MEDO, MUITO MEDO

Um tal de António Figueira dedicou-nos esta prosa:
"(...) não há muita conversa que se possa ter com os apoiantes do “não” (...) Uma ilustração da impossibilidade de debater com boa parte dos partidários do “não”, e da sua estranha concepção das relações entre a fé e a lei, está patente num tal de “Blogue do Não”, para o qual uma amiga chamou recentemente a minha atenção. À entrada, o dito blogue tem uma sondagem: “Na sua opinião, existe vida humana às 10 semanas?” Eu não fui ver a resposta, porque acho que a pergunta já chega: os seus autores acham obviamente que há “vida” (seja lá o que isso for) antes das dez semanas, presumivelmente logo que um pingo de esperma se esgueira para fora de um preservativo furado, mas não lhes basta a certeza das suas convicções: em nome delas querem mandar para a prisão quem porventura pense e aja de modo contrário. No fundo, parece tudo uma questão de local e de oportunidade: há trezentos anos, esta espécie de defensores da “vida” devia conviver bem com os rigores da Santa Inquisição; hoje (viva o progresso!) contenta-se em fazer sondagens absurdas num blogue, mas a sua atitude é tão intolerante em relação às convicções alheias como sempre foi."
Ainda bem que o rapazinho que escreveu este texto não está, e espera-se que nunca venha a estar, no poder. Caso contrário, suspeito que o destino de todos os colaboradores do BdN seja uma praça conhecida de Lisboa, que fica ali entre o Saldanha e o Campo Grande.
A propósito, quase que aposto que o António Figueira é daqueles que alterna (não, não estou a chamá-lo de "alternadeiro"!) entre as manifs à porta dos tribunais onde se julgam abortos com mais de 10 semanas e concentrações em praças de touros a protestar contra a violência praticada sobre os animais.

Comentários:
Oh meus amigos, darem importancia a figueiras amargosas é uma perca de tempo.
 
Tem razão, Cláudio. Mas sabe que a mentira, quando repetida muitas vezes, arrisca-se a ser tomada como verdade.
Abraço
 
Rui Castro, mas alguém alguma vez lhe disse que esse seu suposto humor negro tinha piada? É que se lho disseram enganaram-no... Este tipo de comentários mostram exactamente o respeito que tem por pessoas com opinião distinta da sua: nenhum. É suposto esta linha de comentário ser construtiva? Talvez... Mas repare... É asneira pura!!! Continue!! Estou a gostar de ler!
 
anónimo das 17:25,
No mesmo comentário diz que não tenho piada e pede para eu continuar. Há quem lhe chame masoquismo.
Cumprimentos
 
Caro anónimo 17:25:
Embora vexa. tenha uma certa razão, a verdade é que os adeptos do Sim padecem mais do que nos acusa do que nós. Os adeptos do Sim ridicularizam constantemente as nossas crenças, usam da ironia mais destrutiva e utilizam constantemente insultos auto-justificados (p.ex. estamos constantemente a ser chamados "hipócritas" embora não perceba porquê... a nossa posição, sendo uma num tema polémica, deveria ser tão respeitada como a vossa). Note: catalogou o post de "asneira pura" e nem se dignou a dizer porquê... se é assim tanta "asneira" não será difícil explicar-se.
Cumprimentos
 
«Mas sabe que a mentira, quando repetida muitas vezes, arrisca-se a ser tomada como verdade»

ó Rui! Há mentiras que por mais repetidas nunca serão «verdade»!

Eu sou dos que ignora imbecilidades!
 
Ó carago, mas o começo de uma nova vida quando um espermatozóide fecunda um óvulo é matéria de fé, de crença?! Essa azémola que o paciente blogueiro citou não andou na escola? Como nada aprendeu deve ser 'universitário'. Por isso, apenas se pede que consulte um manual de obstetrícia, por exemplo o de Harrison (procure no índice se souber como se faz). Cláudio, mesmo as cavalgaduras tem de ser ensinadas...
 
Uma dúvida: o título do seu post ("Medo, muito medo") quer dizer que António Figueira está com medo dos apoiantes do Não ou que os apoiantes do Não devem ter medo dos Antónios Figueiras? Antecipadamente grata pelo esclarecimento, RMJ
 
Caro RMJ,
Atento o tom de censura e acusatório do post do António Figueira a ideia era transmitir o "medo" que deveríamos de ter perante este tipo de argumentação. Agora que fala no assunto, confesso que começo a pensar que o radicalismo do post que comentei talvez resida no "medo" que os António Figueiras deste Mundo têm daqueles que pensam de forma diferente. Daí as acusações sem sentido, um bocado naquela linha de se dizer que os apoiantes de Cavaco eram fascistas.
Cumprimentos
 
Eh pá! O homem não só não andou na escola como julga que percebe de história! É que sendo eu "merceeiro" fiz umas contas e... "há trezentos anos" a "Santa Inquisição" já era história!... Nessa altura já estavamos na alvorada da "querida" Revolução Francesa!... O AF que leia, por exemplo, os escritos do cientista Lejeune, do Dr. Nathanson ou até, porque não, da própria Sra. Roe.
(Um desabafo!) Já não há pachorra para esta mistura de pró-vida/Igreja Católica!...
 
