O Estado como exemplo moral

"Uma coisa é um cidadão assassinar pessoas inocentes. Outra, muito diferente, é ser o Estado a fazê-lo."

Esta frase não é minha, é de Bill Bryson, o famoso escritor de viagens americano , no seu livro "Notas sobre um país grande", justificando a razão da sua oposição à desumana pena de morte.

Não podia estar mais de acordo com ele. E você?

Comentários:
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Quantos vendilhões da moral não teria o Cristo de desancar se hoje descesse à terra!
 
mais uma tentativa de comparar aborto a homicídio, quando essa comparação não é legítima.

mas enfim..
 
E quem define essa legitimidade é você?

Quão digno e humilde...
 
Quantos vendilhões da moral não teria o Cristo de desancar se hoje descesse à terra!

Quantos, ao certo, não sei!

Mas faço uma pequena ideia por onde começaria...
 
oh meus amigos,
este sr. padre (mario costa pinto)do "sim", é daqueles que sofrem o sindrome do maio 68...aliás ele é padre, porque nunca se deixa de ser depois da ordenação (direito canónico)...mas, não tem paróquia nem exerce o sacerdócio ministerial...já há 17 anos que a igreja lhe tirou a credibilidade e a oprópria do magistério sacerdotal...
Mas claro,dá muito jeito à comunicação social dar estes exemplos para ver se cativam mais algusn votos para o "sim"...é que basta ver os artigos de opinião no publico, no Dn etc...por cada artigo a favor do não publicam 3 a favor do "sim"...e esta gente tem lata de se autodenominarem jornalistas imparciais...é mas é gente sem ética e deontologia prfessional...
Cada vez me convenço mais que, em politica e nos partidos, os favores paga-se e bem...caso contrário, não assistiamos ao seguidismo militante a favor do "sim" estes ultimos dias na imprensa.
 
Depreendo que acha aceitavel o homicidio de filhos de violadores e de deficientes. Voltamos sempre ao mesmo. As vossas comparações contrariam tudo o que os senhores dizem defender.
 
miguel,

não é válido equiparar duas situações que diferem em aspectos fundamentais, por muito que se force a barra..se afirmar isto faz de mim um gajo indigno e arrogante, seja. mas tolerância e delicadeza também não abundam pelos seus lados..
 
"Não faço juízos morais sobre os propósitos de ambos os lados. Apenas constato soluções diferentes, com motivações diferentes: de um lado, há uma proposta de um SIM pela higiene como resposta ao desespero; do outro, um NÃO que proporciona dignidade e exige um apoio real que possa gerar Esperança. Até porque temos de acreditar que há sempre quem não desista e há sempre quem quer dizer NÃO!"

João Titta Maurício, in,diariodigital.pt
 
Concordo plenamente, Diogo!

O papel primordial do Estado, neste caso particular, será fazer tudo para que uma família ou uma mulher não tenham de enfrentar o drama de recorrer àquela que deve ser a última das últimas opções.
Um verdadeiro "welfare state" primeiro esgotaria todas as possibilidades lógicas - apoio à mãe durante e após a gravidez, apoio à criança, agilizaria os processos de adopção e utilizaria os fundos destinados à Clínica dos Arcos para esta causa...

Quanto ao comentário do Daniel Oliveira, devo dizer-lhe que existem apoiantes do "Não" que não concordam sequer com a lei actual, como é o meu caso. Embora, obviamente, respeite quem dela queira usufruir e compreenda as razões apresentadas.
Por outro lado, a generalização da ideia de que "votar não é querer manter tudo igual ao que está" é uma falácia muito pouco feliz. Eu concordo que a mulher deva ser responsabilizada pelos seus actos, sim, só não acho que deva ir para a cadeia. Há muitas outras formas de a fazer reconhecer o mal causado ao seu bebé e a si própria...
 
m8inha,

há muitas formas de fazer (como quem diz forçar) uma mulher a reconhecer o mal que causou a si própria? isso é deveras perturbador.. que queiram obrigá-la a redimir-se pela vida inocente que ceifou, é uma coisa. quererem obrigá-la a um acto de contrição pelo mal que fez abater sobre si própria..meu deus, isso já é muito à frente! ou muito atrás, consoante a perspectiva..
 
frases pregadores
 
assom como frase de pregadores lá da américa
 
Caro Gui,
Não me ponha nos dedos letras que não escrevi...
Ninguém falou em "forçar". Falei em "responsabiizar", que é algo bem diferente.
Concordo que uma mulher que aborte cumpra outro tipo de penas, tais como trabalho social - junto de crianças órfãs ou em dificuldades, ou até de outras mães que não desistiram e, por vezes contra muitos, optaram por levar para a frente as suas gravidezes.
E acha que a tal redenção "pela vida inocente que ceifou" (palavras suas) não é "um acto de contrição pelo mal que fez abater sobre si própria"?
 
caro/a m8inha (que é para não errar no género),

longe de mim querer pôr-lhe nos dedos palavras que não escreveu (imagem bem gira, por sinal). mas a verdade é que pode ler-se no seu comentário que "há muitas outras formas de a fazer reconhecer (à mulher que abortou) o mal causado [...] a si própria". ora, o verbo fazer não poderá, neste contexto, ter muitas acepções - aliás, estou em crer que 'fazer alguém fazer alguma coisa' só pode mesmo ser interpretado com o sentido de forçar, pressionar, obrigar ou algo na mesma linha. mas, como é óbvio, posso estar errado..

