, o que é uma humilhação porque ela não é inconpetente". Bem, se a mulher pede o atestado de incompetência e não o é, é porque está a contornar a lei. Quer que dignifiquemos quem procura lacunas na Lei para atingir os seus fins?
2. e 3. - Mantenho o que disse nos meus pontos 4. e 5. Como já disse num post anterior, deveríamos gastar mais tempo em intervenções consensuais do que a discutir temas fracturantes. Que tal dar condições às mulheres para dar à luz e criar os seus filhor e DEPOIS vemos se continua a ser necessária a legalização do aborto?
Cara bluesmile:
Para mim as estatísticas não têm grande importância. Clandestino ou não, quem sofre é o embrião inocente. De resto quero só apontar algumas falhas no seu raciocínio:
1. "Uma lei penal que ninguém cumpre não é desincentivadora" - que eu saiba ainda nenhum crime (roubo, homicídio, corrupção e afins) foi aniquilado pela lei penal. Deve-se acabar com a lei penal? Ou introduzir medidas complementares?
2. "A saída das mulheres do circuito da clandestinidade (...) práticas abortivas". Será que as clínicas criadas serão assim tão vantajosas e idóneas? Recomendo a leitura da entrevista http://www.abortionfacts.com/dr_willke/connector_july_98.asp#1
3. Falaremos de estatísticas quando as gerações vindouras e que vão ter o aborto como uma coisa natural e sem consequências começar a "decidir" com a "consciência" de que tanto falam.
Cumprimentos
 
JAL:

JAL:

1 –Afirmação ridícula é dizer que há mulheres que fazem abortos pra ir fazer férias na neve.
E claro que nesta afirmação se fala exclusivamente de mulheres e do seu comportamento leviano e fútil, logo fala-se de condição feminina e de uma determinada ideologia sobre o feminino.
Pode até nem ter consciência de que o está a fazer, mas isso é outro nível de análise.
Se estivesse falar de condição humana poderia escrever outra coisa. Tipo falar de homens que obrigam as mulheres a abortar pra poderem ir fazer férias na neve.

E mais : se a questão é a “prevenção” desses comportamentos através de uma sanção penal, desiluda-se: As mulheres que fazem férias na neve ( e que no seu entender se fartam de abortar para o poder fazer, pois considera esse comportamento “algo que é do domínio público e óbvio para toda a gente"), nunca são presas nem julgadas.
Nunca.
Já agora, não é assim tão óbvio para toda a gente.

2 - "E acha mesmo que a ameaça de julgamento e prisão não desincentiva pelo menos algumas mulheres de abortarem ou as incentiva a terem mais cuidado e evitarem uma gravidez indesejada?”
Vou desiludi-lo mais uma vez.
Em Portugal, quem quiser abortar e tiver condições económicas para isso ( ou um determinado estatuto social) pode faze-lo sem medo de represálias penais. E quem quer mesmo abortar, mesmo que não tenha condições económicas, aborta mesmo, independentemente de sanções penais.
E já agora, não são vocês que afirmam em grandes parangonas que não há em Portugal mulheres presas por terem feito aborto?
Não são vocês que defendem a suspensão de todos os julgamentos? Defendem uma coisa e o seu contrário?


3 - O estudo da A APF demonstra que se realizam, em Portugal e por ano, de 17200 a 18000 abortos clandestinos. Correcto. O que vai de encontro á previsão de abortos clandestinos em Portugal feita por organismos internacionais em áreas da saúde.
Segundo o estudo, um terço destes abortos clandestinos traz complicações graves que determinam o acesso a serviços de urgência no SNS. Assim, seriam de 5700 a 6000 mulheres a serem atendidas por ano em estabelecimentos de saúde, devido a complicações resultantes de abortos clandestinos.
Em 2004 e segundo os dados oficiais, cerca de 11 mil mulheres foram atendidas nas urgências hospitalares. Em 2002 5 mulheres morreram por causas de aborto.
Em 2004 e segundo a Direcção-Geral de Saúde, as mulheres assistidas por "aborto fora do quadro legal" foram apenas 1426 (89% por aborto incompleto ou retido, apenas 56 infecções e ausência de mortalidade).
Isto não significa que são apenas estes os casos de aborto clandestino assistidos nas urgências durante esse ano – significa que apenas nesses casos foi possível determinar clinicamente, sem sombra de dúvidas, que a situação de urgências estava relacionada com aborto provocado.
Ou seja, na maior parte dos milhares de casos anuais de atendimento em urgências por complicações de aborto, não é possível saber clinicamente se o aborto foi provocado ou espontâneo. Ora, porque há algum medo de retaliação penal ( que não funcionou a montante), nenhuma mulher chega a um banco de urgências com hemorragias e admite ter feito um aborto clandestino.
O que significa que os números das estatísticas oficiais não correspondem ao número efectivo de urgências obstétricas devido a abortos induzidos.
Ou seja - é tão desonesto intelectualmente afirmar que só houve 1426 atendimento no SNS de vítimas de aborto clandestino em Portugal no ano de 2004, como afirmar que todos as 11 000 urgências decorrentes de aborto que ocorreram nesse ano foram por abortos provocados. ( AS duas leituras são possíveis).

