É Feio Falar em Dinheiro...


... quando o que está em questão são vidas humanas, mas 20 a 25 milhões pagos por si e por mim para eliminar crianças com menos de 10 semanas de vida é algo que não pode deixar de ser considerado nesta discussão.

Comentários:
Não acham curioso que os abortos feitos no SNS sejam muito mais caros que os feitos nas clínicas privadas em Espanha? Por que será?
 
Sugestão:

Quando pagarmos os impostos, deverá haver uma opção a indicar se o cidadão quer que o seu dinheiro financie políticas de apoio à maternidade ou políticas de apoio à IVG (como lhe chamam).

Sempre queria ver quem é que ia apoiar a segunda medida!

Liliana
 
isto sim deve-se discutir.
 
criança de 10 semanas?... e o pacheco pereira é que é intelectualmente desonesto.
estou elucidada.
 
Cara Ana Mafalda:

Nunca chamei intelectualmente desonesto ao Pacheco Pereira e, mais do que isso, não concordaria com essa qualificação.

Dito isto, por favor entenda que toda a minha argumentação nesta discussão da despenalização do aborto assenta em denunciar que o vosso campo não quer/não consegue ver que um feto de dez semanas e uma criança recém-nascida são, substancialmente, uma e a mesma pessoa, separados apenas por umas 26 semanas e um processo natural normal, a gestação. Defender o contrário implica, ou má fé, ou falta de vontade de considerar a evidência dos factos e da lógica.

Assim, faça o favor de me permitir usar, para efeitos de argumentação do meu ponto, mas também com valor substancial, a expressão «criança com 10 semanas» para falar de um ser humano concebido há 10 semanas.

Agora sim, está elucidada.
 
Você come uma pevide e diz que o melão é maduro?
Porque a questão é que entre a pevide e o melão apenas há umas semanas na terra. Pelos seus argumentos nada de biologicamente significativo.
Vc não é desonesto ...vc é mais para o marreta.
 
pois é caro jorge lima, o amigo quer ir a todas: chama crianças de 10 semanas, num lado e diz que são vidas humanas irreferendáveis, por outro é a favor da lei em vigor e já aceita que haja quem as MATE, dentro de certas circunstãncias externas às crianças de 10 semanas.
MATAR CRIANÇAS, JORGE LIMA?

quem tem duvidas destas raramente pode ser levado a sério como porta-estandarte...
pense lá bem...
 
Anónimo: podia respoonder-lhe uma série de coisas, mas, ao contrário de si, vou contribuir para a dignificação deste blogue...
 
(Já percebi que há vários juristas a aceder a este “blog”. Agradecia que me ajudassem a fundamentar este comentário, por favor.)

De acordo com a legislação actual, se determinado indivíduo, homem ou mulher, for atropelado e sofrer danos corporais, tem direito a uma indemnização. No entanto, caso se venha a provar que a vítima, sendo mulher, estava grávida no momento do atropelamento (e aí não há quaisquer considerandos sobre tempos de gestação), a indemnização é MAIOR.

Não será este um sinal claro de que a nossa legislação, na realidade, considera JÁ a vida humana desde o momento da concepção...? Não quer isto dizer que o tal “feto” que o lado do “Sim” tanto menospreza na realidade é já considerado, em termos legais, “algo” com valor, ainda que sem personalidade jurídica...?
 
Ana Mafalda:

Em primeiro lugar, não sou porta-estandarte de nada, mas um mero peão numa luta em que acredito.

Quanto às questões que levanta de novo, remeto-a para a resposta que já lhe dei ao seu comentário. Está lá tudo. Não a convence, mas está lá tudo.

Um abraço
 
pois está, jorge lima, pois está... o problema é esse...
 
