Caminhada pela Vida


Comentários:
Blá blá blá Mas esta malta do não julga que o povo é todo parvo? O que se pergunta no referendo nada tem a ver com a vida, nem com discriminações, etc. É simplesmente isto: uma mulher que aborte por decisão própria deve ir para a cadeia? Sim ou não? É só isto e é isto que os senhores do Não pretendem camuflar, julgando que o povo é ignorante e parvo.
 
Pois é pela vida porque caminhar dá saúde.
E esperemos que aproveitem a propedêutica para meditar no seguinte: se a lei estivesse a ser cumprida no sentido em que muitos dos defensores do não defendem, ou seja aplicando-se a pena, há muito que a lei já teria sido mudada. E sem referendo. Mas isto é o país das touradas de Barrancos, onde se escreve uma coisa na lei para ter a certeza de que isso não é cumprido.
Quem sabe se algumas pessoas aparentemente insuspeitas teriam de se sentar no banco dos réus caso o sistema judicial funcionasse a sério. E os mais espantados com isso seriam os respectivos conjugues. Capisce?
 
Estou consigo Clara. Acho que tem toda a razão e faço minhas as suas palavras.

Maria
 
Que eu saiba não vai a referendo a despenalização em absoluto do aborto, mas sim até às 10 semanas, portanto a questão da mulheres e da cadeia é falsa porque às 10 semanas e 1 dia a mulher pode na mesma ser penalizada.
 
Foi clara como água, Clara, ao falar dos senhores do Não. Agora só resta estar atenta aos telejornais de dia 28, para ver se a) só marcharão marialvas de espora e pingalim, ficando as pobres cônjuges retidas contra vontade em casa; b) as pobres serão autorizadas a participar para fazer número, mas denunciarão nos seus pobres rostozitos aterrorizados o temor de que os seus senhores descubram que são a favor do Sim.

Tenha paciência, Clara, e sua amiguita anónima. Dia 28, à laia de ensaio geral, e dia 11, como grande estreia nacional, uma sociedade que se tem deixado adormecer pela manipulação que os media têm feito ao longo dos anos a favor do aborto e outras causas fracturantes, virá dizer às Claras que não concorda que se elimine vidas inocentes.
 
Clara e anónimo/a:
Como é que podem apoiar a ideia de que "O que se pergunta no referendo nada tem a ver com a vida”? Acreditam mesmo nisso? Acreditam mesmo que abortar é o mesmo que cortar o cabelo ou as unhas dos pés, como defendia há uns tempos uma pobre rapariga no contexto do tão mediático aparecimento do “Barco do aborto”?
“Esta malta do não”, a quem a Clara tão desdenhosamente se refere, não crê que o povo seja parvo. Pelo contrário.
A “malta do não” acredita, simplesmente, que há outras formas de lidar com a problemática, que não passam necessariamente pela eliminação do embrião, feto, ou o que quer que lhe queiram chamar, mas que para nós é Vida.
A “malta do não” não crê que a liberalização do aborto até às 10 semanas vá acabar com o recurso às soluções de vão de escada, porque a vergonha e o medo vão continuar a existir.
A “malta do não” não distingue uma gravidez de 9 semanas e 6 dias de uma gravidez de 10 semanas e 1 dia. No entanto, de acordo com o referendo que a “malta do sim” está a apoiar, no primeiro caso a Mãe não será julgada e no segundo poderá sê-lo...
Este referendo tem sido, desde sempre, uma questão política. É uma pena que “quem manda” não perceba que, antes do mais, esta é uma questão sociológica, que tem de ser analisada com outros olhos...
 
Cara Clara:

Não é simplesmente isso que vai a referendo! Que grande confusão! Neste momento, o aborto é CRIME e a liberalização torna-lo-ia no oposto, LIVRE. Isto é, não estamos a votar se as mulheres devem ou não ir para a cadeia, estamos a votar se o aborto é legal. Se a pergunta fosse: "concorda com a discriminalização do aborto até ás 10 semanas, para a mulher?", aí garanto-lhe que o SIM ganharia com vantagem. Uma coisa é ser ilegal mas não crime (para a mulher, nesta suposição), um pouco á semelhança daquilo que se fez com os toxicodependentes: que eu saiba, não são criminosos mas também não posso injectar heroína na esplanada do café...

JDC
 
Clara,

O que se pergunta no referendo nada tem a ver com a vida, nem com discriminações, etc. É simplesmente isto: uma mulher que aborte por decisão própria deve ir para a cadeia?
Deve-se concluir que, na sua opinião, no aborto não está em causa uma vida humana? Então o que é que está em causa?

o povo é ignorante e parvo
Quem diz que um referendo sobre a despenalização do aborto a pedido não tem nada a ver com a vida é, de certeza.
 
Exmº Sr Jorge Lima,
Far-me-á, porventura, a fineza de contabilizar quantas dignissimas damas (mães, filhas, tias, sobrinhas...), que se juntarão à vossa mui insigne caminhada, terão abortado (de modo convenientemente anónimo, asséptico e totalmente civilizado, porque no estrangeiro) ou abortariam se a tal se vissem forçadas por conveniência -designadamente social-? Antecipadamente grato.

Noticia de ultima hora: o SIM recolhe um grande apoio de ultima hora: Francisco Louçã irá iniciar uma campanha a favor do NÃO (provavelmente na vossa "longa marcha".
 
"Uma mulher que aborte por decisão própria deve ir para a cadeia? Sim ou não?"

Se o “não” ganhar, o aborto clandestino continuará a ser penalizado. Se o “sim” ganhar, também. Se o “não” ganhar, mulheres que abortem após a décima semana poderão ir para a cadeia. Se o “sim” ganhar, também.

Posto isto, parece-me que quem responde “não” à pergunta acima colocada – e a considera o principal assunto em discussão – terá dificuldade em votar “sim” no próximo referendo.

No próximo referendo não nos irão perguntar se concordamos com a lei actual. Irão perguntar-nos se concordamos com a alteração à lei proposta. Quem acha que uma mulher que aborte por decisão própria não deve ir para a cadeia, e faz desta convicção um valor absoluto, não pode concordar com uma alteração à lei que continua a prever essa penalização.
 
As várias respostas à intervenção da Clara passam ao lado da questão que ela levantou. O referendo é efectivamente sobre a despenalização porque (e acrescento eu para que entendam porque é que se pode afirmar isto) IVGs há de igual modo com ou sem proibição.
 
Acho uma excelente iniciativa. Sugiro que incentivem a utilização, entre outros elementos simbólicos, da bandeira nacional, já que a força do Não é claramente um elemento de afirmação nacional, actualmente.

João Geada
 





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