A ler

Razões de um Não responsável, por Afonso Patrão

Comentários:
Pronto. Depois de um mês a escrever sobre o tema n'A biblioteca de Jacinto, sem revelar a minha posição, resolvi revelá-la. Já era tempo.
 
cara mafalda
o amigo patrão começou tão mal a sua dissertação que talvez por hoje me fique só pelas primeiras linhas e amanhã se verá se tenho "tempo" para o resto do texto.
com que então, só o voto no não é legítimo?
então para que se faz sequer um referendo?
quém deu ao amigo patrão a "legitimidade" para considerar as opiniões e convicções dos outros (milhares de outros) ilegítimas?
está mandatado por deus?
e que autoridade é que isso lhe dá sobre as pessoas (milhões de pessoas) que não acreditam nesse deus ou mesmo em nenhum?
porque é que a moral católica ou mesmo só cristã, que ao longo dos séculos tem dado tão horrendos exemplos de falta de humanidade (ainda hoje vai dando aqui e ali) há-de ser um "farol" para os milhões de pessoas que não podem estar a importar-se menos com essa moral ou sequer com a "ideia" de deus?
porque é que vos é tão difícil concentrarem-se na lei, nas dez semanas, na definição possível, à luz da ciência e não das crenças, da vida humana e consciente, ou não, do embrião e não do feto, ou mesmo da criança ou bébé (como gostam de gritar alguns de vós mais histéricos)?
não seria mais saudável para todos?
espero não estar a ser ofensivo para ninguém, muito menos para si, cara mafalda, a não ser talvez pela arrogância de escrever um texto tão longo.
quanto à sua recomendação de leitura, é como lhe disse. o texto se calhar até é excelente, o amigo patrão a melhor pessoa do mundo, mas começou mal.
amanhã verei se me enganei...
saudações.
 
cara mafalda
afinal a curiosidade foi mais forte.
lá voltei ao texto "final" sobre o aborto, do afonso patrão e afinal a coisa não podia ter corrido melhor.
no fim está lá um comentário de paulo marques que subescrevo palavra por palavra, menos na parte de lhe o ter dito pessoalmente, como é obvio.
e pronto.
sobre o que tinha dito antes sobre a abertura do dito texto, mantenho tudo.
saludos.
 
Caro amigodaonça:
Se me der licença, irei focar-me apenas na parte do seu comment que pode ser utilizada num debate racional, uma vez que grande parte é mais um desabafo do que argumentação. (e já agora, Deus é um substantivo próprio pelo que se escreve com maiúscula, independentemente das suas crenças religiosas).

"porque é que vos é tão difícil concentrarem-se na lei, nas dez semanas, na definição possível, à luz da ciência e não das crenças, da vida humana e consciente, ou não, do embrião e não do feto, ou mesmo da criança ou bébé (como gostam de gritar alguns de vós mais histéricos)?" - meu caro, às 10 semanas, o feto já o é há 2. Embrião deixa de o ser às 8 semanas, pois é quando termina a embriogénese, ou seja, todos os orgãos estão já formados, embora ainda não definitivamente desenvolvidos. Por outro lado, "criança" e "bebé" não são termos científicos pelo que posso aplicá-los conforme o meu conceito de "criança" e "bebé". De igual modo, "vida humana e consciente" também não pode ser definida pela Ciência, pois não existe um "conscientómetro" até surgir a linguagem e isso ocorre muito após o nascimento. O problema é precisamente este... enquanto os adeptos do Não se desmultiplicam em argumentos científicos que comprovam que o embrião é já uma entidade biológica distinta da sua mãe (e que são legítimos do ponto de vista estritamente científico), os adeptos do Sim esquivam-se a essa parte do debate. O que é pena, uma vez que, se é o Sim que quer mudar a lei vigente, deveria caber ao Sim o ónus de provar cientificamente que o embrião (ou feto) não é vida humana até às 9 semanas, 6 dias, 23 horas, 59 minutos e 59 segundos e que é subitamente um ser humano com direito a ser defendido às 10 semanas e 1 segundo.
Cumprimentos
 
Caro amigo da onça,

não foi ofensivo. Nem considero arrogância escrever textos longos.
Deixe-me, porém, contraditá-lo, esperando que, amanhã, com tempo, possa dizer-me mais sobre a sua posição em relação àqueles e outros argumentos.
Duas notas apenas. Pede que nos concentremos na lei. Ora, eu nunca invoquei Deus ou a Igreja Católica para sustentar a minha posição. Nem eu, nem o Afonso. Somos os dois juristas e é como juristas que temos falado sobre o assunto. Faça-nos essa justiça.
Quanto ao início do texto do Afonso, repare que ele não retira legitimidade a quem vota sim. Simplesmente diz que, de acordo com o seu entendimento, apenas considera legítimo votar não. E não se limita a bater o pé e dizer "não, porque não, porque não". Argumenta, expõe as suas ideias. Pelo que, mesmo não gostando do estilo, lhe peço que, a bem do debate, nos diga, então, porque não concorda com o que ali foi escrito.
Um bom fim de semana
 
Portugueses de França estão convosco.
Nem agora nem nunca !
Continuemos o combate até à vitória final no dia de Nossa Senhora de Lourdes – 11 de Fevereiro.
Vejam aqui :
http://ilhas-oceanicas.blogspot.com/
Afonso Rocha
 
Portugueses de França estão convosco.
Nem agora nem nunca !
Continuemos o combate até à vitória final no dia de Nossa Senhora de Lourdes – 11 de Fevereiro.
Vejam aqui :
http://ilhas-oceanicas.blogspot.com/
Afonso Rocha
 
Kephas,

Concordo com o que escreveu com um única ressalva:
se é o Sim que quer mudar a lei vigente, deveria caber ao Sim o ónus de provar cientificamente que o embrião (ou feto) não é vida humana até às 9 semanas, 6 dias, 23 horas, 59 minutos e 59 segundos e que é subitamente um ser humano com direito a ser defendido às 10 semanas e 1 segundo.