Concluindo - Os números do estudo em causa enquadram-se integralmente nas estatística oficias de atendimento de mulheres em serviços do SNS por complicações relacionadas com aborto.
O que sabemos é que os abortos clandestinos formalmente “diagnosticados” são a ponta do iceberg. E que os médicos não fazem perseguições criminais.
De acordo com números oficiais do Ministério da Saúde de 2006, seis mil mulheres são anualmente atendidas nos serviços de saúde pública por complicações com abortos mal realizados. Cerca de mil são consequência de intervenções ilegais. Os outros cinco mil são essencialmente abortos autoprovocados com uso de um medicamento abortivo acessível em farmácias.


Mas compreendo as vossas técnicas de marketing.
 
Os melhores textos sobre a casualidade com que algumas mulheres utilizam o aborto são da Fernanda Câncio, essa acérrima defensora do Sim. No blogue dela transcreveu há pouco tempo um e-mail deuma leitora que dizia conhecer uma mulher que fazia do aborto um método de contracepção (para dizer logo de seguida que eram estas pessoas que votavam Não!). Também na entrevista que a Fernanda Cãncio fez a uma enfermeira que praticava abortos, essa enfermeira dizia já ter feito ela própria alguma coisa como 4 abortos (tenho ideia que ela não sabia o número certo) e que tinha clientes que iam lá abortar e que voltavam um mês depois porque se tinham "descuidado" novamente.

E não, falar de comportamentos muito reprováveis de algumas mulheres não implica uma opinião má sobre todas as mulheres.
 
Da entrevista referida pelo Kephas:
I’ve seen guys drop girls off at the abortion clinic, pay for the abortion, sit around and wait until they hear the suction machines start – then they know it’s over and they’re gone. Won’t even take her home! I’ve seen that more than I can remember.

Por opção da mulher? Pois.
 
Ou seja, quer o anónimo quer o JAL reforçam que a minha convicção - o aborto clandestino, baseado numa lógica do lucro e do mercado, consequ~encia directa da actual leguislação não contribui para dimunuir o número de abortos.
 
bluesmile,

1 –Afirmação ridícula é dizer que há mulheres que fazem abortos pra ir fazer férias na neve.
Duas questões diferentes: (1) se há ou não mulheres que fazem abortos para não terem que desmarcar as férias na neve e (2) se a Lei deve ou não permitir que se aborte para não se ter que desmarcar as férias na neve.

1) "não ter que desmarcar as férias na neve" foi originalmente usado como mero exemplo para um motivo fútil (e inaceitável) para terminar com uma vida humana em formação. Se é férias na neve, na praia ou no campo, não ser fotografada "de barriga" num casamento ou batizado, ou qualquer outro motivo fútil, isso é irrelevante. A realidade é que há, de facto, mulheres que abortam por motivos fúteis e a bluesmile pretender que não é mero autismo.

2) A bluesmile parece acreditar que abortar para não ter que desmarcar as férias na neve é um comportamento tão inacreditável que a mera menção da possibilidade de haver mulheres que o façam é um insulto a todas as mulheres.
Só que as pessoas, homens e mulheres, são capazes de tudo e a História ensinou-nos isso da forma mais chocante. Acha mesmo que a Lei deve permitir o aborto "por opção da mulher", abrindo a porta a que se aborte para, por exemplo, não ter que desmarcar as férias?

Quanto ao condição feminina vs condição masculina, não merece resposta.

As mulheres que fazem férias na neve ( e que no seu entender se fartam de abortar para o poder fazer, pois considera esse comportamento “algo que é do domínio público e óbvio para toda a gente"), nunca são presas nem julgadas.
No meu entender "se fartam de abortar"?! A bluesmile lê aquilo que escreve? Ou, precisamente por ler o que escreve, assina com pseudónimo para não ter que responder por tamanhos disparates?

Não são vocês que defendem a suspensão de todos os julgamentos?
Eu não e, pelo que posso verificar, nem os autores do blogue do não. Se alguma coisa foi escrita aqui sobre essa matéria foi precisamente o contrário: que quem viola a Lei deve ser julgado.