quanto ao suposto 'mal' que a mulher que abortou 'fez abater sobre si própria' (palavras minhas, bem sei, mas profundamente irónicas), penso que deve ser matéria exclusiva da sua consciência (da mulher, entenda-se), e da de mais ninguém. a menos que acreditemos que ela virá a prestar contas ao altíssimo pelas suas nefandas acções - mas isso, convenhamos, não interessa a esta discussão. se, por outro lado, achamos que a mulher deve arrepender-se não só do crime cometido mas também da pena que por ele lhe atribuiram (seria esse o tal 'mal que fez abater sobre si própria', então),bem..não consigo partilhar dessa posição. faz-me muita confusão que mulheres não desejam o filho que transportam no ventre e que o querem abortar não o façam por medo da justiça - de todas as causas, é a mais desumana..
 
Excelente.
Estou completamente de acordo!

P.S.-já viu como o SIM vem defender a velha lei em resposta à crítica que o NÃO faz à nova lei? À falta de recursos ideológicos, vêem-se forçados a sublinhar os absurdos da lei anterior.
 
Caro Gui,
Pode chamar “cara”, se quiser, que sou uma “m8inha” - grávida e tudo!
A última coisa que eu queria era que as minhas palavras fossem interpretadas como um forçar alguém a fazer algo. Na verdade, o meu voto “Não” tem precisamente o objectivo oposto, já que acredito que devem ser criados os meios, condições e termos para que uma mulher não tenha de ser – e agora sim – forçada a interromper a sua gravidez, ou porque a família não deixa, ou porque o pai não quer, ou por qualquer outra razão.
Ser-se uma mãe à força ou um filho não desejado não é, obviamente, algo desejável (passe a redundância). Mas aí continuo a focar o mesmo ponto: prevenção, prevenção, prevenção! E, para os casos em que a prevenção não funcione, então sim, haver acompanhamento psicológico, financeiro, social, etc. à mulher, pois se tem acompanhado os vários debates e prestações de informação com certeza que já se apercebeu que, quem está dentro do assunto, diz que a maioria (é claro que há sempre minorias...), se tivesse o acompanhamento adequado, levaria para a frente a sua gravidez.
E depois há outras questões: os tais “nãos” dentro do “Não”... Com certeza que já se apercebeu que a pergunta a que vamos responder no Domingo é tipo “3 em 1”. Já pensou que o Ministério da Saúde tem, dentro dos fundos destinados à especialidade ginecologia-obstetrícia, fundos para comparticipar abortos em clínicas privadas (que baratas não hão-de ser, ou os donos de uma dessas famosas de Espanha não teria comprado um palacete em plena Av. da Liberdade, em Lisboa), mas a pílula anticoncepcional não é comparticipada? Sabe que a vacina do cancro do colo do útero, uma das doenças que mais matam as mulheres portugueses – as tais que o sr., como tantos outros, defendem –, custa mais ou menos que o preço estimado para um aborto (cerca de 450 euros) e também não é comparticipada?
Não acha que antes de construir o telhado se deveriam ter testado as fundações?
 
agora que o SIM venceu..

cara m8inha,

não sei se a resposta ainda vai a tempo, mas enfim. para não me alongar muito, procurarei ser telegráfico.

1) o aborto combate-se com "prevenção, prevenção, prevenção!", como muito bem referiu, e com acompanhamento social, psicológico e, claro está, médico. o aborto não se combate, como de resto os números demonstram, com a penalização das mulheres e a proibição do aborto medicamente assistido. logo, acabe-se com a criminalização e, como é óbvio!, aposte-se na educação e na sensibilização da população para a importância da contracepção e, já agora, para o valor da vida humana, ainda que intra-uterina.

2) muitas mulheres continuariam a desejar abortar mesmo que, por absurdo, o estado fosse capaz de prontamente lhes proporcionar condições socioeconómicas óptimas, pelo simples facto de haver muitos outros motivos por detrás da decisão de interromper a gravidez, nomeadamente a falta de saúde da mãe, a idade excessiva da mesma e a qualidade (ou melhor, a falta dela) da sua relação com o pai do 'bebé'.

3) como é lógico, também desejaria assitir a um maior investimento por parte do estado noutras áreas da saúde, a começar pelas que referiu, mas, lamentavelmente, não é isso que está neste momento em causa. também preferia que se tivesse investido na saúde em vez de se organizar a expo98 e o euro2004, mas também não é isso que está em causa. relativamente às clínicas de aborto espanholas, também desprezo quem faz negócio à custa do sofrimento dos outros (neste caso, o das mulheres) e à custa da vida humana (neste caso, a dos fetos), mas - volto a repetir - não é isso que, neste momento, está em causa. as lutas que se seguirem cá estaremos para as travar, e, quem sabe, talvez venhamos até a encontrarmo-nos do mesmo lado do campo de batalha ;)

por tudo isto, votei NÃO! não, estou a brincar, obviamente votei SIM..

chegado ao fim, constato que falhei redondamente no objectivo a que me propus no início - o de ser telegráfico na resposta. paciência.

resta-me dar-lhe os parabéns pela gravidez (desejada, espero) e fazer votos de que tudo corra pelo melhor, não só até ao nascimento como, claro está, daí em diante =)

um abraço,
GUi
 





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