Caro anónimo:
A questão da pevide e do melão é falaciosa e já me foi apresentada várias vezes.
Para já, um vegetal não tem nem nunca terá a dignidade de um ser humano.
Segundo: A pevide e o melão são de facto uma e a mesma entidade biológica separada pelo tempo. O problema não está no "ser" e sim no "comer". Nunca uma vida humana seria avaliada por motivos puramente utilitaristas. O seu comentário diz pura e simplesmente que uma criança de 6 anos e o mesmo adulto de 20 não são a mesma pessoa só porque a criança não pode frequentar um curso de faculdade! Sejamos intelectualmente honestos e não misturemos alhos com bugalhos!
Por fim aqgradecia que não me insultasse, pois eu nunca o insultei e sempre procurei ser construtivo e defender aquilo que é logicamente aceitável. Agradeço o mesmo respeito!
 
Mafalda, convenhamos que este post já deu o que tinha a dar, e ninguém convence ninguém. Mas apareça mais vezes. Não é todos os dias que temos por cá adeptos do Sim que dão o nome. A não ser, é claro, que Você seja o Francisco Louçã sob pesudónimo...

Um abraço
 
"Sob a aparência de moderação e bom senso, o texto de Pacheco Pereira encerra em si mesmo aquilo que o autor tanto critica nos outros: pura desonestidade intelectual. É pena.


# Rui Castro : 07/12 02:04 PM"

Não foi o Jorge Lima que chamou intelectualmente desonesto ao Pacheco Pereira, foi o Rui Castro.

Pensei que estavam todos sintonizados... Afinal só ocupam o mesmo espaço blogosférico...

Rectifiquei a minha convicção de união face à sua afirmação.

Pronto! Passem, senhores do SIM, a responder a cada um como cada qual.

Isto está bonito...
 
os comentários a este post fugiram do tema essencial: O papel do Serviço Nacional de Saúde
 
Caro Kephas,
O marreta é ternurento não se ofenda (gostava especialmente do Great Gonzo).
A questão não é falaciosa. A sua resposta é. Entre uma criança de 6 anos e um jovem de 20 há uma continuidade biológica (como entre a pevide e o melão ou o feto e o nascituro) mas, ao contrário dos anteriores, também uma identidade comum e própria. A questão da identidade (e do que a define )levar-nos-ia longe mas claramente existem diferenças de opinião. Para mim a identidade (e a sua continuidade)não se define simplesmente pelo potencial de "ser" algo mas pela "forma de ser" algo. Ora a forma de uma pevide difere da do melão como a do feto de 10 semanas da de um recém-nascido. Ambas possuem o potencial de ser outra coisa com uma identidade própria ("forma de ser")que diverge da sua. Não é esse o caso no exemplo que dá: aos 6 anos claramente não temos potencial para virmos a ter uma identidade diferente daquela que temos ou somos. Claro que aqui entra a opinião: na sua o feto já "é" aquilo que pode vir a ser. Na minha não. É potencial de vir a ser algo que designamos "um ser humano" com a sua identidade própria. Mas claro, como disse, são opiniões. Provavelmente ambas erradas.
 
Anónimo sobre Pacheco Pereira:

Se ler a citação do Rui Castro que V. mesmo transcreveu, verá que ele chama desonesto ao texto, não ao autor.

Surpreendido por não falarmos tods a uma só voz? Vá ao cimo da página ler o nosso editorial.

Suponho que no fim do seu texto, onde disse Sim, queria dizer Não? Por favor, dia 11 faça exactamente o contrário no boletim de voto...

Um abraço
 
Caros Kephas e Anónimo da Pevide:

A ver se nos entendemos: não foi a mim que o AdP chamou marreta? Estou confuso!

Kephas: gabo-lhe a paciência para explicar a história da pevide e do melão, quando a pergunta foi formulada como foi. E teve o mérito de fazer o AdP explicar a sua posição com clareza. De facto o que nos separa é a nossa convicção, que nos parece evidente da observação da realidade, da continuidade biológica (mais do que isso, em termos de património genético) entre feto e ser humano. A sua questão da forma parece-me uma falsa questão, e baseia-se numa concepção sensorial da vida. Tenho esperança de que em breve, quando soubermos ainda mais sobre as caracetrísticas do feto, V. possa mudar de posição. Não que não tenha já os elementos todos. Posso-lhe propor um exercício? Diga para csg próprio se sente existir a tal continuidade entre a criança que sairá do ventre da mãe daqui a dez m inutos e a de 10 anos. Depois, vá recuando no tempo ao longo de 36 semanas, e diga para csg mesmo (ou partilhe aqui cnc) quando se dá essa tal descontinuidade de que fala.