(JAL) Em 2004 e segundo a Direcção-Geral de Saúde, as mulheres assistidas por "aborto fora do quadro legal" foram apenas 1426 (89% por aborto incompleto ou retido, apenas 56 infecções e ausência de mortalidade).
(bluesmile) Isto não significa que são apenas estes os casos de aborto clandestino assistidos nas urgências durante esse ano – significa que apenas nesses casos foi possível determinar clinicamente, sem sombra de dúvidas, que a situação de urgências estava relacionada com aborto provocado.

Quais são as complicações possíveis de um aborto provocado, além de aborto imcompleto ou retido e infecções? A bluesmile acha mesmo que os médicos não sabem distinguir complicações de aborto de outros males? Que há mais mulheres a serem assistidas por complicações resultantes de abortos clandestinos do que de aborto espontâneo?

Acha mesmo que os registos dos hospitais, em que os médicos indicam se as mulheres sofreram um aborto, são menos fiáveis do que um estudo em que foram realizadas apenas 2000 entrevistas e das respostas foi feita uma projecção estatística? Tenha dó.

Ou seja, na maior parte dos milhares de casos anuais de atendimento em urgências por complicações de aborto, não é possível saber clinicamente se o aborto foi provocado ou espontâneo.
Suponho que a bluesmile seja médica e a sua afirmação derive de experiência. Eu, que não sou médico mas falei com alguns, digo que, na esmagadora maioria dos casos, os médicos sabem perfeitamente como distinguir uns casos dos outros.

De acordo com números oficiais do Ministério da Saúde de 2006, seis mil mulheres são anualmente atendidas nos serviços de saúde pública por complicações com abortos mal realizados. Cerca de mil são consequência de intervenções ilegais. Os outros cinco mil são essencialmente abortos autoprovocados com uso de um medicamento abortivo acessível em farmácias.
Peço-lhe que indique o link para esse documento do Minístério da Saúde, segundo o qual quase não existem abortos espontâneos. Ou estes aparecem à parte dos tais seis mil?

Só por curiosidade, os 17200 a 18000 abortos clandestinos a que a APF se refere inclui os abortos autoprovocados? Eu tinha a ideia que não.

Mas compreendo as vossas técnicas de marketing.
Não, nem por isso.
 
Cara bluesmile:
Na tentativa de conseguir encetar um diálogo consigo, responder-lhe-ei mais uma vez:
1. Será muito difícil compreender que o exemplo das férias da neve serve apenas para ilustrar que o aborto poderá ser realizado sem qualquer motivo caso o Sim ganhe? Quem colocou toda esta tónica na mulher não fomos nós e sim vocês (desde o princípio deste debate para o 1º referendo)! Como não quero andar a repetir-me remeto-a para o meu comment do post "Ignorância Conveniente"
2. Desde quando um crime se torna algo certo por causa das desigualdades sociais? Está certo que há montes de gente rica que comete corrupção empresarial e outros "crimes de colarinho branco" e escapa impune, mas não vejo nisso qualquer motivo para a sua legalização, a fim de democratizar estes flagelos! Como em todos os crimes (que, repito, nunca foram aniquilados pela presença de uma Lei), já se sabe que as pessoas com mais meios escapam... vai-se acabar com a Lei Penal na sua totalidade?
Nós lutamos, mais do que por motivos legais, por mudanças de consciência! E a bluesmile não está a ajudar nada nesse campo!
3. Mais uma vez, as estatísticas não me dizem nada! Está em causa o direito do embrião à Vida e a desenvolver todo o seu potencial! De qualquer das formas gostaria de salientar a incoerência da fragmentada, cujo primeiro ponto foi que, sendo o aborto ilegal, não se lhe conhecem os números... e depois aplaude a resposta magistral da bluesmile carregadinha de estatísticas! Afinal o marketing é uma coisa bilateral neste debate...
Cumprimentos

P.S. Lamento ver que ninguém da ala do Sim comentou o post sobre o Vida Norte.
 
Caro anónimo (16/12/06 17:30):
Se leu a entrevista que eu recomendei no comment acima, poderá ver que o aborto legal também se reveste de "uma lógica de lucro e mercado" e, muitas vezes, com poucos escrúpulos para com a mulher (já nem falo do atentado à ética que isto é para o embrião)
Cumprimentos
 
Sabia que...

Não há mulheres detidas pelo crime de aborto em Portugal ....... >>>>> porque o juiz foi simpático, pois estas mulheres não tinham antecedentes criminais? Mas podia ter sido diferente.

