AVES RARAS

Sabia que espécies como a cegonha branca estão protegidas por lei? E que foi condenada a 80 dias de prisão, substituídos por uma multa, uma pessoa que destruiu uns ninhos destas aves, onde se encontravam 23 ovos?
E que, sendo aprovada a nova lei sobre o aborto, os fetos até 10 semanas terão menos direitos que os “fetos” das cegonhas brancas em qualquer fase da sua gestação?
Para quem defende o Sim no referendo e acusa os defensores do Não de incoerência, acho que ficamos por aqui.

Comentários:
E que tal uma área demarcada para certos espécimes em vias de extinção...?

":O?
 
É por estas e por outras que o NÃO não vai lá...

É uma pena. É mesmo uma lástima. Mas enfim, é o que somos e o que temos
 
Vamos a ver, se o Não não vai lá. E quer queira quer não, cara Zazie, este post toca na ferida. Vivemos numa sociedade em que se protege uma cegonha - e bem - porque ela é telegénica, e se elimina um ser humano, por ser minúsculo e estar oculto no ventre da Mãe. Se a cara Zazie quisesse pensar um pouco em vez de se dar ares de paternalista, encontraria semelhanças, do ponto de vista de mudanças de mentalidades, entre a defesa actual da vida do feto nas sociedades ditas pós-modernas, e as campanhas históricas para abolir a escravatura, ou para acabar com a pena de morte. Mas, hélàs!, quando o sábio aponta para a Lua, o néscio olha para o dedo... É uma pena. É mesmo uma lástima. Mas enfim, é o que são e o que têm...
 
Cara zazie:
"E que, sendo aprovada a nova lei sobre o aborto, os fetos até 10 semanas terão menos direitos que os “fetos” das cegonhas brancas em qualquer fase da sua gestação?" - penso que é um bom argumento, desculpe...
Cumprimentos
 
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Arrrghhhhhhh!....
 
A "cara zazie" já se pronunciou em muito lado.
Se o caro Jorge estiver interessado basta-lhe ir ao Quase em Português, ao Timshel; ao Arrastão e ler os meus comentários.

Agora que este post empata com o aborto ecológico à Natureza do Mal, é verdade.
O problema é que para empates dessa ordem não havia necessidade.

Quanto ao meu voto, ainda nem sei. Sei que não voto SIM e sei que me apetecia votar contra o próprio referendo. Esta ideia de uma alínea da lei ser referendada pelo povo é uma coisa abstrusa.

Quanto ao resto, só tenho uma certeza: o SIM não tem argumentos éticos, apenas pragmáticos. O NÃO tem uma lei lixada no activo para poder conciliar muitos outros sentidos de voto que poderiam pender para ele.

O NÃO parte com muitas desvantagens. A principal será a da lei mas há outra: é também o espelho do nosso próprio atraso de mentalidades.

Não há conservadorismo moderno. Há conservadorismo excessivamente bafiento. É pena. Talvez daqui a umas décadas se chegue lá.

Entretanto os conservadores é que vão começar a precisar de reservas para o poderem ser, sem irem para o Index.

Por aqui o Pedro Picoito ainda dá uma chama, mas o Eduardo Nogueira Pinto já desapareceu há muito...


O principal centro do vosso interesse devia ser a questão da tendência para a irresponsabilidade.

As mulheres que por aqui andam, em vez de perderem tempo em "apoios aos mais fracos dos homens" ou a andar sempre com os filhinhos na boca, deviam desmontar o machismo que está encoberto na delegação de responsabilidades. E deviam mostrar ainda mais como o feminismo fora de prazo passou do queimar soutiens na praça pública para o direito a "arrancar fetos".

E pegarem na novilíngua dessa fraude da "opção" Dessa fraude do livre-arbítrio transformado em ética reciclável que tanto dá para uma coisa como para o seu contrário.

V.s tinham um mundo de valores a explorar sem precisarem de cair no moralismo.

Mas enfim. O problema é mesmo esse.
 
Zazie,
Sabe que mais? Gostei de ler quase tudo o que escreveu...
Recomendo-lhe que leia artigos aqui publicados e já em arquivo, e cerá que já se disse muito, senão tudo, quanto gostaria de nos ouvir dizer.
Repetiremos sempre que necessário, até à exaustão. Vá aparecendo, ainda faltam 3 semanas.
 
Tem a certeza de que é a mesma Zazzie? Pois, eu desta vez também concordei com uma boa parte. Mas quanto à questão geral que levanta, é uma questão de perspectiva, e aqui há várias possíveis. Falar na sociedade pretensamente carinhosa que prefere cegonhas a crianças é uma delas. Falar na tendência para a irresponsabilidade e nas novas encarnações do feminismo é outra. Mas consulte o arquivo: essa sua perspectiva não é inédita aqui no BdN...
 
se alguém vier atirar pedras ou destruir o ninho e os ovos da mulher grávida, acho muito bem que seja condenado.
esse seu argumento é tão atrazado, caríssima moreira, que nem piada tem. e olhe que a maioria das opiniões aqui dos seus "colegas" do não são bem cómicas.
 
se a cegonha for a responsável não é multada. Para exemplos imbecis, réplicas do mesmo calibre
 
Claro que sou a mesma Zazie. A Zazie dans le metro do Raymond Queneau. Faz-lhe confusão porque não sou facilmente classificável.
Isso sei eu. Geralmente passo por uma "facista" reaccionária para uns e uma esquerdalha anti-capitalista para outros.