Rui Castro:
Uma coisa que eu gostava mesmo de saber é o seguinte: o que é que você e os partidários do não entendem por «vida»?
Porque quando afirmam defender a vida, de duas uma: ou se estão a referir à vida em geral, e então consideram que estamos a cometer um crime (pelo qual o Estaddo tem o direito e o dever de nos punir) sempre que usamos um antibiótico ou cortamos uma alface; ou se estão a referir à vida num sentido mais limitado, e nesse caso deviam dizer onde se situam os limites da vossa definição.
É que eu acredito que um embrião com dez semanas ou menos tem mais em comum com uma alface do que com um ser humano. Pode provar-me o contrário? E se não pode, com que direito se propõe meter na prisão quem não partilha os seus pressupostos metafísicos?
 
Comparar "manifs à porta dos tribunais onde se julgam abortos com mais de 10 semanas e concentrações em praças de touros a protestar contra a violência praticada sobre os animais" é o mesmo tipo de comentário e asneira que sua Santidade o Papa teve ao comparar o aborto com o terreorismo. É preciso escrever mais??? (http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF176508)
Acham que é possível fazer este paralelo??? Devem estar a brincar!!!
 
Cara Fragmentada, por incrível que lhe possa parecer, eu e muitos outros concordamos inteiramente com as comparações feitas tanto pelo Rui Castro como por S. Santidade o Papa. Já comparar um ser humano com um rato ou uma alface!... (quem é que anda a brincar?)

Caro Quiron, talvez você já tenha sido uma alface mas eu tenho a certeza de que nunca fui. Na Idade Média também se pensava (entre muitas coisas do género) que o trigo se transformava em ratos, pelo que essa sua afirmação caberia melhor a nós, brutos medievais, do que a si, um iluminado modernista.

Só para acabar, quando falamos de vida, entenda-se duma vez por todas, que falamos de vida humana. O que queremos dizer é que estamos perante um ser humano, que deve ser (e geralmente é) respeitado na sua dignidade, mesmo depois de morto, e que, além disso, esse ser humano está vivo, pelo que não temos o direito de o matar.
 
Caro quiron,

lamento informá-lo mas se acha que algures no tempo foi igual a uma alface talvez esteja na altura de contratar um psiquiatra.
As provas que nos pede sobre a humanidade do embrião são-lhe dadas pelos médicos embriologistas e podem dissipar-se facilmente se pensar que o embrião é portador do código genético que o acompanhará em todas as etapas da sua vida.
Talvez por isso, e ao nível do ordenamento jurídico, ao embrião sejam reconhecidos direitos.
Mas se acha que os pressupostos de que partimos são metafísicos explique-nos então por que razão se torna legítimo considerar crime o aborto às 10 semanas e um dia. Haverá um salto qualitativo que determine a passagem da alface à humanidade?
Cumprimentos
 
Vocês do não são realmente muito engraçados. Gostava de perguntar como é possível criar-se um movimento supostamente tão pró-vida absolutamente desligado de tudo quanto é tão obviamente vida. Este movimento - e eventualmente o do sim também - parece uma obsessão paranóica. TOLERÂNCIA, amor pelo próximo, respeito! Tudo isso é vida. A vida vai muito além do vosso umbigo pseudo-intelectual e obsessivo.

Pronto. e já agora para ajudar à hipocrisia: muitos cumprimentos
 
Mafalda e outr@s ilustres escribas: a vossa argumentação, embora esforçada, é insuficiente para me convencer de que, em termos morais, partir um ovo acabado de chocar pela galinha é igualzinho a quebrá-lo quando o pinto já está formado. No primeiro caso, temos ainda e apenas um ovo, programado para (eventualmente, se tudo correr bem), um dia ser um pinto, que já praticamente o é no segundo caso.

Se não percebem a diferença, puxem pela cachimónia. Se acham que os que votam SIM são todos uns assassinos de crianças (ou seja, comunistas?) ou, no mínimo, uns badamecos irresponsáveis, então continuem como sempre forem.

Mas enquanto há vida há esperança, não desistam de aprender nunca.

Eu voto SIM, convictamente, conscientemente, responsavelmente e sou, obviamente, pela VIDA, e respeito (e até admiro) os que, ao nível pessoal e íntimo, entendam que o aborto (não sendo embora um infanticídio, ao contrário do que diz o palerma do Ratzinger) é um atentado à Criação divina e não o pratiquem (e mesmo o desaconselhem).

Mas daí até arrogarem-se o direito de impor essa crença aos outros vai um passo de gigante: o passo da intolerância e do fanatismo!

Votem bem e em consciência.
 





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