Em 2005 realizaram-se 906 abortos legais em Portugal ....... >>>>> Imaginamos nós agora os milhares de abortos clandestinos que não foram feitos! Sem condições, sem acompanhamento, sem aconselhamento.

Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de abortos clandestinos ....... >>>>> É obvio que as que morreram por terem feito um aborto clandestino em algum vão de escada, não chegaram às urgências dos hospitais. Essas nem sequer se tornaram um número.
O número de abortos clandestinos está calculado em 1800 por ano ....... >>>>> Calcular, um verbo credível e inquestionável. Calculado por quem?

Em todo o mundo, o aborto sem invocar qualquer razão (EH PÁ.... NÃO TENHO NADA PARA FAZER... VOU ABORTAR! ) é permitido em 22 de um total de 193 países. ....... >>>>> Mas desses 193 muitos como a Serra Leoa, a Gâmbia ou o Cambodja ainda andam a lutar por manter vivos os bébes que nascem! A luta infelizmente ainda é outra. Em relação aos Estados-membros da União Europeia (a comparação lógica a fazer), realizam-se IVGs em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados em TODOS os Estados-membro à excepção de Portugal, Irlanda e Polónia. Três.

62% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares superiores a 65.000 euros por ano ....... >>>>> Ora; serão 5.410 Euros por mês. Se forem uma familia de 4, a viver no Reino Unido, por exemplo, depois de pagar impostos esta familia terá cerca de 3.200 Euros por mês. Parece muito? Não é. Faça as contas: naquele país um passe de metro custa cerca de 135 Euros por mês , em vez de 17. Todos os números são relativos.

6% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares inferiores a 7000 euros. ....... >>>>> Isto para dizer que as pobrezinhas não abortam? Ou abortam menos?

A pílula do dia seguinte é comercializada em Portugal desde 1999, sem necessidade de receita médica. É dispensada gratuitamente em centros de saúde desde 1 de Dezembro de 2005 ....... >>>>> Aliás, nestes mesmos centros distribuem-se (não se dispensam...) métodos anticonceptivos para além de conselhos úteis acerca da sexualidade e afectividade das nossas relações. Nunca foi? Não sabe o que perde, é grátis, está cheio de pessoal especializado e no final traz para casa a protecção necessária para não recorrer ao aborto. Afinal há melhores coisas para fazer.

A taxa de natalidade em Portugal baixou para metade nos últimos 40 anos ....... >>>>> A nossa e a de todos os países europeus com o sem aborto despenalizado. Em Portugal ter um filho significa pagar livros escolares que mudam todos os anos, pagar 7 euros por cada pacote de fraldas, tudo acumulado com as prestações de uma casa que se comprou a 50 anos, enquanto se trabalha a recibos verdes.

Em 2005, a média de filhos por casal foi de 1,5, tendo-se registado apenas 109.000 nascimentos, permanecendo abaixo do nível de renovação das gerações (2,1) ....... >>>>> (LER PONTO ANTERIOR e respirar fundo em seguida)

Em 2006, a Alemanha aprovou um incentivo à natalidade de 25 mil euros por cada nascimento ....... >>>>> Quem nos dera a nós! E em França também o fazem. No país onde há uma Lei igual à que eu quero (onde as mulheres não são presas por fazerem um aborto até às dez semanas) há actualmente uma explosão de natalidade e este país lidera mesmo a Europa com um número recorde de 830,9 mil nascimentos no ano de 2006! O país recuperou os níveis de natalidade de há 25 anos atrás e fez disparar a taxa de natalidade para a mágica cifra de 2 filhos por mulher - muito próxima do nível de 2,07 filhos por mulher que garante a renovação das gerações.

Por isto, por tudo e ainda porque acredito que a mulher que não quer ser mãe não deve ser forçada a trazer mais uma criança a este mundo, voto SIM.

Voto sim, porque se tivesse engravidado aos 14 anos, com a mesma idade da rapariga que se esvaiu em sangue até à morte depois de ter feito um aborto clandestino, também o teria feito. Mas eu não iria morrer nunca!Derivado ao facto de pertencer à chamada classe média alta, teria ido a Espanha ou Inglaterra para abortar. Longe dos olhares dos outros, com cuidados médicos, sem julgamentos. Haja dinheiro.

Porque a maternidade é para a vida. Exige preparação e confiaça. Hoje adulta, com todas as condições já não o faria. Mas isso sou só eu, por isso voto SIM.

Mãe Joana
 
Sabia que...