Um abraço.

PS: fico contente por o «Marreta» ser ternurento. Posso agora confessar-lhe que resisti à tentação de lhe chamar cabeça-de-pevide...
 
Claro que se baseia numa negação (ou pelo menos sérias dúvidas) sobre se há algo a que possamos chamar "essência". Mas compreendo a sua posição da continuidade. Infelizmente a "vida" não tem botão "On" bem identificável só tem "Off". Torna as coisas mais dificeis. Quanto ao seu exercício é interessante mas na realidade "ser humano" para mim inclui um conjunto de atributos que não existem no feto. Só uma posição que passe por uma visão de "dádiva de vida" ligada decidamente a alguma forma de teísmo pode conceber essa realidade presente a partir do zigoto. Não a partilho; para mim um zigoto é uma célula não é um "ser humano".
 
Caro Anónimo da Pevide:
Fico feliz por ver que este é um debate digno e que não nos insultamos mutuamente. Se alguma vez eu faltar ao respeito a alguém agradecia que me chamassem a atenção. Porque este é um tema sério e que merece frieza de raciocínio. Concordo com o seu post: temos concepções difernetes e eu acredito na potencialidade: ou seja, um Ser Humano tem o direito de existir, quanto mais não seja para desenvolver o seu potencial. Isto é reconhecido na criança já nascida, não percebo porque não já no embrião.

Quanto ao exercício que me propôs, jorge Lima, encontro o momento da descontinuidade na concepção. É nesse momento que surge, a partir de duas células com o código genético imcompleto, uma única com todo o código de um Homo Sapiens e DAQUELE Homo Sapiens. Ás dez semanas não acontece nenhum evento biológico significativo, e todos os orgãos e tecidos de um recém-nascido derivam de um processo contínuo que se iniciou neste momento. É um terreno pantanoso, mas não se pode negar que o zigoto e o recém-nascido são uma e a mesma entidade biológica, em diferentes estadios de desenvolvimento.
Lamento se o comment foi muito longo. Saudações
 
Caro Kephas:

O exercício da descontinuidade,propu-lo ao Anónimo da Pevide, não a si. O que V. disse, nomeadamente neste seu último comentário, subscrevo-o pixel por pixel.

Um abraço,e apareça sempre
 
Evidentemente... Parece pouco.
A saúde pública das mulheres merece mais e melhor. Orçamento superior a esse recebem os grupos de teatro independente para produzir lixo que apelidam de cultura.

Subscrevo inteiramente a indignação do autor do post, sob pena de, como já aqui foi dito, a eliminação do aborto clandestino não passe do papel por falta de fundos.
 
Caros Jorge, Kephas, AdP e leitores:
Supondo que Kephas me dá licença, continuo o seu comentário anterior dizendo que me parece curioso como a ciência serve para umas coisas, mas depois já não é considerada para outras. Leia-se o artigo referido no post com o título "807" feito neste blogue e atente-se em particular nos últimos 3 parágrafos daquele artigo.
Em face disto, parece evidente que as sucessivas revelações que a ciência nos vai oferecendo tendem a reforçar a validade do raciocínio que Kephas e todos (suponho) os defensores do não no referendo fazem. Note-se que não quero dizer com isto que considero fundamental haver prova científica da humanidade do ser vivo concebido por homem e mulher - penso até que é uma impossibilidade para a ciência.
Mas também penso que usar a "identidade" - que é diferente de individualidade - como critério para determinar a humanidade de um ser concebido por dois seres humanos, como li num comentário anónimo anterior (12/12/06 11:00), é suficientemente difuso para não poder fundamentar o que quer que seja.
 





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