O ónus de provar (ou até mesmo apenas argumentar) que não é vida humana até às 10 semanas, sim. O ónus de provar que a partir das 10 semanas e 1 segundo já é, não. Afinal, o que vai a referendo é a despenalização até às 10 semanas, não a penalização a partir das 10 semanas. Não somos nós que dizemos a quem nos chama hipócritas que as excepções actuais não vão a referendo?
 
Caro Joaquim,

no que me diz respeito, sempre me esforcei por explicar a diferença entre as actuais excepções e a que propõem e mostrar que não há qualquer incoerência na sustentabilidade de umas e na frontal oposição à última.
De qualquer forma, o que eu realmente não percebo é por que razão acham que a mulher tem direito ao seu corpo até às 10 semanas de gestação e depois deixa de o ter. Porque é que até às 10 semanas é ilegítimo manter a criminalização e depois deixa de ser. Enfim... tenho pena que nunca me respondam a esta pergunta
 
Amigos e amigas... nesta questão só tenho uma opinião: o sim à vida!
É bom que dia 11 de Fevereiro seja posto um ponto final à hipocrisia dos "defensores do sim";
porque isto NÃO É uma questão política, religiosa, nem muito menos economico-social... É UMA QUESTÃO HUMANA!!

Dever cívico: Votar!
Dever humano: Dizer NÃO!!

Sejam humanistas!

P.S.: Visitem o meu blog em http://khelmanu.blogspot.com e leiam o post "Abortar a responsabilidade!?"
 
Mafalda,
no que me diz respeito, sempre me esforcei por explicar a diferença entre as actuais excepções e a que propõem e mostrar que não há qualquer incoerência na sustentabilidade de umas e na frontal oposição à última.
Não tem a ver com explicarmos a coerência dessa posição mas sim com o ónus que cai sobre os defensores de cada posição. Tal como os defensores do "não" não têem que justificar as excepções actuais porque estas não vão a referendo, também os defensores do "sim" não têem que justificar por que razão o aborto a pedido continuará proíbido a partir das 10 semanas.
Muitos deles acham mesmo que não devia ser proíbido até muito mais tarde mas essa questão não vai a referendo. Assim, não têem o onús de provar que o feto "é subitamente um ser humano com direito a ser defendido às 10 semanas e 1 segundo".

De qualquer forma, o que eu realmente não percebo é por que razão acham que a mulher tem direito ao seu corpo até às 10 semanas de gestação e depois deixa de o ter. Porque é que até às 10 semanas é ilegítimo manter a criminalização e depois deixa de ser. Enfim... tenho pena que nunca me respondam a esta pergunta
Creio que, aqui, há duas questões distintas: por que é que há prazo e por que é que o prazo é de 10 semanas. O lado do "sim" não quer discutir nem uma nem outra por meras razões tácticas.

Haver um prazo limite para a realização do aborto a pedido só se justifica pela razão de, numa gravidez (e, consequentemente, num aborto), estarem envolvidos a mulher grávida e o nascituro. Discutir a razão de ser do prazo chama a atenção para o nascituro e isso não ajuda a causa do aborto a pedido.

A maior parte das pessoas prende-se com o que vê, não com o conceito, e um óvulo acabado de fecundar não pode provocar a mesma reacção emocional que um feto no 3º trimestre. Assim e para muitíssimas pessoas, algo que é aceitável no início da gravidez já não o será no fim dessa gravidez. Se se conseguir fazê-las acreditar que, às 10 semanas, o feto ainda é "uma massa informe de células, nada que se pareça minimamente com um ser humano", elas até aceitarão a ideia do aborto a pedido até às 10 semanas. Mas, quanto mais dilatado fôr o prazo, mais difícil será manter essa mentira. Daí este prazo.

Acredito que há vida humana desde a concepção mas, se me perguntarem em que micro-segundo exacto essa vida começa, não saberei responder. Apenas posso dizer que, no momento em que se sabe que a mulher está grávida, fica-se também a saber que existe um nascituro e esse nascituro é humano, está vivo e tem o direito de ser protegido. Antes de se saber da sua existência, essa questão não se coloca. Daí não me chocar o recurso à pílula do dia seguinte (excepto o seu uso irresponsável, pelas consequências para a saúde da mulher) mas chocar-me o aborto a pedido.
Talvez seja um pensamento algo primário mas é o que está ao meu alcance.

É por isso que compreendo (mesmo que não concorde) que alguém vote "sim" até às 10 semanas mas votaria "não" se a pergunta fosse, p.e., até às 16 semanas. E percebo por que razão os defensores do "sim", mesmo aqueles que defendem o aborto a pedido a termo, não se importam com o prazo.
Eles sabem perfeitamente que um prazo superior não passaria em referendo (mesmo as 10 semanas está para se ver) e que, uma vez aberta a porta e porque qualquer prazo é totalmente arbitrário e injustificável, se pode começar a trabalhar para o seu alargamento. Sem referendo, naturalmente, e com recurso a todos e quaisquer argumentos, seja as 10 semanas passarem subitamente a não serem suficientes "para uma decisão responsável", o SNS não ter capacidade para responder "em tempo útil" ou verificar-se que muitas mulheres continuarão a abortar clandestinamente após as 10 semanas e ser necessário "acabar com essa situação inadmissível e proteger a saúde dessas mulheres".

Aquilo que o lado do "sim" não quer discutir agora (as razões de haver um prazo) passará a ser a sua bandeira assim que a despenalização do aborto a pedido passar.
 





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