A única coisa que é capaz de ser verdade é que embirro com a burguesia e o meu modelo é mais Gatopardo de Lampedusa.

";O)
 
Mas, se v.s querem ir para a Ciência força! é que a Ciência sempre serviu para dar carta branca a todas as utopias iluminadas. E não faltam para aí "cientistas" e “filósofos” a trazerem o argumento do direito/não direito do feto senciente. Porque não é pessoa. Ainda agora vi um post do Picoito a chateá-los por isso (já agora porque não o infanticídio)

Mas há mais. Há já quem transforme esse "gerúndio" do que está em criação, numa outra coisa: num nada que nem aos afectos maternais e instintos naturais de manutenção da espécie diz respeito- (porque não vão ser as cegonhas a proteger os nossos embriões; nem quem as protege a ganhar instinto de espécie oposta).

Já falam e nome de uma figura abstracta de feto "fora do corpo". Exterior à nossa humanidade; exterior aos afectos dos progenitores e às responsabilidades do homem que o fez e da mulher que o gera.

Como se fosse problema de laboratório e saber-se se ele vai sentir dor ou não.

Isto é que é grave. Porque faz a cabeça das pessoas. Já li coisas ainda mais aberrantes e até as deixei aí num outro post, em copy paste e com link. Quem diga que, pelo facto de a ciência provar que não tem consciência nem eu, então, a questão do aborto devia ser paritária.
Um homem que não quisesse ter um filho e a namorada ou mulher insistisse nisso contra vontade dele, devia ser levada a optar entre abortar ou "amanhar-se" sozinha. Tudo questão de direitos em pé de igualdade, porque a gravidez passa a ser uma questão de "vontade".

Não há corpo, não há nada lá dentro que tenha direitos, há liberdade de poder deitar fora, então qual é o azar? A maternidade seria um capricho de mulher, como qualquer outro gasto que devia ter em conta o desejo (a posteriori) do parceiro.
Tudo a posteriori.

Este protelamento de responsabilidades, ganhe ou não ganhe o SIM; este egoísmo de cada um por si- perfeitamente a par da tendência do "progressismo" do lucro liberal-, é que me parece ser um sintoma bem mais perigoso. E não me tinha apercebido dele, se não fosse esta história do referendo.
 
Ora bem, parece que a Zazie já começou a perceber qualquer coisa...
 
Já no outro referendo me tinha abstido, pelo que o que me estou a aperceber será mais da ordem da mudança social sobre a questão.

Quanto ao lado pragmático mantenho o impasse.

A questão do aborto será sempre algo que anda no limbo entre o que se faz e o que não se deve fazer.

As condenações são de diversa ordem. Não passam apenas pela lei.
Também tenho a noção que existe um "ponto de não retorno". E que esse ponto não vem apenas do facto do embrião estar mais "senciente" ou não estar. Vem da própria aberração que poderia existir no facto de uma mulher se deixar habituar a uma maternidade e depois em tempo bastante avançado, o fazer abortar.

Pelo que só consigo encontrar variações de censura diversa e até criminal nos últimos tempos. De outro modo tinha também de admitir como mera questão penosa de consciência o próprio infanticídio.

No entanto, se posso achar que existem valores absolutos, à parte esta situação limite (a da gravidez em estado muito avançado), quanto ao restanto não tenho dogmas que me impedissem de achar que poderia ser benéfico facilitar esse mesmo aborto que é feito, em locais decentes.
E, para isso, penso que o critério deveria prender-se com as carências de sobrevivência e as condições sociais verdadeiramente dramáticas.

Porque, aquilo que rejeito é essa ideia que é apenas a mulher que mata o filho.
Muitos serão os casos em que quem a leva isso é muito mais gente. Pelo facto penso que nessas situações sobra demasiada condenação para uma pessoa só.

Esta ideia é perfeitamente oposta à tal proclamação do aborto libertário feminista. Porque aí, para as feministas do "direito de opção" não há sequer compaixão por quem até queria ter o filho e teve azar. Ou pelos azares ou acasos naturais de falhas que depois, pelas condições de vida, não permitem ter a mesma facilidade em ter o filho.

O referendo não mostra nenhuma boa alternativa a tudo isto. Não sei se os males que a lei pode estar a causar serão melhor equilibrados com a proposta que vai a voto.

Se me dissessem que o SNS apenas se destinaria a intervenção social de "alto risco" ou que a lei até era provisória para ajudar a outras intervenções de apoio, ainda era capaz de concordar.


De outra forma só vejo o caminhar para a irresponsabilidade e egoísmo de todos.

Para o facilitarismo e para o pacote dos "direitos de género" que nem precisa do meu empurrão para ajudar a instalar por cá. Já vai por si. tem lobby e anda muito activo a ganhar terreno.
 





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