Não há mulheres detidas pelo crime de aborto em Portugal ....... >>>>> porque o juiz foi simpático, pois estas mulheres não tinham antecedentes criminais? Mas podia ter sido diferente.

Em 2005 realizaram-se 906 abortos legais em Portugal ....... >>>>> Imaginamos nós agora os milhares de abortos clandestinos que não foram feitos! Sem condições, sem acompanhamento, sem aconselhamento.

Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de abortos clandestinos ....... >>>>> É obvio que as que morreram por terem feito um aborto clandestino em algum vão de escada, não chegaram às urgências dos hospitais. Essas nem sequer se tornaram um número.
O número de abortos clandestinos está calculado em 1800 por ano ....... >>>>> Calcular, um verbo credível e inquestionável. Calculado por quem?

Em todo o mundo, o aborto sem invocar qualquer razão (EH PÁ.... NÃO TENHO NADA PARA FAZER... VOU ABORTAR! ) é permitido em 22 de um total de 193 países. ....... >>>>> Mas desses 193 muitos como a Serra Leoa, a Gâmbia ou o Cambodja ainda andam a lutar por manter vivos os bébes que nascem! A luta infelizmente ainda é outra. Em relação aos Estados-membros da União Europeia (a comparação lógica a fazer), realizam-se IVGs em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados em TODOS os Estados-membro à excepção de Portugal, Irlanda e Polónia. Três.

62% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares superiores a 65.000 euros por ano ....... >>>>> Ora; serão 5.410 Euros por mês. Se forem uma familia de 4, a viver no Reino Unido, por exemplo, depois de pagar impostos esta familia terá cerca de 3.200 Euros por mês. Parece muito? Não é. Faça as contas: naquele país um passe de metro custa cerca de 135 Euros por mês , em vez de 17. Todos os números são relativos.

6% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares inferiores a 7000 euros. ....... >>>>> Isto para dizer que as pobrezinhas não abortam? Ou abortam menos?

A pílula do dia seguinte é comercializada em Portugal desde 1999, sem necessidade de receita médica. É dispensada gratuitamente em centros de saúde desde 1 de Dezembro de 2005 ....... >>>>> Aliás, nestes mesmos centros distribuem-se (não se dispensam...) métodos anticonceptivos para além de conselhos úteis acerca da sexualidade e afectividade das nossas relações. Nunca foi? Não sabe o que perde, é grátis, está cheio de pessoal especializado e no final traz para casa a protecção necessária para não recorrer ao aborto. Afinal há melhores coisas para fazer.

A taxa de natalidade em Portugal baixou para metade nos últimos 40 anos ....... >>>>> A nossa e a de todos os países europeus com o sem aborto despenalizado. Em Portugal ter um filho significa pagar livros escolares que mudam todos os anos, pagar 7 euros por cada pacote de fraldas, tudo acumulado com as prestações de uma casa que se comprou a 50 anos, enquanto se trabalha a recibos verdes.

Em 2005, a média de filhos por casal foi de 1,5, tendo-se registado apenas 109.000 nascimentos, permanecendo abaixo do nível de renovação das gerações (2,1) ....... >>>>> (LER PONTO ANTERIOR e respirar fundo em seguida)

Em 2006, a Alemanha aprovou um incentivo à natalidade de 25 mil euros por cada nascimento ....... >>>>> Quem nos dera a nós! E em França também o fazem. No país onde há uma Lei igual à que eu quero (onde as mulheres não são presas por fazerem um aborto até às dez semanas) há actualmente uma explosão de natalidade e este país lidera mesmo a Europa com um número recorde de 830,9 mil nascimentos no ano de 2006! O país recuperou os níveis de natalidade de há 25 anos atrás e fez disparar a taxa de natalidade para a mágica cifra de 2 filhos por mulher - muito próxima do nível de 2,07 filhos por mulher que garante a renovação das gerações.

Por isto, por tudo e ainda porque acredito que a mulher que não quer ser mãe não deve ser forçada a trazer mais uma criança a este mundo, voto SIM.

Voto sim, porque se tivesse engravidado aos 14 anos, com a mesma idade da rapariga que se esvaiu em sangue até à morte depois de ter feito um aborto clandestino, também o teria feito. Mas eu não iria morrer nunca!Derivado ao facto de pertencer à chamada classe média alta, teria ido a Espanha ou Inglaterra para abortar. Longe dos olhares dos outros, com cuidados médicos, sem julgamentos. Haja dinheiro.

Porque a maternidade é para a vida. Exige preparação e confiaça. Hoje adulta, com todas as condições já não o faria. Mas isso sou só eu, por isso voto SIM.

Mãe Joana
 





blogue do não